Recebi um comment especial, infelizmente o Wordpress ou a Sonia (a comentarista em questão) não vincularam o texto a um post, pelo menos eu não achei o link. O melhor mesmo, então, é simplesmente citar o comentário aqui:
Olá,
Faz uns meses que adicionei seu blog nos meus favoritos, pois havia gostado imensamente das suas mensagens, pois me identifico muitíssimo com elas. Perdi meu pai, também com o tal tumor, e dias depois, minha mãe teve um derrame, vindo falecer no ano seguinte.Eu nunca sofri tanto em toda a minha vida. Acompanhei meu pai no hospital e depois minha mãe que morava com a minha irmã.
Neste momento, estava eu olhando meus favoritos, onde tem muitas opões, de repente vi o seu blog, e entrei, e chorei novamente.
Gostaria de parabenizá-la pela maneira poética e ao mesmo tempo objetiva que escreves, e por toda força que teve e tem.
Um beijo carinhoso, de uma desconhecida que se sente ligada à você.
Sonia, querida desconhecida, você entendeu errado, a força não é minha… É você que me dá esta força, quando me escreve, é um aluno que me diz que eu fiz diferença na vida dele, é um amigo que me abraça, é um estranho que me sorri. Eu simplesmente abro as asas e deixo o vento me levar.
Obrigada por existir, obrigada por escrever. Sinto muito que você tenha passado por estas perdas tão próximas uma da outra, imagino o quanto foi duro. Minha mãe morreu 20 anos antes do meu pai, os dois devido a complicações causadas por tumores. Nas duas ocasiões lá estava eu ao lado deles, tentando engolir o medo e a tristeza para ajuda-los a nascer para a vida eterna. Acho que fui mais bem sucedida da segunda vez, era tão jovem durante a doença da minha mãe…
Como já disse tão bem o Dennis D. na ocasião do falecimento do meu pai, os buracos da alma ficam. Quanto a isso nada há para ser feito. É bom saber, no entanto, que há esta irmandade e esta humanidade à nossa volta que também sofre, que também sente. Se a minha dor ajuda a confortar a sua, saiba que a sua também ajuda a confortar a minha. Saiba com toda a segurança que estamos, sim, ligadas, e que isto é muito bom.
Bem vinda ao meu coração ![]()
Minha Quaresma não estaria completa sem isto…
Sempre rezando por sua alma e pela felicidade de seu filho, querida Dama. Que seu descanso eterno seja sempre em verdes campos repletos de doces cascatas.
Manda um beijo de Páscoa para meus pais…
“A morte não nos persegue: apenas espera, pois nós é que corremos para o colo dela. Talvez o melhor de tudo é que ela nos lembra da nossa transcendência. Somos mais que corpo e sangue e compromissos, susto e ansiedade: somos mistério, o que nos torna maiores do que pensamos ser.
E o amor, quando se aproxima desse território do estranho, tem de se curvar: com dor, com terror, com enorme ansiedade dá um salto irrevogável para essa prova maior. E então começa a ser ternura; e então se aproxima, muito vagamente, de alguma coisa chamada permanência.” (Lya Luft em Secreta Mirada)
Se eu soubesse em janeiro de 2003 o que aconteceria em 16 de março, quase certamente teria dado um jeito de partir para Barcelona e apertar forte um amigo querido nos braços, antes que este partisse. Se eu soubesse em abril de 2003 o que sei hoje talvez não tivesse sofrido tanto… mas não, mesmo a cada experiência aprofundada o peso da partida é quase mais do que podemos suportar. A cada março passo por minha Quaresma Particular, me despeço novamente de ausências antigas e algumas vezes, dolorosamente, como neste ano de 2010, faço despedidas novas.
No dia sete deste mês, para minha profunda tristeza e consternação, perdi meu confessor e grande amigo, D.Tadeu Lopes, OSB, reitor do Colégio São Bento aqui no Rio. Meu amigo há quase trinta anos, meu confessor desde a morte de meu primeiro orientador espiritual, D. João Evangelista Enout, OSB, falecido a treze de março de 1993, uma sexta feira de inundação no Rio. Perdi repentinamente estes dois grandes amigos em março, como perdi repentinamente o muito querido Alex Cabedo no março de sete anos atrás.
Perdi?
Eu me pergunto o que foi que eu perdi deles, se a cada dia que passa a voz pausada e serena de um, o olhar amoroso e acolhedor de outro, a escrita e a inteligência do terceiro, estão presentes e firmes à minha volta, crescem mesmo, e se modificam à medida em que moldam meu próprio espírito e a maneira como convivo com o mundo material que se apresenta no meu hoje. Aliás, relendo a sentença anterior, percebo encantada que não sei determinar a qual deles pertence a voz, o olhar, a inteligência, porque fui sobremaneira afortunada de encontrar tudo isso nos três…
Meus amados quaresmeiros me guiam nesta dolorida viagem de transmutação da perda em asas de borboleta, e se existem hoje pessoas que encontram a doçura que precisam em meu colo, voz ou olhar, que saibam com toda a certeza que meu coração é adoçado por eles.
Alex, então, é o milagre da amizade que se aprofunda depois da perda, que se desmembra em novas amizades e descobertas, que cresce e se desenvolve como sua filha o faz diante de mim. Quantas e quantas vezes, amigo querido, agradeci a imensa generosidade dos presentes com os quais me regala, como já agradeci por Cristina e Carmem e Paula e Carolina… e qual minha alegria de ver que há mais pessoas a descobrir e conhecer, que existem mais presentes seus a serem abertos em futuras datas especiais… bendita Internet!
Quantas vezes, em meu coração, trocamos sorrisos e abraços que só nós sabemos, quantos sorrisos enigmáticos deixaram as pessoas à minha volta intrigadas… não posso, não seria justo falar em perda quando falo de Alex, porque meu conhecimento dele e meu relacionamento com ele só foi acrescido depois de sua partida.
Posso falar - isso sim - de um renascimento constante destes três dentro da Secreta Morada (com trocadilho, obrigada, Lya! Obrigada Helô Capel, pelo maravilhoso presente do livro!) do meu coração. E o outono brota e se transforma numa perfumada primavera, em busca da Páscoa.
E a Páscoa vem, ela vem!
Feliz Aniversário, Alex, Dom João. Vá em paz, querido Dom Tadeu.
Ganhei de presente de um mais que querido amigo esta linda animação de um trecho da ópera Madama Butterfly de Puccini. Confiança de Cio-Cio-San no retorno de seu amor, no início do Ato II, como narra a Wikipedia:
Pinkerton regressou aos Estados Unidos; prometeu, porém, que voltaria “quando os pintarroxos fizerem os seus ninhos.” Já se passaram três anos. Butterfly chora, e Suzuki reza o tempo inteiro, ajoelhada diante da imagem do Buda. Suzuki diz a Butterfly que suspeita que seu marido não voltará mais. “Cala a boca, ou te mato!”, responde Butterfly. Ela chora, mas não perde a esperança: Un bel dì vedremo - um belo dia veremos um fio de fumaça no horizonte - o navio de Pinkerton!
Momento de eterna beleza, um amor inocente e confiante, ainda não machucado pela realidade sórdida de Pinkerton. Fica de presente para vocês, com um beijo.
Un bel dì, vedremo
levarsi un fil di fumo sull’estremo
confin del mare.
E poi la nave appare.
Poi la nave bianca
entra nel porto, romba il suo saluto.
Vedi? È venuto!
Io non gli scendo incontro. Io no. Mi metto
là sul ciglio del colle e aspetto, e aspetto
gran tempo e non mi pesa,
la lunga attesa.
E… uscito dalla folla cittadina
un uomo, un picciol punto
s’avvia per la collina.
Chi sarà? chi sarà?
E come sarà giunto
che dirà? che dirà?
Chiamerà Butterfly dalla lontana.
Io senza dar risposta
me ne starò nascosta
un po’ per celia e un po’ per non morire
al primo incontro, ed egli alquanto in pena
chiamerà, chiamerà:
Piccina mogliettina
olezzo di verbena,
i nomi che mi dava al suo venire.
[a Suzuki]
Tutto questo avverrà, te lo prometto.
Tienti la tua paura, io con sicura
fede l’aspetto.
Tantas e tantas vezes já expliquei aqui o porquê do meu blog chamar Asa de Borboleta e algumas vezes eu mesma me esqueço… A asa da borboleta é o símbolo da sua coragem de Ser, mesmo quando tudo à sua volta parece não querer que ela seja. É o resultado glorioso da metamorfose daquela que se arrasta vagarosamente de barriga no chão, mas decide que PRECISA voar. É fruto de dor, de sofrimento, de um tempo ENORME dentro de um casulo, solitária, com os movimentos restritos. No fim, o tempo de voar é tão curto… mas o vôo é uma sinfonia de louvor Àquele que criou o céu e as flores.
Pois então… há muita gente, muita mesmo, que pensa que tudo isso é uma besteira sem fim. Pessoas que pensam que o que vale é o dinheiro e o sucesso que você acumula, a sua capacidade de passar por cima do que for – mesmo de outras pessoas – para conseguir o que quer. Estas pessoas, e eu já encontrei algumas delas na Net e pessoalmente, pensam que eu sou uma velha imbecil. Retardada, foi uma das expressões utilizadas. Nos últimos meses estive tão fraca que cheguei a acreditar nelas, a pensar que nada mais tinha para escrever aqui que não fosse triste, velho e imbecil.
Bem, meus ídolos velhotes, barrigudinhos, carecas, grisalhos e LINDOS do Marillion escreveram há algum tempo uma música que fala maravilhosamente sobre tudo isso, é uma música com Asas de Borboleta. Deixo com vocês a apresentação ao vivo tirada do You Tube com muito amor e com o desejo que vocês que estão por aí lendo o Asa e sentem como eu sinto saibam que são BELOS.
Aos materialistas, mercantilistas, interesseiros e maus-caráter em geral, bem (tampem os olhinhos das criancinhas, por favor) VÃO À MERDA.
Estou voltando.
Beautiful
music: Marillion
lyrics: Steve Hogarth & John HelmerEverybody knows we live in a world
Where we give bad names to beautiful things
Everybody knows we live in a world
Where we don’t give beautiful things a second glance
Heaven only knows we live in a world
Where what we call beautiful is just something on sale
People laughing behind their hands
While the fragile and sensitive are given no chanceAnd the leaves turn from red to brown
To be trodden down, to be trodden down
And the leaves turn from red to brown
Fall to the ground, fall to the groundWe don’t have to live in a world
Where we give bad names to beautiful things
We should live in a beautiful world
We should give beautiful a second chanceAnd the leaves fall from red to brown
To be trodden down, to be trodden down
And the leaves turn green to red to brown
Fall to the ground and get kicked around(Are you) strong enough to be…
Have you the faith to be…
(Are you) sad enough to be…
Honest enough to stay…Don’t have to be the same…
Don’t have to be this way
C’mon and sign your name
(Are) you wild enough to remain beautiful?
Beautiful, beautiful, beautiful.And the leaves turn from red to brown
To be trodden down, trodden down
And we all fall green to red to brown
Fall to the ground
We can turn it around(Are you) strong enough to be…
Why don’t you stand up and say…
Give yourself a break
They’ll laugh at you anyway
So why don’t you stand up and be
Beautiful, beautiful!Black, white, red, gold, and brown (whatever!)
We’re stuck in this world
Nowhere to go
Turn it around
What are you so afraid of?
Show us what you’re made of
Be yourself and be beautiful
Beautiful
Essa eu TENHO de traduzir, pedindo desculpas pelo post longo.
Belo
música: Marillion
letras: Steve Hogarth & John Helmer
Todos sabemos que vivemos num mundo
Que dá nomes feios a coisas belas
Todos sabemos que vivemos num mundo
Onde não damos a coisas belas um segundo olhar
Deus sabe que vivemos em um mundo
Onde o que chamamos de belo é o que está à venda
Pessoas escondem o sorriso com a mão
Enquanto o frágil e sensível não têm vez
E as folhas passam de vermelhas a marrons
Para serem pisoteadas, para serem pisoteadas
E as folhas passam de vermelhas a marrons
Caem ao chão, caem ao chão
Não temos de viver em um mundo
Que dá nomes feios a coisas belas
Deveríamos viver em um mundo belo
Deveríamos dar ao belo uma segunda chance
E as folhas passam de vermelhas a marrons
Para serem pisoteadas, para serem pisoteadas
E as folhas passam de verdes a vermelhas, a marrons
Caem ao chão e são chutadas em qualquer direção
Você é forte o suficiente para ser…
Tem fé suficiente para ser…
É triste o suficiente para ser…
Honesto o suficiente para permanecer…
Não precisa ser mais do mesmo…
Não precisa ser assim
Vamos, assine embaixo
Você é selvagem o suficiente para permanecer belo?
Belo, belo, belo…
E as folhas passam de vermelhas a marrons
Para serem pisoteadas, para serem pisoteadas
E todos nós passamos de verdes a vermelhos a marrons
Caimos ao chão,
Nós podemos mudar isso
Você é forte o suficiente para ser…
Porque não se levanta e diz…
Pegue leve com você
Eles vão rir de você de qualquer jeito
Então porque você não se levanta e seja
Belo! Belo!
Negro, branco, vermelho, dourado ou marrom
Estamos presos a este mundo
Nenhum outro lugar para ir
Vamos mudar
De que você tem medo?
Mostre-nos do que é feito
Seja você mesmo e seja Belo
Belo
Querida Carolina
Se eu pudesse, juntava muitas e muitas conchinhas do mar, das mais belas. construía, na beira da praia mais bonita do planeta, um castelo de madrepérola com caminhos de cristal e lindos aquários com os mais coloridos peixes do mar. No jardim colocava as flores mais perfumadas, aquelas que atraem mais borboletas e beija-flores. Mobiliava com os móveis mais macios bonitos e alegres que encontrasse, e presenteava você com tudo isso, você que é a minha eterna sereia a nadar em Cabo Verde.
Queria juntar todas as coisas mais doces e queridas - mais ‘bacanas’ como falamos aqui no Brasil - e doá-las a você uma a uma, a cada aniversário seu que passarmos juntas de coração (espero que sejam muitos!).
Já que você foi mais rápida e me mandou um presente antes que eu pudesse mandar o seu, fica este post como presente virtual, até que o seu presente de verdade chegue pelo correio.
Titi Sue ama você muito!
Feliz nove do nove de dois mil e nove!!
(inspirado por Rogério Prado Macedo
– obrigada, sem medo, amigo querido)
Love Hurts by Nazareth
Love hurts, Love scars
Love wounds and mars
Any heart not tough
Or strong enough
To take a lot of pain
Take a lot of pain
Love is like a cloud
Holds a lot of rain
Love hurts, (Ooooo), love hurtsI’m young, I know
But even so
I know a thing or two
I learned from you
I really learned a lot
Really learned a lot
Love is like a flame
It burns you when it’s hot
Love hurts, (Ooooo), love hurtsSome fools think of happiness,
Blissfulness, togetherness
Some fools, fool themselves, I guess
They’re not fooling me
I know it isn’t true
I know it isn’t true
Love is just a lie
Made to make you blue
Love hurts, (Ooooo) love hurts (Ooooo), Love hurtsI know it isn’t true
I know it isn’t true
Love is just a lie
Made to make you blue
Love hurts, (Ooooo) love hurts (Ooooo), Love hurts (Ooooo)
Aquilo que eu mais desejo é sempre o que me faz sofrer mais.
Disso é feito o Rock, disso é Feito o Blues:
A alma se arrebenta em canção.
A guitarra corta a paz como uma moto-serra.
O coro sustenta, a voz do vocalista rasga. Love hurts.
Uhhhh, Love hurts.
Love Hurts by Cher
(assista no YouTube, usando o link acima; permissão de embedding não foi concedida)
Love hurts, Love scars
Love wounds and mars
Any heart not tough
Or strong enough
T’take a lot of pain
Take a lot of pain
Love is like a cloud
And it holds a lot of rain
Love hurts, (Ooooo), love hurtsYou’re young, I know
Baby, even so
I know a thing or two
Ooo honey, I’ve learned from you
And I really learned a lot
I really learned a lot
Love is like a stove and
It burns you when it’s hot
Love hurts, (Ooooo), love hurtsSome fools dream of happiness,
Of blissfulness, togetherness
Oh, some fools, they fool themselves, I guess
They’re not fooling me
And I know it isn’t true
Yeah, I know it isn’t true
Love is just a lie and it’s
Made to make you blue
Love hurts, (Ooooo) love hurts
(Ooooo), Love hurtsAnd I know it isn’t true
Oh, I know it isn’t true
Love is just a lie and it’s
Made to make you blue
Love hurts, (Ooooo) love hurts (Ooooo), Love hurts, (Ooooo), Love hurts
A espera dos primeiros compassos… silêncio cheio de expectativa.
O piano despeja nos ouvidos pequenos sons que rodam, rodam.
A banda faz o colchão onde repousa a melodia.
A guitarra corta a paz como uma moto-serra.
O coro sustenta, a voz da cantora rasga. Love hurts.
Uhhhh, Love hurts.
Começamos quase tudo com grande expectativa.
Lentamente a ciranda da vida nos roda-roda.
Os desejos nos acalentam num colchão de passividade.
A realidade corta a paz como uma moto-serra.
O coro sustenta, a voz da cantora rasga. Love hurts.
Uhhhh, Love hurts.
A juventude é a surpresa, a novidade.
Lentamente a rotina da vida roda, roda.
A maturidade pisa no freio, desejosa de repouso
A tristeza corta a paz como uma moto-serra.
O coro sustenta, a voz da cantora rasga. Love hurts.
Uhhhh, Love hurts.
Na infância corri veloz em direção à descoberta.
A adolescência trouxe responsabilidade.
A idade adulta buscou alegria e a paz
Na maturidade, a perda corta essa paz como uma moto-serra.
O coro sustenta, a voz da cantora rasga. Love hurts.
Uhhhh, Love hurts.
Não importa o que eu faça ou diga, no final é tudo sempre igual:
A guitarra geme como alma penada, rasga a paz como uma moto-serra.
O coro sustenta, a voz da cantora rasga. Love hurts.
Uhhhh, Love hurts.
Desculpem a longa ausência. É, tô mal….
Pensando, pensando… em como há seis anos atrás, na madrugada do dia 15 para o dia 16 de março nasceu uma estrela linda, linda, que brilha rubra até hoje. Estrela mansa, estrela sorriso, estrela amiga, benfazeja.
Brilha sempre, amigo estrela de coração constelação. Teu caminho de luz já está traçado. Nunca deixe de brilhar para que possamos usar teu brilho como guia na nossa jornada. Um dia chegaremos até você, e que lindo dia este vai ser!
Te amo, agora como antes e para sempre.
Beijo da tua Butterfly
ELUSIVE BUTTERFLY
(Words and Music by Bob Lind)You might wake up some mornin’
To the sound of something moving past your window in the wind
And if you’re quick enough to rise
You’ll catch a fleeting glimpse of someone’s fading shadowOut on the new horizon
You may see the floating motion of a distant pair of wings
And if the sleep has left your ears
You might hear footsteps running through an open meadowDon’t be concerned, it will not harm you
It’s only me pursuing somethin’ I’m not sure of
Across my dreams with nets of wonder
I chase the bright elusive butterfly of loveYou might have heard my footsteps
Echo softly in the distance through the canyons of your mind
I might have even called your name
As I ran searching after something to believe inYou might have seen me runnin’
Through the long-abandoned ruins of the dreams you left behind
If you remember something there
That glided past you followed close by heavy breathin’Don’t be concerned, it will not harm you
It’s only me pursuing somethin’ I’m not sure of
Across my dreams with nets of wonder
I chase the bright elusive butterfly of loveAcross my dreams with nets of wonder
I chase the bright elusive butterfly of love
Assuntos aparentemente sem relação surgiram hoje, voaram em círculos dentro de mim e acabaram por se mesclar de forma a gerar este post. Não estou certa de fazer sentido, de ser clara, espero que meus amigos e leitores tenham paciência para seguir o vôo um tanto irregular destas palavras… mas assim mesmo são as borboletas.
Um: é fato que minha família ascendente já partiu toda deste mundo; por mais que eu os amasse e cuidasse deles no limite máximo das minhas faculdades, simplesmente não pude impedi-los de partir. Quem lê o Asa sabe também que não tenho filhos; apesar de tê-los desejado por toda a vida, simplesmente não vieram. Portanto, falar da minha família, que é coisa muito cara e importante para mim, geralmente significa falar de morte, ausência e falta. Apesar disto falo constantemente de meus mortos, mesmo sabendo que para os leitores isto pode parecer depressivo e mórbido, ainda que para mim não seja.
Dois: As borboletas monarca, todo mês de outubro, migram das florestas do Canadá e Estados Unidos para se congregarem nas sierras mexicanas, para esperar a passagem do inverno. São dezenas de milhões de borboletas agrupadas em uma única extensão de floresta, fazendo arabescos pelo ar e maravilhando quem as vê. O povo simples da região acredita que estas borboletas - que chegam lá próximo ao Dia de Finados - são as almas de seus mortos voltando para casa.
Três: Minha irmã hoje sonhou com nossos pais e tios, numa grande casa que ela descreveu como sendo muito grande e o amálgama de muitas casas onde moramos. Eu já sonhei com uma grande casa de fazenda, onde haviam pessoas de minha família a me aguardar. Seja como for, eu e ela ocasionalmente somos agraciadas com a possibilidade de visitar em sonhos a casa de nossos ancestrais na grande Casa do Pai. Estas visitas são doces, para mim e para ela, mas deixam um travo de saudade e de vontade de estar mais junto daqueles que amamos e partiram. Nesta época de Advento, de preparação para o nascimento daquele que formou com seus pais a Sagrada Família, o travo fica mais agridoce e presente. Tudo que fazemos nos lembra nossos pais e nossa infância.
Quatro: O desflorestamento no México está ameaçando as borboletas Monarca de extinção. A organização americana Ecolife Foundation está tentando reverter esta situação através de reflorestamento, construção de fornos a lenha (que são aqueles que a população de grande parte do mundo ainda usa) mais eficientes e conscientização da população local. É um trabalho muito bonito, que merece nosso apoio. Visitem o site e ajudem, se puderem. O filme acima é produzido por eles.
Como cheguei de lá até aqui? Fiquei a pensar na conversa que tive com minha irmã, meditando sobre como explicar a ela e a mim mesma esta importância de nossos mortos, esta vontade de estar com eles, esta alegria serena mesclada de saudade, esta vontade de rever que não tem revolta. Deitada em minha cama, escutando música e pensando neste dia chuvoso, olhei para minha luminária que, é claro, tem recortada nela uma revoada de borboletas. Pensei que esta é uma imagem que me agrada, a de andar pela vida com as almas-borboleta de meus mortos fazendo cabriolas dentro de mim. Fui procurar no You Tube por um vídeo de revoada de borboletas e cheguei na fundação e nas Monarca.
Pensei que, afinal de contas, esta revoada de borboletas, tanto na alma quanto no México, acabam por ser uma coisa só. Fiquei extremamente feliz, e ainda mais concentrada nas minhas borboletas da alma. Ao mesmo tempo, mal posso esperar pela vida, pelas novas pessoas que vou conhecer e que talvez até virem família. Faz sentido? Pois é.




