Archive for the ‘luta’ Category

  • Irish Blessing

    Date: 2004.08.26 | Category: alegria, amizade, esperança, luta | Response: 0

    On the eve of meeting a bunch of Irish-loving folks, here’s an Irish blessing…

    May those who love us love us.
    And those that don’t love us,
    May God turn their hearts.
    And if He doesn’t turn their hearts,
    May he turn their ankles,
    So we’ll know them by their limping.

  • Sementes

    Date: 2004.07.29 | Category: Asas de Borboleta, espírito, luta | Response: 0

    Do poeta Jorge de Lima, no seu livro A Túnica Inconsúltil, lanço o poema O Ventríloquo

    Debruça-te sobre tua voz para escutá-la:
    tua voz existiu antes de tua forma.
    Se o alarido do mundo não te permite entendê-la,
    vai para o deserto,
    e então a ouvirás com a inflexão inicial das palavras do Verbo
    e com a fecundidade do Gênese ante o Fiat do Pai.
    Ouve tua voz sobre a montanha para que o divino eco
    atravesse os milênios
    e reboe dentro de ti que és o templo de Deus!
    Na tua voz adulta ainda existe o acalanto de tua ama
    e o balanço de teu berço.
    Ainda há apelos que vêm da alcova de teus pais,
    ainda há os convites do instinto de tua juventude.
    Debruça-te sobre tua voz e escuta as vozes que vêm nela,
    as ressonâncias de ti próprio que nasceram contigo,
    os bramidos dos ventos nas tuas velas rôtas,
    a risada do diabo diante de teus desastres.
    Ouve tua voz sobre o dorso do mar
    onde ela flutuou no começo das coisas
    e a água a concebeu e se tornou fecunda.
    Ouve a tua voz entre as massas humanas
    que como o mar se tornarão fecundas
    e espalharão a palavra do Livro
    pelas águas e pelos continentes.

  • Filhos

    Date: 2004.07.23 | Category: amor, Asas de Borboleta, esperança, espírito, luta | Response: 0

    O texto, como podem ver, não é meu. Recebi de um querido amigo, por e-mail, o link para a página onde originalmente foi publicado na íntegra.

    Gostaria de ter escrito sobre um filho que tive, principalmente um texto lindo assim, mas nunca tive este privilégio de gestar. Ao ler este texto, minha reação primeira foi me afogar em lágrimas, porque perder um filho, ou não ter um filho, é sempre motivo de grande dor. Mas o texto é tão simples e firme na sua esperança, que acabei chorando e sorrindo ao mesmo tempo.

    As coisas são simples assim, mesmo: ou se ama, ou não; ou se acredita que a vida é precioso dom de Deus, ou que a lei da selva prevaleça. Afinal de contas, se tudo é um acidente, que diferença faz a moral? Que diferença faz qualquer coisa?

    Não, não estou e jamais fui niilista. Muito pelo contrário, tudo e todos à minha volta são tão preciosos que eu às vezes perco o fôlego. Ou choro feito uma boba.

    Escrevi um texto no dia cinco de outubro do ano passado que tenho um filho. Escrevi com todo o coração o quanto amo este filho. Mas agora, descobri um texto de uma mãe que descreve com mais força o que é este amor, numa situação ainda mais dramática. Transcrevo então trechos do texto abaixo, e o dedico a meu filho Alex.

    Querido Vítor

    Você não sabe como ultimamente tenho me lembrado de você. Sabe porquê? Anda em voga o assunto de se permitir o aborto em caso de anencefalia, como foi o seu, lembra-se? Você não pode imaginar as barbaridades que mamãe tem escutado de pessoas grandes, não no sentido de grandes de coração, alma e inteligência, mas só por que são bem maiores do que você era quando esteve em meu ventre por nove meses, no entanto parecem não saber de nada.

    Lembra-se daquela tarde, logo depois de mamãe sair da casa do vovô Inaldo quando foi fazer a primeira ultra-sonografia, no 3° mês de gestação? Estava tão tranqüila afinal quantas e quantas ultras mamãe já havia feito quando esperava os seus irmãos, Gabriel, Marcus e Raquel. Lembro-me como se fosse hoje, deitada na cama, o médico fazendo a ultra quando, de repente, me fez aquela pergunta: – É o seu primeiro filho? Logo respondi com toda a tranqüilidade – Não. É o quarto, por quê? Vi que demorava a responder e percebi que havia algum problema com você. Indaguei novamente: – Por quê? Está tudo bem com meu filho? O que ele tem?

    A resposta foi seca e dura, como alguns médicos, ainda bem que nem todos, costumam tratar dessa forma a doença dos outros. Respondeu-me: – O seu filho tem um problema, não tem cérebro. Lembro-me de que comecei a chorar e perguntei a ele, na inocência de obter uma resposta científica: – O que vou fazer agora? E mais uma vez veio a frieza que na hora a mamãe não conseguiu captar, veio aquela resposta fria: – O seu médico sabe o que você tem que fazer! Perdoe-me, filho, por não ter dado uma resposta dura e clara ao médico naquele momento, mas a mamãe não conseguiu naquele instante captar a malícia do que ele queria dizer. Com certeza queria que eu te matasse.

    Passei a te amar mais ainda nos dias que se passaram, por que fui entendendo coisas que até então não sabia. Conversei com o obstetra e ele então me explicou como seria essa “gestação especial”. Enquanto estivesse comigo, dentro de mim, você estaria seguro, tranqüilo. Hoje entendo por que você não precisava de uma nova contribuição da mamãe para “ser”, você já existia, já era um ser humano existente, já era meu filho. Você só precisava crescer, suas próximas fases seriam de autocrescimento, de desenvolver o que você já “era”. Nos próximos meses a única coisa que mamãe teria de fazer e que você precisava como qualquer criança era de nutrição, oxigênio e o tempo. O seu tempo.

    Você sabe o quanto foi difícil, saber que não te teria nos meus braços por muito tempo depois que você nascesse. Mas logo resolvi a questão, perguntei ao médico qual o máximo de tempo que poderia ter você em mim, e ele respondeu de 38 a 40 semanas. Logo eu tinha pelo menos 38 semanas para estar muito perto de você, te amando. Lembra-se dos beijinhos que o papai, o Gabriel, o Marcos e a Rachel davam na minha barriga para você? Lembra-se de nós todos rezando todas as noites pedindo para você ficar “bom do dodói”, pois era assim que eu explicava para os seus irmãos o seu problema. E foi assim que os dias se passaram e no lugar da tristeza, entrou a alegria de ter você perto de nós, pelo tempo que Deus quisesse e fomos muito felizes.

    Lembra-se filho quando mensalmente mamãe ia ao médico, para acompanhar a sua gestação e eu escutava o seu coração batendo forte dentro de mim? (140 batidas/minutos). E o quanto era bom saber que você estava ali. Não podia eu dizer que você era uma parte minha, pois desde a concepção você já existia com um código geneticamente diferenciado, original em relação ao meu. Como podem algumas pessoas dispor do que não lhes pertence?

    E o tempo foi passando não é, filho, e aquele ser pequeno que existia em mim, já estava grande e pronto para nascer. Lembra-se que mamãe também sofreu muito quando estava chegando o dia do parto? É que eu sabia que o tempo de ficarmos juntos agora se tornava mais curto, não ficaríamos mais tão próximos como estávamos. Você tinha que nascer e seguir o seu caminho, o caminho que Deus-Pai havia traçado para você desde toda a eternidade. Nunca chorei de revolta, você sabe disso. Chorava de saudade, a mesma saudade que a mãe sente quando o filho se casa e vai embora, era a saudade natural de rompermos os laços com os filhos, às vezes mais cedo, outras mais tarde. Mas, nós seres humanos não somos, por mais que estejamos tentando ser, “Aquele que é”. Somente Deus é Aquele que é – só Ele pode dar o ser a outros e somente Ele pode tirar a existência desse ser, fazendo sua história mais curta ou mais longa, mas todos fazemos história e ninguém tem o direito de interromper a história de vida de outra pessoa.

    Você fez a sua história de Vida, fez a nossa história de vida, você até hoje é lembrado pelos seus irmãos. Sabia que muitas vezes a Raquel com apenas três aninhos, me perguntava quem tomava conta de você no céu? E aquela outra vez que estávamos eu e seus irmãos esperando em frente ao prédio onde morávamos a Kombi Escolar do seu Júlio, dias depois que você faleceu e o Gabriel com apenas quatro aninhos estava perto de mim, junto com a Raquel e o Marcos. De repente surge um senhor e me pergunta: – São seus filhos? – Sim, respondi. E ele novamente perguntou: – Você tem três filhos?: – São todos seus? – Sim respondi, tenho três filhos. O senhor foi embora, afinal era só curiosidade. Mas o seu irmão Gabriel olhou para mim e disse: – Por que você mentiu para ele? Na hora não entendi o que o seu irmão tão pequeno queria dizer e resolvi perguntar por que eu havia mentido para aquele senhor. Foi quando ele disse com toda a naturalidade e sentimento de família: – Você não tem três filhos, você tem quatro, por acaso esqueceu do Vitor que está no Céu?

    Confesso que fiquei desconcertada naquele momento, pois é evidente que não havia esquecido você, afinal tinha poucos dias que você havia nos deixado. Tentei explicar a ele por que havia dado aquela resposta ao senhor, por que havia dito três ao invés de quatro, expliquei-lhe que a mamãe não havia mentido, apenas se reservado, afinal se dissesse quatro filhos, ele perguntaria onde ele estava e eu teria que falar toda a história para alguém que não conhecia. E assim expliquei ao Gabriel que às vezes devemos manter nossa privacidade. Mas ao mesmo tempo, depois daquele questionamento aprendi uma lição. Aprendi que seus irmãos tinham em você alguém muito presente, alguém que fazia parte daquela família, mesmo não estando ali entre nós e passei a dar a resposta que ele queria quando me perguntavam quantos filhos eu tinha. Dizia: – Tenho quatro, um faleceu. Hoje eu digo: – Tenho seis, um faleceu, pois após você vieram a Catarina e a Maria Teresa. Pronto estava resolvido o que incomodava o seu irmão. E ele, seu irmão, estava certo com apenas quatro anos de idade, porque você Vitor não era alguém que tinha passado pelas nossas vidas, você fazia parte dela, você era um pedaço de nossa história e eu não tinha que te esconder. Mas você sabe que nenhum de nós jamais te esqueceu.

    E eis que chegou o grande dia. Era o dia de você nascer, mamãe e papai foram juntos para o hospital às 21:00 horas. Enquanto esperávamos os médicos chorávamos muito os dois, porque sabíamos que estava próximo a nossa separação. Mas você, já sabia que mamãe havia preparado o melhor para você durante os nove meses em que estivemos juntos, escolheu todos os médicos que iriam te dar todo o carinho que você precisaria e que eu não poderia dar naquele momento. Conversei com Dr. Dernival para que batizasse você ainda na sala de parto, eu queria te dar tudo que uma mãe quer para um filho, a Eternidade. Um pouco antes de entrar no Centro Cirúrgico ele ainda me perguntou: – Como ele se chamará? – Vítor, respondi com firmeza, vindo depois, a saber, que o seu nome significava “aquele que venceu” e você venceu mesmo!

    Chorei muito quando recebi a notícia no dia seguinte pela manhã, pois você havia nascido às 23:50 hs e eu estava sedada, mas lembro-me que mesmo sonolenta perguntei ao Dr. Fernando (seu neonatologista), pessoa tão especial e humana, como você estava e apaguei ouvindo ao longe a resposta que você não estava muito bem. Doce Dr. Fernando quis poupar-me, você já havia morrido e ele havia ficado os 40 minutos de sua vida de mãos dadas com você, não te deixou sozinho nem um instante. O dia seguinte, ainda sem saber que você já era mais um anjo no céu, seu pai não me dava a notícia, pois o médico, havia pedido para que retardasse a mesma. E eu inocente via o seu pai chorar no quarto e brigava com ele para que fosse ver como você estava passando, ele simplesmente levantava da cadeira chorando, sem nada me dizer.

    A notícia de sua morte me foi dada por um grande amigo nosso, sacerdote. Amigo de todas as horas difíceis de nossa vida, aquela pessoa que quando morrer, mesmo sem ser conhecida por todos, a Terra ficará diminuída porque a humanidade toda sentirá o peso de sua partida, assim como foi com Madre Teresa de Calcutá, assim como será com João Paulo II. São seres tão especiais que a morte deles nos diminui um pouco e nos faz refletir o quanto temos de trabalhar e fazer pela humanidade. Mas até nisso Deus pensou em mim, em quem me daria a notícia que iria doer tanto. Chorei muito, como nunca havia chorado antes na vida, era uma dor que não passava, parecia roer os meus ossos, o meu coração parecia que estava sendo arrancado do meu peito. Lembro-me e jamais esquecerei que num segundo fui inundada por uma paz interior, que jamais havia sentido antes, era um carinho de Deus pelo dever cumprido, quase um “consumatum est”. Havíamos cumprido a nossa função de deixarmos você fazer a sua história e parte de nossa história.

    E algumas horas depois recebi autorização do médico para numa cadeira de rodas, descer até a capela do hospital para dar o meu beijo em você, aquele que eu tanto esperava. Peguei-te nos meus braços e olhei com detalhes para você já de toquinha na cabeça. Era lindo demais. Seu nariz, sua boquinha, seus olhos, suas orelhinhas, suas mãos tão pequenas e delicadas, sua unha tão pequenina, era perfeito. É um momento que jamais vou esquecer. Dei-te um beijo suave na testa enquanto a lágrima corria, como corre agora, neste momento em que relembro o passado, e vejo de uma forma viva e clara o seu rosto sereno, angelical, porque você já estava no céu. Essa certeza eu tinha, pois você havia recebido o sacramento do Batismo antes de morrer. E não demorei muito ali porque todo o meu amor e carinho de mãe e de ser humano eu tinha te dado enquanto você esteve vivo no meu ventre, fazendo-me te amar a cada dia e respeitar você.

    Vítor, meu filho, como você nos ensinou durante os nove meses que sofrimento não mata, mas ensina e faz crescer, nos torna mais gente e humano. Como sou grata a você por ter tido a chance de viver essa história, de ser forte porque você estava comigo. E como todo cidadão que nasce, também perante a sociedade que cobra atitudes tão contraditórias, você teve sua certidão de nascimento e certidão de óbito, porque respirou 40 minutos após nascer. E porque fez parte da história não só da nossa família, mas de toda a humanidade, você ganhou até um poema do vovô Inaldo, poema este publicado no livro de Outonos, em 2001 intitulado Elegia para o neto efêmero – Vítor Alonso Guimarães, poema suave e profundo como sua história de vida.

    Sabe Vítor, li certa vez em um livro, em que um pai escrevia cartas para uma filha portadora da síndrome de Down, uma coisa muito bonita. Ele dizia que “Umas almas encarnam em corpos defeituosos que têm de viver com problemas mais ou menos visíveis e algumas até se alojam em seres com cérebros malformados, que limitam, como montanhas intransponíveis, os seus meios de expressão. Mas estas últimas são tão perfeitas quanto as outras almas, e o seu Anjo da Guarda recebeu uma missão mais importante do que a dos anjos restantes: não só deve tutelá-las constantemente, mas também proceder inicialmente a uma seleção dos pais que hão de ser, dia após dia, seus colaboradores para ajudar esse filho a realizar ações prejudicadas pela sua incapacidade”. E é assim que me sinto com relação a você, uma privilegiada por ter sido escolhida para ser mãe de uma criança como você, que mesmo que vivendo tão pouco ensinou tanto para mim, para seu pai e seus irmãos.

    Não gosto quando me chamam de heroína por ter levado a sua gestação até o fim, as mães que assim procedem não são heroínas, são só mães. A cada dia a ciência avança, descobre novidades, e aquilo que há alguns anos era perigo de vida para as mães, hoje são facilmente resolvidos face aos avanços de conhecimento gerais, científicos e tecnológicos. Acho que haverá um dia em que casos como o seu exigirão lutar pela vida e não pela morte. Os médicos falam que embora muito se saiba hoje sobre o cérebro, muito mais ainda tem que se saber, ainda há muito por descobrir.

    Enganam-se aqueles que acham que nascido o feto, completo e perfeito tudo deu certo. O homem nunca está terminado, nesse momento deverá começar uma nova luta mais difícil e sofrida do que a de uma gravidez como da mamãe. É a tarefa de fazer este ser pequenino que nasceu, transformar-se num homem de verdade, num ser capaz de contribuir para uma sociedade justa, em defesa da vida, em defesa da verdade. E com certeza enquanto os homens julgarem-se no direito de dizer quem deve morrer, quem deve viver e quando isso se dará estaremos longe de sermos uma sociedade justa e muito menos humana.

    Querido Vítor, acho que está na hora de terminarmos esta nossa conversa, afinal, você conhece a mamãe, ela fala demais. Meu anjinho, não se preocupe com as notícias que te dei, assim como existem pessoas fracas, intransigentes, existem pessoas cheias de amor de Deus no coração e essas pessoas estão sempre juntas para defender e esclarecer aos que se acham donos do bem e do mal, o quanto vocês seres tão pequeninos são seres humanos únicos e irrepetíveis. Você sim, não tem mais o que aprender, já conheceu todos os mistérios de Deus, já entendeu o porquê de sua história, por ter sido curta e ao mesmo tempo tão grandiosa.

    E não se preocupe com as lágrimas que mamãe e papai derramaram, consolei-me quando li em um livro de Antônio Orozco, OS TRÊS SÓIS: a Sagrada Família – Editora Quadrante, que dizia: “às vezes, encontramo-nos mergulhados num mar de lágrimas… E o mar absorve-as, sem que consigam enchê-lo. Parece que se perdem inúteis, estéreis, estúpidas. Mas não. Todas as lágrimas vão parar no coração de Deus-Pai…”.

    Um beijo da mamãe.
    Ana Lúcia

  • Acontece 2, a Missão

    Date: 2004.06.21 | Category: Asas de Borboleta, luta, vida interior | Response: 0


    Goodbye

    Parece que o Lulu Santos não deu conta do recado, afinal. A Sue então reescreve sua letra…

    Apenas mais uma de Amor
    Lulu Santos / Sue Medeiros

    Eu gosto de e me entrego tanto para vocês

    Que agora até prefiro me esconder
    Deixo assim meu amor ficar subentendido
    Como uma idéia que existe na cabeça
    E näo tem a menor obrigaçäo de acontecer

    Eu acho tão bonito isso de ser abstrata a Internet
    A beleza dela é mesmo tão fugaz
    É uma idéia que existe na cabeça
    E não tem a menor pretensão de convencer

    Acontece que o sentimento é bem real,
    A alegria, a zanga, o choro, a dor
    Que me vejo fora do meu normal
    Sufocada, sim, pelo meu próprio amor

    Pode até parecer fraqueza
    Pois que seja fraqueza então
    A alegria que me dá lhes conhecer
    Isso vai sem eu dizer

    Se amanhã não for nada disso
    Caberá só a mim esquecer (eu digo vai doer)
    O que eu ganho o que eu perco
    Ninguém precisa saber

    Aos amigos deste blog:

    Este é um adeus provísório, pretendo voltar, só não sei quando. Os comentários e os posts antigos estão aí mesmo, façam uso deles.

    Eu tenho projetos de vida e pendências no mundo dito real, e eles me chamam com insistência.

    As coisas que tenho visto e sentido na Net me pedem para parar.

    Descanso e volto. Mas por enquanto fiquem todos com meu carinho, e as asas de borboleta, que deixo aqui.

  • Acontece

    Date: 2004.06.20 | Category: Asas de Borboleta, luta, vida interior | Response: 0



    Goodbye

    Tem vezes que nada mais resta a dizer, e um poeta mais sábio que eu sugeriu que se tocasse um tango argentino. No entanto, neste caso, Lulu Santos dá conta do recado.

    Apenas mais uma de Amor

    Lulu Santos

    Eu gosto tanto de você

    Que até prefiro esconder

    Deixo assim ficar subentendido

    Como uma idéia que existe na cabeça

    E näo tem a menor obrigaçäo de acontecer

    Eu acho tão bonito isso de ser abstrato, baby

    A beleza é mesmo tão fugaz

    É uma idéia que existe na cabeça

    E não tem a menor pretensão de convencer

    Pode até parecer fraqueza

    Pois que seja fraqueza então

    A alegria que me dá

    Isso vai sem eu dizer

    Se amanhã não for nada disso

    Caberá só a mim esquecer (eu digo vai doer)

    O que eu ganho o que eu perco

    Ninguém precisa saber

  • Torre de Pedra

    Date: 2004.06.07 | Category: amor, esperança, espírito, luta, vida interior | Response: 0

    Muitas pessoas têm medo de envelhecer – eu não tenho.
    Tenho medo de endurecer o coração junto com as juntas de meu corpo.

    Muitas pessoas têm medo da morte – eu não tenho.
    Tenho medo de perder minha alma saciando os apetites de meu corpo.

    Muitas pessoas têm medo da solidão – eu não tenho.
    Tenho medo de me juntar às pessoas apenas por apelos de meu corpo.

    Muitas pessoas têm medo da dor – eu não tenho.
    Tenho medo de viciar-me na busca do prazer de meu corpo.

    Porém…

    Há uma torre branca construída no alto de uma colina,
    cujas janelas todas olham o mar.
    Dentro desta torre há uma pequena imagem do sol,
    dentro da qual repousa a Luz Viva.
    Eu entro nesta torre e meu coração
    novamente é um coração de criança.
    Sento-me sobre seu piso de pedra,
    a alma voa e a morte não me pode tocar.
    Olho em volta e todos meus irmãos ali estão comigo.
    Sinto o perfume do incenso,
    os sentidos usufruem de uma alegria maior.

    Não há medo. Nenhum medo.
    Só amor.

  • Lágrimas de Borboleta

    Date: 2004.05.19 | Category: amor, Asas de Borboleta, luta, vida interior | Response: 0

    Não é fácil ver uma borboleta chorar. As borboletas são especialistas em transmutar sofrimento em beleza, e por isso raramente se vê uma delas dar margem ao pranto. Elas preferem aumentar a iridescência de suas asas, seu colorido, fazer malabarismos mais audaciosos em seu vôo.

    Mas borboletas choram, sim. Uma lágrima de borboleta tem poderes, como também os têm os chifres de unicórnio. É uma lágrima que cura, um poderosíssimo prisma que ofusca o sofrimento alheio e o transforma em esperança. Pois o que faz uma borboleta chorar é justamente o sofrimento de uma pessoa boa.

    Este ser humano que escreve aqui, que algumas pessoas gentilmente chamam de Borboleta, esta pessoa chora exatamente ao contrário das borboletas. Chora aos borbotões, por qualquer coisinha, chora em comercial do dia das mães. Mas, ao dar de cara com uma pessoa boa que sofre, as lágrimas secam. Há uma energia, uma ânsia em ajudar, que faz com que ela se esqueça de sofrer. Então, não tenho poderes como as borboletas e os unicórnios, tenho apenas a força do meu abraço. Por isso, meus braços estão sempre abertos, prontos para abraçar… como as asas dos anjos e das borboletas estão sempre prontas para o vôo.

    Hoje deparei com duas pessoas que sofriam. Pessoas boas. Uma pessoa amiga e uma pessoa desconhecida. Um geograficamente longe de mim, a outra existencialmente afastada de mim. Meu amigo eu só pude abraçar em pensamento, e esta nova pessoa só pude abraçar com o comedimento profissional do ambiente de trabalho.

    Mas sei que hoje as borboletas choraram

  • Tempo e Hereditariedade

    Date: 2004.05.16 | Category: luta | Response: 0

    O Velho do Espelho Mario Quintana

    Por acaso surpreendo-me no espelho: quem é esse
    Que me olha e é tão mais velho do que eu?
    Porém, seu rosto… é cada vez menos estranho…
    Meu Deus, meu Deus… Parece
    Meu velho pai – que já morreu!
    Como pode ficarmos assim?
    Nosso olhar – duro – interroga:
    “O que fizeste de mim?!”
    Eu, Pai?! Tu é que me invadiste,
    Lentamente, ruga a ruga… que importa? Eu sou, ainda,
    Aquele menino teimoso de sempre
    E os teus planos enfim lá se foram por terra.
    Mas sei que vi, um dia – a longa, a inútil guerra! –
    Vi sorrir, nesses cansados olhos, um orgulho triste…”

    É um pouco assustador quando nos damos conta da hereditariedade. Sim, repentinamente vemos um rosto que não nos pertence no espelho, ou até percebemos que agimos ou falamos igualzinho a uma pessoa do passado, um pai, um avô…

    Mais assustador ainda é quando esta pessoa é alguém por quem nutrimos sentimentos mistos de amor e ódio. Porque isto significa que odiamos um pedaço de nós mesmos. E o ódio por parte de nós transborda, ao longo do tempo, por ódio a tudo que nos diz respeito, e continua a transbordar para incluir os que estão à nossa volta…

    Não dá para evitar sermos parte de uma família. Ao contrário, só podemos ser totalmente nós mesmos se absorvermos com amor e humor aquela mania igualzinha à da tia Maricota, o jeito de andar igual ao do pai, o temperamento difícil do tio Lúcio. Se absorvermos e transmutarmos em algo novo. Se lutamos contra, sempre perdemos a briga, e o resultado é um retumbante mau humor. De azedume todo mundo foge.

    Ou faz troça.

    Cara valente
    Maria Rita Mariano

    Não ele não vai mais dobrar pode até se acostumar
    Ele vai viver sozinho desaprendeu a dividir
    Foi escolher o mal-me-quer entre o amor de uma mulher
    E às certezas do caminho ele não pôde se entregar
    E agora vai ter de pagar com o coração

    Olha lá ele não é feliz
    Sempre diz que é do tipo cara valente
    Mas veja só a gente sabe esse humor é coisa de um rapaz
    Que sem ter proteção foi se esconder atrás da cara de vilão

    Então não faz assim rapaz
    Não bota esse cartaz
    A gente não cai não

    Ê! Ê!
    Ele não é de nada
    Oiá!
    Essa cara amarrada
    É só um jeito de viver na pior

    Ê! Ê!
    Ele não é de nada
    Oiá!
    Essa cara amarrada
    É só um jeito de viver nesse mundo de mágoas

  • Luto

    Date: 2004.03.12 | Category: luta | Response: 0


    Estou de luto por Madrid.

    Estou de luto pela Humanidade.

    Chega de terrorismo!!

    Me pongo de luto por Madrid.

    Me pongo de luto por la Humanidad.

    Basta de terrorismo!!

  • Outonos

    Date: 2004.02.07 | Category: alegria, amizade, luta | Response: 0

    Pois é. Voltamos. Houve momentos em que eu pensei que isto não aconteceria. Houve momentos em que duvidei jamais ser capaz de escrever uma única palavra. Mas a graça dos momentos é justamente que eles passam. então estes momentos de dúvida, de dor e de branco passaram.

    O que nunca passou foi a firme convicção que minha parceria com o Evandro foi feita no Céu, isso nunca. Evandro é uma pessoa como eu nunca conheci antes, um jovem — com cara e hábitos de jovem, com sua menina Henrie sempre coladinha a ele — com um olhar manso e sábio. Ponderado. Amigo como poucos. Companheiro para tudo e para qualquer hora. Cavalheiro de nobre estirpe, bem educado, cortês. Eu já disse a ele mais de uma vez que ele não existe. Fico mesmo convencida de que ele não passa de um delírio meu.

    Mas aí ele solta a risada alegre dele e me mostra fotos das cadelinhas fofas que moram em Brasília com seus pais — as famosas Repolhudas — e vai para cozinha fritar um bife delicioso para acompanhar a massa que fiz, e me chama para jogar Worms com ele. E então eu vejo que é tudo forte, real, colorido e muito, muito bom.

    E ele escreve um texto que fala de folhas que são levadas pelo vento até a curva dos tempos, e eu me convenço que tendo ele como parceiro eu enfrento qualquer inverno. Observando o sorriso quieto da linda menina Henrie por trás do sorriso mais aberto de meu amigo, eu vejo a força que têm o amor e a amizade. “Do amor não se foge”, disse meu amigo em seu blog Agonizando, e eu completo, “nem da amizade, nem do trabalho por fazer”.

    Juntos, nós conseguimos.

    Ara, vortemo, uai!


  • Posts recentes

    Comentários

    Arquivos

    Categorias

    Meta