Archive for the ‘luta’ Category

  • O Resumo da Ópera Trágica que Vivemos

    Date: 2016.03.25 | Category: luta, pai | Response: 0

    Lá em 1500, um certo fidalgo Pero Vaz de Caminha foi enviado, a mando do Rei de Portugal, com o navegador Pedro Alvares Cabral para averiguar se havia algo a ser explorado nestas plagas. Descobriu-se que sim, havia muito a ser explorado em riquezas naturais — minerais e vegetais. Assim se fez.

    Durante séculos praticamente só isso se fez, até que Dom João VI pegou sua família e amigos e para cá veio ligeiro, fugido de Napoleão. Chegando aqui, descobriu que nada havia sido urbanizado, não havia sequer um abrigo decente para sua nobre família. Então, no início do século dezenove, começou o desenvolvimento do Brasil em que hoje vivemos.

    Devagarinho, porque estas coisas são lentas, o povo brasileiro descobriu que tem amor pelos azulejos portugueses, pelas igrejas barrocas, pelas frutas tropicais, pelos ritmos africanos, pela comida nativa. Descobrimos que o tempo quente aquece nosso coração junto com nossas paixões, e esse calor acolhedor trouxe gente de toda parte para cá. Desde o próprio Portugal e da Espanha até o Líbano e Israel; Coréia, Itália e Japão, todos aqui recebem um sorriso de boas vindas.

    Infelizmente, os séculos de abandono se fizeram notar num descomprometimento da classe mais abastada (de origem portuguesa) que aqui morava, que preferia mandar seus filhos estudarem em Lisboa, Porto ou Paris que construir Universidades aqui. Nenhum amor pareciam ter pela terra que os abrigava, sempre suspirando pela Europa que deixaram para trás. Fizeram uma triste escola entre membros de todos os estratos da sociedade, que aprenderam que a coisa pública é “terra de ninguém” a ser usada e abusada de acordo com a vontade volátil do momento.

    Este governo — que agora tentamos tirar do poder legitimamente, com a mesma autoridade com que o colocamos lá — levou esta falta de amor por nossa terra, e a exploração de suas riquezas, a níveis quase lendários. Apropriou-se da coisa pública e do dinheiro de nossos impostos e do trabalho de nossos funcionários públicos como o mais ferrenho senhor de escravos.

    Só que a escravidão do povo brasileiro serve hoje não a um senhor de engenho, mas a uma organização chamada Foro de São Paulo, que tem como intenção declarada acabar com a soberania dos países da América Latina e formar um bloco socialista – à força, por meio de matança se preciso for, com o apoio de ladrões, traficantes e assassinos, como o habitual deste tipo de governo totalitarista — com um governo central, que chamam de La Patria Grande, sob o comando dos irmãos ditadores de Cuba.

    O POVO BRASILEIRO NÃO QUER ISTO. DE JEITO NENHUM, SOB NENHUM ASPECTO. Se for necessário, damos as nossas vidas, para que as futuras gerações sejam livres. É isto o que acontece aqui agora.

  • Beautiful

    Date: 2009.10.10 | Category: Asas de Borboleta, espírito, luta, vida interior | Response: 1

    Tantas e tantas vezes já expliquei aqui o porquê do meu blog chamar Asa de Borboleta e algumas vezes eu mesma me esqueço… A asa da borboleta é o símbolo da sua coragem de Ser, mesmo quando tudo à sua volta parece não querer que ela seja. É o resultado glorioso da metamorfose daquela que se arrasta vagarosamente de barriga no chão, mas decide que PRECISA voar. É fruto de dor, de sofrimento, de um tempo ENORME dentro de um casulo, solitária, com os movimentos restritos. No fim, o tempo de voar é tão curto… mas o vôo é uma sinfonia de louvor Àquele que criou o céu e as flores.

    Pois então… há muita gente, muita mesmo, que pensa que tudo isso é uma besteira sem fim. Pessoas que pensam que o que vale é o dinheiro e o sucesso que você acumula, a sua capacidade de passar por cima do que for – mesmo de outras pessoas – para conseguir o que quer. Estas pessoas, e eu já encontrei algumas delas na Net e pessoalmente, pensam que eu sou uma velha imbecil. Retardada, foi uma das expressões utilizadas. Nos últimos meses estive tão fraca que cheguei a acreditar nelas, a pensar que nada mais tinha para escrever aqui que não fosse triste, velho e imbecil.

    Bem, meus ídolos velhotes, barrigudinhos, carecas, grisalhos e LINDOS do Marillion escreveram há algum tempo uma música que fala maravilhosamente sobre tudo isso, é uma música com Asas de Borboleta. Deixo com vocês a apresentação ao vivo tirada do You Tube com muito amor e com o desejo que vocês que estão por aí lendo o Asa e sentem como eu sinto saibam que são BELOS.

    Aos materialistas, mercantilistas, interesseiros e maus-caráter em geral, bem (tampem os olhinhos das criancinhas, por favor) VÃO À MERDA.

    Estou voltando.

    Beautiful
    music: Marillion
    lyrics: Steve Hogarth & John Helmer

    Everybody knows we live in a world
    Where we give bad names to beautiful things
    Everybody knows we live in a world
    Where we don’t give beautiful things a second glance
    Heaven only knows we live in a world
    Where what we call beautiful is just something on sale
    People laughing behind their hands
    While the fragile and sensitive are given no chance

    And the leaves turn from red to brown
    To be trodden down, to be trodden down
    And the leaves turn from red to brown
    Fall to the ground, fall to the ground

    We don’t have to live in a world
    Where we give bad names to beautiful things
    We should live in a beautiful world
    We should give beautiful a second chance

    And the leaves fall from red to brown
    To be trodden down, to be trodden down
    And the leaves turn green to red to brown
    Fall to the ground and get kicked around

    (Are you) strong enough to be…
    Have you the faith to be…
    (Are you) sad enough to be…
    Honest enough to stay…

    Don’t have to be the same…
    Don’t have to be this way
    C’mon and sign your name
    (Are) you wild enough to remain beautiful?
    Beautiful, beautiful, beautiful.

    And the leaves turn from red to brown
    To be trodden down, trodden down
    And we all fall green to red to brown
    Fall to the ground
    We can turn it around

    (Are you) strong enough to be…
    Why don’t you stand up and say…
    Give yourself a break
    They’ll laugh at you anyway
    So why don’t you stand up and be
    Beautiful, beautiful!

    Black, white, red, gold, and brown (whatever!)
    We’re stuck in this world
    Nowhere to go
    Turn it around
    What are you so afraid of?
    Show us what you’re made of
    Be yourself and be beautiful
    Beautiful

    Essa eu TENHO de traduzir, pedindo desculpas pelo post longo.

    Belo
    música: Marillion
    letras: Steve Hogarth & John Helmer

    Todos sabemos que vivemos num mundo
    Que dá nomes feios a coisas belas
    Todos sabemos que vivemos num mundo
    Onde não damos a coisas belas um segundo olhar
    Deus sabe que vivemos em um mundo
    Onde o que chamamos de belo é o que está à venda
    Pessoas escondem o sorriso com a mão
    Enquanto o frágil e sensível não têm vez

    E as folhas passam de vermelhas a marrons
    Para serem pisoteadas, para serem pisoteadas
    E as folhas passam de vermelhas a marrons
    Caem ao chão, caem ao chão

    Não temos de viver em um mundo
    Que dá nomes feios a coisas belas
    Deveríamos viver em um mundo belo
    Deveríamos dar ao belo uma segunda chance

    E as folhas passam de vermelhas a marrons
    Para serem pisoteadas, para serem pisoteadas
    E as folhas passam de verdes a vermelhas, a marrons
    Caem ao chão e são chutadas em qualquer direção

    Você é forte o suficiente para ser…
    Tem fé suficiente para ser…
    É triste o suficiente para ser…
    Honesto o suficiente para permanecer…

    Não precisa ser mais do mesmo…
    Não precisa ser assim
    Vamos, assine embaixo
    Você é selvagem o suficiente para permanecer belo?
    Belo, belo, belo…

    E as folhas passam de vermelhas a marrons
    Para serem pisoteadas, para serem pisoteadas
    E todos nós passamos de verdes a vermelhos a marrons
    Caimos ao chão,
    Nós podemos mudar isso

    Você é forte o suficiente para ser…
    Porque não se levanta e diz…
    Pegue leve com você
    Eles vão rir de você de qualquer jeito
    Então porque você não se levanta e seja
    Belo! Belo!

    Negro, branco, vermelho, dourado ou marrom
    Estamos presos a este mundo
    Nenhum outro lugar para ir
    Vamos mudar
    De que você tem medo?
    Mostre-nos do que é feito
    Seja você mesmo e seja Belo
    Belo

  • Sensibilidade, ou Filtros

    Date: 2009.08.12 | Category: Asas de Borboleta, espírito, luta, vida interior | Response: 1

    (inspirado por Rogério Prado Macedo

    – obrigada, sem medo, amigo querido)

    Love Hurts by Nazareth

    Love hurts, Love scars
    Love wounds and mars
    Any heart not tough
    Or strong enough
    To take a lot of pain
    Take a lot of pain
    Love is like a cloud
    Holds a lot of rain
    Love hurts, (Ooooo), love hurts

    I’m young, I know
    But even so
    I know a thing or two
    I learned from you
    I really learned a lot
    Really learned a lot
    Love is like a flame
    It burns you when it’s hot
    Love hurts, (Ooooo), love hurts

    Some fools think of happiness,
    Blissfulness, togetherness
    Some fools, fool themselves, I guess
    They’re not fooling me
    I know it isn’t true
    I know it isn’t true
    Love is just a lie
    Made to make you blue
    Love hurts, (Ooooo) love hurts (Ooooo), Love hurts

    I know it isn’t true
    I know it isn’t true
    Love is just a lie
    Made to make you blue
    Love hurts, (Ooooo) love hurts (Ooooo), Love hurts (Ooooo)

    Aquilo que eu mais desejo é sempre o que me faz sofrer mais.
    Disso é feito o Rock, disso é Feito o Blues:
    A alma se arrebenta em canção.
    A guitarra corta a paz como uma moto-serra.
    O coro sustenta, a voz do vocalista rasga. Love hurts.
    Uhhhh, Love hurts.

    Love Hurts by Cher
    (assista no YouTube, usando o link acima; permissão de embedding não foi concedida)

    Love hurts, Love scars
    Love wounds and mars
    Any heart not tough
    Or strong enough
    T’take a lot of pain
    Take a lot of pain
    Love is like a cloud
    And it holds a lot of rain
    Love hurts, (Ooooo), love hurts

    You’re young, I know
    Baby, even so
    I know a thing or two
    Ooo honey, I’ve learned from you
    And I really learned a lot
    I really learned a lot
    Love is like a stove and
    It burns you when it’s hot
    Love hurts, (Ooooo), love hurts

    Some fools dream of happiness,
    Of blissfulness, togetherness
    Oh, some fools, they fool themselves, I guess
    They’re not fooling me
    And I know it isn’t true
    Yeah, I know it isn’t true
    Love is just a lie and it’s
    Made to make you blue
    Love hurts, (Ooooo) love hurts
    (Ooooo), Love hurts

    And I know it isn’t true
    Oh, I know it isn’t true
    Love is just a lie and it’s
    Made to make you blue
    Love hurts, (Ooooo) love hurts (Ooooo), Love hurts, (Ooooo), Love hurts

    A espera dos primeiros compassos… silêncio cheio de expectativa.
    O piano despeja nos ouvidos pequenos sons que rodam, rodam.
    A banda faz o colchão onde repousa a melodia.
    A guitarra corta a paz como uma moto-serra.
    O coro sustenta, a voz da cantora rasga. Love hurts.
    Uhhhh, Love hurts.

    Começamos quase tudo com grande expectativa.
    Lentamente a ciranda da vida nos roda-roda.
    Os desejos nos acalentam num colchão de passividade.
    A realidade corta a paz como uma moto-serra.
    O coro sustenta, a voz da cantora rasga. Love hurts.
    Uhhhh, Love hurts.

    A juventude é a surpresa, a novidade.
    Lentamente a rotina da vida roda, roda.
    A maturidade pisa no freio, desejosa de repouso
    A tristeza corta a paz como uma moto-serra.
    O coro sustenta, a voz da cantora rasga. Love hurts.
    Uhhhh, Love hurts.

    Na infância corri veloz em direção à descoberta.
    A adolescência trouxe responsabilidade.
    A idade adulta buscou alegria e a paz
    Na maturidade, a perda corta essa paz como uma moto-serra.
    O coro sustenta, a voz da cantora rasga. Love hurts.
    Uhhhh, Love hurts.

    Não importa o que eu faça ou diga, no final é tudo sempre igual:
    A guitarra geme como alma penada, rasga a paz como uma moto-serra.
    O coro sustenta, a voz da cantora rasga. Love hurts.
    Uhhhh, Love hurts.

    Desculpem a longa ausência. É, tô mal….

  • Espasmos

    Date: 2008.07.27 | Category: amor, luta, minerin-candango, pai, saudade, vida interior | Response: 0

    Órfã na Janela – A.Prado

    Estou com saudade de Deus,
    uma saudade tão funda que me seca.
    Estou como palha e nada me conforta.
    O amor hoje está tão pobre, tem gripe,
    meu hálito não está para salões.
    Fico em casa esperando Deus,
    cavacando a unha, fungando meu nariz choroso,
    querendo um pôster dele no meu quarto,
    gostando igual antigamente
    da palavra crepúsculo.
    Que o mundo é desterro eu toda vida soube.
    Quando o sol vai-se embora é pra casa de Deus que vai,
    pra casa onde está meu pai.

    Hoje não é um daqueles dias em que, sossegada, penso belezuras para escrever aqui. Esta semana foi de montanha-russa emocional, intensa, furiosa. Hoje estou em espasmos, o pensamento aqui e ali, oscilante, nervoso.

    Hoje me pergunto o porquê do mundo ser tão grande, e invariavelmente parecer que as pessoas que me trariam alegria estão do outro lado dele. As doçuras que estas pessoas me ofertam chegam aqui diluídas, fracas, com prazo de validade vencido. Não é um dia de bonitezas, é dia de rosnar, ranger de dentes e silêncios desconfortáveis. Não quero mesmo conversar com as pessoas à minha volta, centrada que estou naquelas que não estão aqui.

    Estou estranha, conflito ambulante, sapato apertado. Alterno entre a vontade de virar a mesa posta do almoço e fotografar os desenhos que o arroz colorido fizesse no chão. A energia contida queria se expressar em meia dúzia de copos jogados com força na parede, e o lirismo queria fazer um véu luminoso para os cabelos com os cacos de vidro.

    Hoje eu simplesmente não me conformo. Hoje é bater a cabeça na parede e sentir na testa a dor da saudade. É sentir no fundo da garganta o amargo do desejo não saciado. Tudo o que vejo me mostra um buraco, só enxergo o que não está ali. Mineira como ele é mineiro, calada como ele é calado, hoje a única poesia que me serve é a poesia seca e altiva de Adélia Prado.

    Corridinho – A.Prado

    O amor quer abraçar e não pode.
    A multidão em volta,
    com seus olhos cediços,
    põe caco de vidro no muro
    para o amor desistir.
    O amor usa o correio,
    o correio trapaceia,
    a carta não chega,
    o amor fica sem saber se é ou não é.
    O amor pega o cavalo,
    desembarca do trem,
    chega na porta cansado
    de tanto caminhar a pé.
    Fala a palavra açucena,
    pede água, bebe café,
    dorme na sua presença,
    chupa bala de hortelâ.
    Tudo manha, truque, engenho:
    é descuidar o amor te pega,
    te come, te molha todo.
    Mas água o amor não é.

  • Para Falar de Vida

    Date: 2008.02.12 | Category: esperança, espírito, luta, vida interior | Response: 0

    Depois de quase dois meses de ausência – que foram dois meses em que minha alma entrou em reunião a portas fechadas com minha mente e coração para analisar tudo o que já vivi nestes 43 anos de vida completos dia 12 de janeiro – estou de volta a esta minha casa na Net. Este é cantinho onde a Sue se comunica com aquelas pessoas que escolhem vir aqui e ler tudo que eu escrevo, seja lírico ou seja tolo, seja amoroso ou triste. Porque “literário” não é, nunca de propósito. As pessoas que quero aqui, comunicando comigo, são as pessoas com as que já me disseram: “eu penso e sinto também assim” ou “você colocou em palavras o que eu sentia mas não conseguia expressar” (este é o meu elogio favorito dentre todos). Pessoas, enfim, que tenham uma ressonância de espírito comigo.

    Eu, no post anterior, desejo feliz aniversário à minha mami, que já partiu desta vida faz quase 22 anos. Porque eu sei que a vida é mais e maior que o que aquilo que vemos aqui, e a partida é apenas um novo começo. Afinal de contas, este peixinho na coluna da direita não significa uma homenagem a meu bisavô pescador… mas simboliza meu relacionamento e irmandande com alguns ajudantes do sucessor do primeiro Pescador de Homens, que me levaram pela mão até o regaço de Jesus e de sua Mãe Santíssima, de onde aprendi a louvar a Vida.

    Tenho alguns amigos na rede que também aprenderam sobre a Vida nestes regaços, beberam da mesma fonte que eu, e um em especial tem uma maravilhosa forma de celebrar a defender a Vida: meu amigo jornalista Marcio Campos. eu já declarei em público um dia que ele é um bilhete premiado de loteria, hoje me declaro fanzoca assumida. Ele está fazendo um trabalho inteligente, espirituoso tanto quanto espiritual – e além de tudo muito importante -, a respeito da forma com que a Mídia tenta criticar aqueles que celebram a Vida. Força, Marcio, posso colaborar com este pequeno link e muitas orações. Você com certeza, com a ajuda do Espírito Santo, dá conta do resto.

    Com vocês o “Pai, perdoai-lhes, eles não sabem o que escrevem

  • Virose

    Date: 2007.12.14 | Category: luta | Response: 0

    Duzentos mil ataques de tosse
    50 mil litros de suores frios
    50 km de lenços de papel
    38.2º C de temperatura
    Sete dias de antibiótico
    Três dias de molho
    E a hora que não passa…

  • Joaquins

    Date: 2007.12.12 | Category: amor, espírito, luta, saudade, vida interior | Response: 0

    Os caminhos que a vida traça sem a gente perceber… chega a ser engraçado, se ao menos não fosse tão triste. Uma faxina mais corajosa nos pertences do pai, mais umas sacolas de livros doados à Biblioteca Municipal, e eis que uma figura muito importante do meu passado aparece de fininho, elegante como sempre foi, sem exagero de expressão, quase calado como ele era. Um livrinho escrito por um outro-pai, um homem que me amava e a quem eu amei exageradamente, com coração de filha e de criança. Nunca cheguei à conclusão se ele era um poeta que lutava ou se era um guerreiro que fazia poesia. Ele morreu enquanto eu era jovem demais para descobrir.

    Hoje há outro Joaquim que eu amo, exageradamente como amei meu primeiro Joaquim, mas sem a inocência e o salvo-conduto da infância. Amar na idade madura é tão mais arriscado, tanto calo a ser pisado onde só havia alegria antes… Meu primeiro Joaquim era metade como eu, sensível e apaixonado, se expressava na poesia. Metade ele era como o segundo Joaquim, calado e guardado, desesperançado com o mundo. O primeiro Joaquim morreu de tristeza, ainda muito novo, poeta que era, novo demais, com muita poesia tragicamente por escrever. Deixou de cumprir a promessa-ameaça que jocosamente fazia a meu pai, que era a de me levar, ele mesmo, ao altar e entregar minha mão à um prometido que ainda estava no porvir.

    Teria sido perfeito, tio amado, que você pudesse ter-me levado àquele prometido altar, e entregue sua pequena amiga para um segundo Joaquim, jovem, confiante e livre para me receber diante de Deus e dos homens. Mas este mundo, este mundo que nos rala a pele e nos enche a alma de cicatrizes, este mundo não é perfeito, não é, querido?

    De um Joaquim para outro, passando por dentro do meu coração:

    Amigos de Longos Anos
    (Maj. Brig. Joaquim Vespasiano Ramos)

    Fixei-me no horizonte
    À procura do infinito
    E só a linha do horizonte
    Apareceu-me no infinito!

    Procurei no escuro do firmamento
    A mais bela e distante estrela;
    Escondida no escuro do firmamento
    Estava a mais bela e distante estrela!

    Contemplei, do deserto, a miragem
    Com a esperança de olhos cansados.
    Eclipsou-se, porém, do deserto a miragem
    Para a tristeza dos olhos cansados.

    Esperei as ilusões de um lindo sonho
    No meu sono tranquilo e profundo;
    Recusou-me ilusões o lindo sonho
    Do meu sono tranquilo e profundo!

    Busquei, no âmago do pensamento,
    As alegrias e venturas do passado;
    Nada havia no âmago do pensamento —
    Nem alegrias e venturas no passado.

    Ofereci a mão da amizade
    Ao amigo de longos anos;
    Estendida ficou a mão da amizade
    Sem a do amigo de longos anos!

    Procurei na gota de orvalho
    A lágrima que me falta.
    Desmanchou-se a gota de orvalho
    E a lágrima inda me falta.

  • Proteção

    Date: 2007.12.02 | Category: amor, luta, saudade | Response: 0

    Hoje eu olhei longamente fotos minhas de infância
    Aquele olhinho límpido não tinha a menor idéia do que a esperava
    Graças ao Todo-Poderoso por isso
    Hoje, aquele olhinho meio embaçado da foto antiga
    É o que me dá estrutura e força.
    Hoje aquela criança está em algum lugar dentro de mim
    Protegida
    A salvo
    Me fitando com seu olho verde e límpido
    É ela que me faz continuar andando
    Andando sem parar
    E é ela que vai ter de me dizer para parar
    Na hora em que eu finalmente chegar.

    Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket

    November Rain – Guns N’ Roses

    When I look into your eyes
    I can see a love restrained
    But darlin’ when I hold you
    Don’t you know I feel the same
    ‘Cause nothin’ lasts forever
    And we both know hearts can change
    And it’s hard to hold a candle
    In the cold November rain

    We’ve been through this such a long long time
    Just tryin’ to kill the pain
    But lovers always come and lovers always go
    An no one’s really sure who’s lettin’ go today
    Walking away
    If we could take the time to lay it on the line
    I could rest my head
    Just knowin’ that you were mine
    All mine

    So if you want to love me
    then darlin’ don’t refrain
    Or I’ll just end up walkin’
    In the cold November rain

    Do you need some time…on your own
    Do you need some time…all alone
    Everybody needs some time…on their own
    Don’t you know you need some time…all alone
    I know it’s hard to keep an open heart
    When even friends seem out to harm you
    But if you could heal a broken heart
    Wouldn’t time be out to charm you

    Sometimes I need some time…on my
    own Sometimes I need some time…all alone
    Everybody needs some time…on their own
    Don’t you know you need some time…all alone

    And when your fears subside
    And shadows still remain, ohhh yeahhh
    I know that you can love me
    When there’s no one left to blame
    So never mind the darkness
    We still can find a way
    ‘Cause nothin’ lasts forever
    Even cold November rain

    Don’t ya think that you need somebody
    Don’t ya think that you need someone
    Everybody needs somebody
    You’re not the only one
    You’re not the only one

  • Date: 2007.07.12 | Category: luta, vida interior | Response: 0

    Desde ontem a cidade do Rio de Janeiro chora, comigo e como eu: um transbordar de dor lento, transformado em lágrimas e chuva. Um choro que escorre por rosto e vidraças numa expressão de sofrido cansaço. A cidade provavelmente chora por mais esta provação a que está sujeita durante estes próximos quinze dias, pobre urbe – abusada há anos pelo crime e descaso, e agora pelo delírio esportivo. Eu choro porque percebi que estou de repente envelhecida.

    Sim, talvez envelhecer seja esta sensação ruim de que a vida nos está deixando para trás, as energias se esvaindo sem reposição, o sentido da vida esquecido em alguma curva da estrada. Dói esta percepção de se continua vivendo de teimoso, por força do hábito, sempre com medo que o próximo golpe, a próxima perda, a próxima decepção sejam finalmente a gota d’água. Logo ali, talvez, esteja finalmente a facada que vai nos fazer entregar os pontos.

    O Rio tem um coração de floresta que pode ajudar na sua recuperação, no caso dos seus habitantes resolverem que é hora de voltar a viver. O meu coração bate hesitante, pára-não-pára, como se a bateria estivesse por acabar. Bonequinho de corda com os movimentos bruscos neste tenta mexer e não tem forças.

    Eu me pergunto se tento fazer ele voltar a bater forte como há bem pouco tempo batia. A solução seja talvez um dia de fúria que bote abaixo tudo que existe agora para que o recomeço venha. Em outros momentos me pergunto se devo me espelhar na sabedoria dos elefantes – que sabem quando não é mais hora de tentar, sabem quando estão velhos, obsoletos, e é hora de buscar um lugar isolado para deitar e morrer.

    Estou no limbo entre o esforço da busca de novos laços amorosos e da sedução do canto de sereia do esquecimento eterno, que chama por mim. Dormir, talvez sonhar, diria Hamlet. Ele também guiado pelo fantasma de seu pai. Eu a me perguntar se sua loucura e sua morte são meu destino compartilhado.

    O, sweet oblivion, why tempt me so?

  • Date: 2007.03.29 | Category: luta | Response: 0

    Veja na Íntegra, se tiver estômago

    Casal adota crianças e uma é morta pelo pai 7 meses depois
    Publicada em 29/03/2007 às 08h17m
    Guilherme Russo, Diário de S.Paulo

    SÃO PAULO – A Vara de Execuções Criminais de Mauá decretou a prisão temporária do ajudante geral Juraci Magalhães de Souza, de 43 anos. Ele confessou ter agredido a chutes sua filha adotiva, de 1 ano e 11 meses. A criança morreu no sábado por complicações decorrentes de um traumatismo craniano. A menina tinha hematomas, marcas de mordida e arranhões por todo o corpo, segundo boletins médicos. Juraci foi indiciado por homicídio doloso (com intenção de matar), lesão corporal e maus-tratos, na Delegacia de Defesa da Mulher de Mauá e encaminhado para a Cadeia Pública de Santo André. (…)

    A juíza disse que o casal não tinha antecedentes criminais e que ‘os dois disseram que estavam felizes pela companhia das meninas’. Nesta quarta, a dona-de-casa Maria Aparecida Magalhães de Souza, 49, mulher do detido, resolveu contar à polícia que o marido tinha espancado a menina, a chutes, no início da tarde do dia 18. Na segunda, 19, a menina foi internada e morreu 5 dias depois. A irmã dela, de 3 anos, também tinha hematomas parecidos e foi encaminhada a um abrigo.

    Cada vez que abro o jornal. Olho as notícias, a selvageria, a falta de respeito com TUDO e me sinto como se estivessem destruindo todos os meus valores, tudo que considero precioso, e nada posso fazer. A impotência está me corroendo por dentro, acabando com a minha alegria.

    Porque, porque é que são as crianças que pagam?????

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