Aprendendo a voar.
Oct
12
By: Sue Medeiros | Discussion (1)

Ganhei de presente de um mais que querido amigo esta linda animação de um trecho da ópera Madama Butterfly de Puccini. Confiança de Cio-Cio-San no retorno de seu amor, no início do Ato II, como narra a Wikipedia:

Pinkerton regressou aos Estados Unidos; prometeu, porém, que voltaria “quando os pintarroxos fizerem os seus ninhos.” Já se passaram três anos. Butterfly chora, e Suzuki reza o tempo inteiro, ajoelhada diante da imagem do Buda. Suzuki diz a Butterfly que suspeita que seu marido não voltará mais. “Cala a boca, ou te mato!”, responde Butterfly. Ela chora, mas não perde a esperança: Un bel dì vedremo - um belo dia veremos um fio de fumaça no horizonte - o navio de Pinkerton!

Momento de eterna beleza, um amor inocente e confiante, ainda não machucado pela realidade sórdida de Pinkerton. Fica de presente para vocês, com um beijo.

Un bel dì, vedremo
levarsi un fil di fumo sull’estremo
confin del mare.
E poi la nave appare.
Poi la nave bianca
entra nel porto, romba il suo saluto.
Vedi? È venuto!
Io non gli scendo incontro. Io no. Mi metto
là sul ciglio del colle e aspetto, e aspetto
gran tempo e non mi pesa,
la lunga attesa.
E… uscito dalla folla cittadina
un uomo, un picciol punto
s’avvia per la collina.
Chi sarà? chi sarà?
E come sarà giunto
che dirà? che dirà?
Chiamerà Butterfly dalla lontana.
Io senza dar risposta
me ne starò nascosta
un po’ per celia e un po’ per non morire
al primo incontro, ed egli alquanto in pena
chiamerà, chiamerà:
Piccina mogliettina
olezzo di verbena,
i nomi che mi dava al suo venire.
[a Suzuki]
Tutto questo avverrà, te lo prometto.
Tienti la tua paura, io con sicura
fede l’aspetto.



Oct
10
By: Sue Medeiros | Discussion (1)

Tantas e tantas vezes já expliquei aqui o porquê do meu blog chamar Asa de Borboleta e algumas vezes eu mesma me esqueço… A asa da borboleta é o símbolo da sua coragem de Ser, mesmo quando tudo à sua volta parece não querer que ela seja. É o resultado glorioso da metamorfose daquela que se arrasta vagarosamente de barriga no chão, mas decide que PRECISA voar. É fruto de dor, de sofrimento, de um tempo ENORME dentro de um casulo, solitária, com os movimentos restritos. No fim, o tempo de voar é tão curto… mas o vôo é uma sinfonia de louvor Àquele que criou o céu e as flores.

Pois então… há muita gente, muita mesmo, que pensa que tudo isso é uma besteira sem fim. Pessoas que pensam que o que vale é o dinheiro e o sucesso que você acumula, a sua capacidade de passar por cima do que for – mesmo de outras pessoas – para conseguir o que quer. Estas pessoas, e eu já encontrei algumas delas na Net e pessoalmente, pensam que eu sou uma velha imbecil. Retardada, foi uma das expressões utilizadas. Nos últimos meses estive tão fraca que cheguei a acreditar nelas, a pensar que nada mais tinha para escrever aqui que não fosse triste, velho e imbecil.

Bem, meus ídolos velhotes, barrigudinhos, carecas, grisalhos e LINDOS do Marillion escreveram há algum tempo uma música que fala maravilhosamente sobre tudo isso, é uma música com Asas de Borboleta. Deixo com vocês a apresentação ao vivo tirada do You Tube com muito amor e com o desejo que vocês que estão por aí lendo o Asa e sentem como eu sinto saibam que são BELOS.

Aos materialistas, mercantilistas, interesseiros e maus-caráter em geral, bem (tampem os olhinhos das criancinhas, por favor) VÃO À MERDA.

Estou voltando.

Beautiful
music: Marillion
lyrics: Steve Hogarth & John Helmer

Everybody knows we live in a world
Where we give bad names to beautiful things
Everybody knows we live in a world
Where we don’t give beautiful things a second glance
Heaven only knows we live in a world
Where what we call beautiful is just something on sale
People laughing behind their hands
While the fragile and sensitive are given no chance

And the leaves turn from red to brown
To be trodden down, to be trodden down
And the leaves turn from red to brown
Fall to the ground, fall to the ground

We don’t have to live in a world
Where we give bad names to beautiful things
We should live in a beautiful world
We should give beautiful a second chance

And the leaves fall from red to brown
To be trodden down, to be trodden down
And the leaves turn green to red to brown
Fall to the ground and get kicked around

(Are you) strong enough to be…
Have you the faith to be…
(Are you) sad enough to be…
Honest enough to stay…

Don’t have to be the same…
Don’t have to be this way
C’mon and sign your name
(Are) you wild enough to remain beautiful?
Beautiful, beautiful, beautiful.

And the leaves turn from red to brown
To be trodden down, trodden down
And we all fall green to red to brown
Fall to the ground
We can turn it around

(Are you) strong enough to be…
Why don’t you stand up and say…
Give yourself a break
They’ll laugh at you anyway
So why don’t you stand up and be
Beautiful, beautiful!

Black, white, red, gold, and brown (whatever!)
We’re stuck in this world
Nowhere to go
Turn it around
What are you so afraid of?
Show us what you’re made of
Be yourself and be beautiful
Beautiful

Essa eu TENHO de traduzir, pedindo desculpas pelo post longo.

Belo
música: Marillion
letras: Steve Hogarth & John Helmer

Todos sabemos que vivemos num mundo
Que dá nomes feios a coisas belas
Todos sabemos que vivemos num mundo
Onde não damos a coisas belas um segundo olhar
Deus sabe que vivemos em um mundo
Onde o que chamamos de belo é o que está à venda
Pessoas escondem o sorriso com a mão
Enquanto o frágil e sensível não têm vez

E as folhas passam de vermelhas a marrons
Para serem pisoteadas, para serem pisoteadas
E as folhas passam de vermelhas a marrons
Caem ao chão, caem ao chão

Não temos de viver em um mundo
Que dá nomes feios a coisas belas
Deveríamos viver em um mundo belo
Deveríamos dar ao belo uma segunda chance

E as folhas passam de vermelhas a marrons
Para serem pisoteadas, para serem pisoteadas
E as folhas passam de verdes a vermelhas, a marrons
Caem ao chão e são chutadas em qualquer direção

Você é forte o suficiente para ser…
Tem fé suficiente para ser…
É triste o suficiente para ser…
Honesto o suficiente para permanecer…

Não precisa ser mais do mesmo…
Não precisa ser assim
Vamos, assine embaixo
Você é selvagem o suficiente para permanecer belo?
Belo, belo, belo…

E as folhas passam de vermelhas a marrons
Para serem pisoteadas, para serem pisoteadas
E todos nós passamos de verdes a vermelhos a marrons
Caimos ao chão,
Nós podemos mudar isso

Você é forte o suficiente para ser…
Porque não se levanta e diz…
Pegue leve com você
Eles vão rir de você de qualquer jeito
Então porque você não se levanta e seja
Belo! Belo!

Negro, branco, vermelho, dourado ou marrom
Estamos presos a este mundo
Nenhum outro lugar para ir
Vamos mudar
De que você tem medo?
Mostre-nos do que é feito
Seja você mesmo e seja Belo
Belo



Sep
09
By: Sue Medeiros | Discussion (0)

Photobucket

Querida Carolina

Se eu pudesse, juntava muitas e muitas conchinhas do mar, das mais belas. construía, na beira da praia mais bonita do planeta, um castelo de madrepérola com caminhos de cristal e lindos aquários com os mais coloridos peixes do mar. No jardim colocava as flores mais perfumadas, aquelas que atraem mais borboletas e beija-flores. Mobiliava com os móveis mais macios bonitos e alegres que encontrasse, e presenteava você com tudo isso, você que é a minha eterna sereia a nadar em Cabo Verde.

Queria juntar todas as coisas mais doces e queridas - mais ‘bacanas’ como falamos aqui no Brasil - e doá-las a você uma a uma, a cada aniversário seu que passarmos juntas de coração (espero que sejam muitos!).

Já que você foi mais rápida e me mandou um presente antes que eu pudesse mandar o seu, fica este post como presente virtual, até que o seu presente de verdade chegue pelo correio.

Titi Sue ama você muito!

Feliz nove do nove de dois mil e nove!!



Aug
12
By: Sue Medeiros | Discussion (1)

(inspirado por Rogério Prado Macedo

– obrigada, sem medo, amigo querido)

Love Hurts by Nazareth

Love hurts, Love scars
Love wounds and mars
Any heart not tough
Or strong enough
To take a lot of pain
Take a lot of pain
Love is like a cloud
Holds a lot of rain
Love hurts, (Ooooo), love hurts

I’m young, I know
But even so
I know a thing or two
I learned from you
I really learned a lot
Really learned a lot
Love is like a flame
It burns you when it’s hot
Love hurts, (Ooooo), love hurts

Some fools think of happiness,
Blissfulness, togetherness
Some fools, fool themselves, I guess
They’re not fooling me
I know it isn’t true
I know it isn’t true
Love is just a lie
Made to make you blue
Love hurts, (Ooooo) love hurts (Ooooo), Love hurts

I know it isn’t true
I know it isn’t true
Love is just a lie
Made to make you blue
Love hurts, (Ooooo) love hurts (Ooooo), Love hurts (Ooooo)

Aquilo que eu mais desejo é sempre o que me faz sofrer mais.
Disso é feito o Rock, disso é Feito o Blues:
A alma se arrebenta em canção.
A guitarra corta a paz como uma moto-serra.
O coro sustenta, a voz do vocalista rasga. Love hurts.
Uhhhh, Love hurts.

Love Hurts by Cher
(assista no YouTube, usando o link acima; permissão de embedding não foi concedida)

Love hurts, Love scars
Love wounds and mars
Any heart not tough
Or strong enough
T’take a lot of pain
Take a lot of pain
Love is like a cloud
And it holds a lot of rain
Love hurts, (Ooooo), love hurts

You’re young, I know
Baby, even so
I know a thing or two
Ooo honey, I’ve learned from you
And I really learned a lot
I really learned a lot
Love is like a stove and
It burns you when it’s hot
Love hurts, (Ooooo), love hurts

Some fools dream of happiness,
Of blissfulness, togetherness
Oh, some fools, they fool themselves, I guess
They’re not fooling me
And I know it isn’t true
Yeah, I know it isn’t true
Love is just a lie and it’s
Made to make you blue
Love hurts, (Ooooo) love hurts
(Ooooo), Love hurts

And I know it isn’t true
Oh, I know it isn’t true
Love is just a lie and it’s
Made to make you blue
Love hurts, (Ooooo) love hurts (Ooooo), Love hurts, (Ooooo), Love hurts

A espera dos primeiros compassos… silêncio cheio de expectativa.
O piano despeja nos ouvidos pequenos sons que rodam, rodam.
A banda faz o colchão onde repousa a melodia.
A guitarra corta a paz como uma moto-serra.
O coro sustenta, a voz da cantora rasga. Love hurts.
Uhhhh, Love hurts.

Começamos quase tudo com grande expectativa.
Lentamente a ciranda da vida nos roda-roda.
Os desejos nos acalentam num colchão de passividade.
A realidade corta a paz como uma moto-serra.
O coro sustenta, a voz da cantora rasga. Love hurts.
Uhhhh, Love hurts.

A juventude é a surpresa, a novidade.
Lentamente a rotina da vida roda, roda.
A maturidade pisa no freio, desejosa de repouso
A tristeza corta a paz como uma moto-serra.
O coro sustenta, a voz da cantora rasga. Love hurts.
Uhhhh, Love hurts.

Na infância corri veloz em direção à descoberta.
A adolescência trouxe responsabilidade.
A idade adulta buscou alegria e a paz
Na maturidade, a perda corta essa paz como uma moto-serra.
O coro sustenta, a voz da cantora rasga. Love hurts.
Uhhhh, Love hurts.

Não importa o que eu faça ou diga, no final é tudo sempre igual:
A guitarra geme como alma penada, rasga a paz como uma moto-serra.
O coro sustenta, a voz da cantora rasga. Love hurts.
Uhhhh, Love hurts.

Desculpem a longa ausência. É, tô mal….



Mar
26
By: Sue Medeiros | Discussion (2)

Photobucket



Mar
16
By: Sue Medeiros | Discussion (0)

Photobucket

Pensando, pensando… em como há seis anos atrás, na madrugada do dia 15 para o dia 16 de março nasceu uma estrela linda, linda, que brilha rubra até hoje. Estrela mansa, estrela sorriso, estrela amiga, benfazeja.

Brilha sempre, amigo estrela de coração constelação. Teu caminho de luz já está traçado. Nunca deixe de brilhar para que possamos usar teu brilho como guia na nossa jornada. Um dia chegaremos até você, e que lindo dia este vai ser!

Te amo, agora como antes e para sempre.

Beijo da tua Butterfly



Nov
19
By: Sue Medeiros | Discussion (0)

ELUSIVE BUTTERFLY
(Words and Music by Bob Lind)

You might wake up some mornin’
To the sound of something moving past your window in the wind
And if you’re quick enough to rise
You’ll catch a fleeting glimpse of someone’s fading shadow

Out on the new horizon
You may see the floating motion of a distant pair of wings
And if the sleep has left your ears
You might hear footsteps running through an open meadow

Don’t be concerned, it will not harm you
It’s only me pursuing somethin’ I’m not sure of
Across my dreams with nets of wonder
I chase the bright elusive butterfly of love

You might have heard my footsteps
Echo softly in the distance through the canyons of your mind
I might have even called your name
As I ran searching after something to believe in

You might have seen me runnin’
Through the long-abandoned ruins of the dreams you left behind
If you remember something there
That glided past you followed close by heavy breathin’

Don’t be concerned, it will not harm you
It’s only me pursuing somethin’ I’m not sure of
Across my dreams with nets of wonder
I chase the bright elusive butterfly of love

Across my dreams with nets of wonder
I chase the bright elusive butterfly of love

Assuntos aparentemente sem relação surgiram hoje, voaram em círculos dentro de mim e acabaram por se mesclar de forma a gerar este post. Não estou certa de fazer sentido, de ser clara, espero que meus amigos e leitores tenham paciência para seguir o vôo um tanto irregular destas palavras… mas assim mesmo são as borboletas.

Um: é fato que minha família ascendente já partiu toda deste mundo; por mais que eu os amasse e cuidasse deles no limite máximo das minhas faculdades, simplesmente não pude impedi-los de partir. Quem lê o Asa sabe também que não tenho filhos; apesar de tê-los desejado por toda a vida, simplesmente não vieram. Portanto, falar da minha família, que é coisa muito cara e importante para mim, geralmente significa falar de morte, ausência e falta. Apesar disto falo constantemente de meus mortos, mesmo sabendo que para os leitores isto pode parecer depressivo e mórbido, ainda que para mim não seja.

Dois: As borboletas monarca, todo mês de outubro, migram das florestas do Canadá e Estados Unidos para se congregarem nas sierras mexicanas, para esperar a passagem do inverno. São dezenas de milhões de borboletas agrupadas em uma única extensão de floresta, fazendo arabescos pelo ar e maravilhando quem as vê. O povo simples da região acredita que estas borboletas - que chegam lá próximo ao Dia de Finados - são as almas de seus mortos voltando para casa.

Três: Minha irmã hoje sonhou com nossos pais e tios, numa grande casa que ela descreveu como sendo muito grande e o amálgama de muitas casas onde moramos. Eu já sonhei com uma grande casa de fazenda, onde haviam pessoas de minha família a me aguardar. Seja como for, eu e ela ocasionalmente somos agraciadas com a possibilidade de visitar em sonhos a casa de nossos ancestrais na grande Casa do Pai. Estas visitas são doces, para mim e para ela, mas deixam um travo de saudade e de vontade de estar mais junto daqueles que amamos e partiram. Nesta época de Advento, de preparação para o nascimento daquele que formou com seus pais a Sagrada Família, o travo fica mais agridoce e presente. Tudo que fazemos nos lembra nossos pais e nossa infância.

Quatro: O desflorestamento no México está ameaçando as borboletas Monarca de extinção. A organização americana Ecolife Foundation está tentando reverter esta situação através de reflorestamento, construção de fornos a lenha (que são aqueles que a população de grande parte do mundo ainda usa) mais eficientes e conscientização da população local. É um trabalho muito bonito, que merece nosso apoio. Visitem o site e ajudem, se puderem. O filme acima é produzido por eles.

Como cheguei de lá até aqui? Fiquei a pensar na conversa que tive com minha irmã, meditando sobre como explicar a ela e a mim mesma esta importância de nossos mortos, esta vontade de estar com eles, esta alegria serena mesclada de saudade, esta vontade de rever que não tem revolta. Deitada em minha cama, escutando música e pensando neste dia chuvoso, olhei para minha luminária que, é claro, tem recortada nela uma revoada de borboletas. Pensei que esta é uma imagem que me agrada, a de andar pela vida com as almas-borboleta de meus mortos fazendo cabriolas dentro de mim. Fui procurar no You Tube por um vídeo de revoada de borboletas e cheguei na fundação e nas Monarca.

Pensei que, afinal de contas, esta revoada de borboletas, tanto na alma quanto no México, acabam por ser uma coisa só. Fiquei extremamente feliz, e ainda mais concentrada nas minhas borboletas da alma. Ao mesmo tempo, mal posso esperar pela vida, pelas novas pessoas que vou conhecer e que talvez até virem família. Faz sentido? Pois é.



Oct
22
By: Sue Medeiros | Discussion (0)

Acordar com sua voz no meu ouvido, ainda no quentinho da noite anterior, é muito bom. Sentir que sua saudade e a minha são irmãs é consolador. Saber que meu silêncio incomoda você tanto quanto o seu me incomoda é revelador. Foi delicioso, amado, sentir a sua presença. Tive até mesmo força para enfrentar o resto do dia.

Tenho tido dificuldade em escrever, sempre me perguntando até onde eu devo expor tanto sentimento em espera, mas hoje descobri - tão surpresa - que mesmo meu reservado amado precisa às vezes se expressar. Eu, que vivo e me alimento de me comunicar, decidi parar de travar o que está precisando tanto de voz.

Eu amo você. Você está longe, tem seu trabalho para fazer tanto quanto eu tenho o meu. Não importa. Seu nome sai quase imperceptível, baixinho, mas muito doce de meus lábios, e eu paro um instante de trabalhar para olhar pela janela o sabiá pousado na goiabeira e pensar em você. Os passarinhos todos consumindo as frutas das quais eu abdiquei em troca da alegria alada de todas as tardes. A visita do beija-flor que fez morada no forro do telhado e gosta de me observar na minha mesa de trabalho. Aí meu coração alça seu proprio vôo e pousa leve sobre o ombro onde eu desejo tanto encostar a cabeça. De alguma forma que não sei explicar, você está aqui da mesma forma que eu estou aí. Tão longe, meu amor, mas tão dentro de mim.

Estamos cercados de anjos, meu Joaquim. Alguns até dizem que somos anjos. Seus colegas o chamam de anjo protetor, você mesmo diz que eu sou o SEU anjo. Já sei bem sabido que tenho dois anjos que me amam profundamente, que me deram a vida enquanto estavam aqui nesta terra, e que tenho a certeza desejam a nossa felicidade. São Miguel Arcanjo, guerreiro, protege com sua espada sua luta e a minha.

Há a luta, há este enorme campo de batalha que chamam de Mundo. Podemos, eu e você, enfrentar tudo isto todos os dias. Sobrevivemos e crescemos, é certo. Mas há também o descanso e a doçura, e a isto também temos direito. Acima de tudo, temos direito ao nosso amor. Que este seja nosso anjo, o mais forte e o mais presente.

Angel - Sarah McLachlan

Spend all your time waiting for that second chance
For the break that will make it OK
There’s always some reason to feel not good enough
And it’s hard at the end of the day
I need some distraction or a beautiful release
Memories seep from my veins
Let me be empty and weightless and maybe
I’ll find some peace tonight

In the arms of the Angel fly away from here
From this dark, cold hotel room, and the endlessness that you fear
You are pulled from the wreckage of your silent reverie
You’re in the arms of the Angel; may you find some comfort here

So tired of the straight line, and everywhere you turn
There’s vultures and thieves at your back
The storm keeps on twisting, you keep on building the lies
That you make up for all that you lack
It don’t make no difference, escaping one last time
It’s easier to believe
In this sweet madness, oh this glorious sadness
That brings me to my knees

In the arms of the Angel fly away from here
From this dark, cold hotel room, and the endlessness that you fear
You are pulled from the wreckage of your silent reverie
In the arms of the Angel; may you find some comfort here

You’re in the arms of the Angel; may you find some comfort here



Sep
14
By: Sue Medeiros | Discussion (0)

Como eu estava dizendo, há pessoas que amo muito e que estão longe demais de mim. Uma família pernambucana muito especial, que eu amo muitíssimo e há muito tempo, está em Palmas, lá em cima no limite entre o Centro-Oeste e o Norte do meu país. A família é composta de papai, mamãe e um filhinho lindo chamado Enrico. Enrico tem cinco anos, e fez neste mês de setembro, na sua escola, uma tarefa especial.

A tarefa era meditar sobre o amor com sua família, pensar e compor sua oração particular sobre o amor. Depois de composta, Enrico devia ilustrá-la. A mamãe de Enrico compartilhou comigo esta linda oração e eu a quis compartilhar com vocês. O resultado está abaixo, na ilustração. Para quem tem dificuldade em ler letrinha de criança, transcrevo a oração de Enrico:

Papai do Céu tem um coração que é verdadeiro e que deu para mim e para todas as pessoas que eu conheço e amo.

Papai do Céu, eu te amo muito por ter dado coração verdadeiro.

E é verdade, pelo menos no caso do Enrico. Deus deu a ele - e é tão visível já tão cedo - um coração cheio de amor verdadeiro. Ele tem a força da mãe e a gentileza do pai, com uma sensibilidade e esperteza que são só suas, para sustentar este coração verdadeiro. Enrico me fez meditar sobre o coração verdadeiro, e eu quis de minha parte fazer também uma oração, dedicada a ele. Vamos lá:

Querido Jesus,

Sei que foi o Teu Coração Verdadeiro que me pôs em contato com Enrico e o deu a mim como sobrinho querido. Peço agora, movida pelo mais puro amor de que sou capaz, que proteja sob Teu manto este pequeno e lindo Coração Verdadeiro que criaste à Tua imagem e semelhança.

Sei também, Mestre amado, que corações verdadeiros muitas vezes vêm a este mundo para realizar as tarefas mais difíceis e penosas, aquelas que só mesmo quem muito ama é capaz de realizar. Como foi Tu mesmo que nos ensinastes, Jesus, que não há amor maior que dar a vida por um amigo, peço para mim o peso e a dificuldade que possas ter reservado para este menino. Gostaria, se fosse de Tua vontade, que o mantivesses feliz, puro, inocente e verdadeiro, um verdadeiro consolo e fonte de alegria para outros corações verdadeiros aqui embaixo.

É em Teu Sagrado Nome que eu peço, Senhor, e desde já agradeço a Tua bondade e misericórdia.

Assim seja.

Photobucket



Jul
27
By: Sue Medeiros | Discussion (0)

Órfã na Janela - A.Prado

Estou com saudade de Deus,
uma saudade tão funda que me seca.
Estou como palha e nada me conforta.
O amor hoje está tão pobre, tem gripe,
meu hálito não está para salões.
Fico em casa esperando Deus,
cavacando a unha, fungando meu nariz choroso,
querendo um pôster dele no meu quarto,
gostando igual antigamente
da palavra crepúsculo.
Que o mundo é desterro eu toda vida soube.
Quando o sol vai-se embora é pra casa de Deus que vai,
pra casa onde está meu pai.

Hoje não é um daqueles dias em que, sossegada, penso belezuras para escrever aqui. Esta semana foi de montanha-russa emocional, intensa, furiosa. Hoje estou em espasmos, o pensamento aqui e ali, oscilante, nervoso.

Hoje me pergunto o porquê do mundo ser tão grande, e invariavelmente parecer que as pessoas que me trariam alegria estão do outro lado dele. As doçuras que estas pessoas me ofertam chegam aqui diluídas, fracas, com prazo de validade vencido. Não é um dia de bonitezas, é dia de rosnar, ranger de dentes e silêncios desconfortáveis. Não quero mesmo conversar com as pessoas à minha volta, centrada que estou naquelas que não estão aqui.

Estou estranha, conflito ambulante, sapato apertado. Alterno entre a vontade de virar a mesa posta do almoço e fotografar os desenhos que o arroz colorido fizesse no chão. A energia contida queria se expressar em meia dúzia de copos jogados com força na parede, e o lirismo queria fazer um véu luminoso para os cabelos com os cacos de vidro.

Hoje eu simplesmente não me conformo. Hoje é bater a cabeça na parede e sentir na testa a dor da saudade. É sentir no fundo da garganta o amargo do desejo não saciado. Tudo o que vejo me mostra um buraco, só enxergo o que não está ali. Mineira como ele é mineiro, calada como ele é calado, hoje a única poesia que me serve é a poesia seca e altiva de Adélia Prado.

Corridinho - A.Prado

O amor quer abraçar e não pode.
A multidão em volta,
com seus olhos cediços,
põe caco de vidro no muro
para o amor desistir.
O amor usa o correio,
o correio trapaceia,
a carta não chega,
o amor fica sem saber se é ou não é.
O amor pega o cavalo,
desembarca do trem,
chega na porta cansado
de tanto caminhar a pé.
Fala a palavra açucena,
pede água, bebe café,
dorme na sua presença,
chupa bala de hortelâ.
Tudo manha, truque, engenho:
é descuidar o amor te pega,
te come, te molha todo.
Mas água o amor não é.