Archive for the ‘pai’ Category

  • O Resumo da Ópera Trágica que Vivemos

    Date: 2016.03.25 | Category: luta, pai | Response: 0

    Lá em 1500, um certo fidalgo Pero Vaz de Caminha foi enviado, a mando do Rei de Portugal, com o navegador Pedro Alvares Cabral para averiguar se havia algo a ser explorado nestas plagas. Descobriu-se que sim, havia muito a ser explorado em riquezas naturais — minerais e vegetais. Assim se fez.

    Durante séculos praticamente só isso se fez, até que Dom João VI pegou sua família e amigos e para cá veio ligeiro, fugido de Napoleão. Chegando aqui, descobriu que nada havia sido urbanizado, não havia sequer um abrigo decente para sua nobre família. Então, no início do século dezenove, começou o desenvolvimento do Brasil em que hoje vivemos.

    Devagarinho, porque estas coisas são lentas, o povo brasileiro descobriu que tem amor pelos azulejos portugueses, pelas igrejas barrocas, pelas frutas tropicais, pelos ritmos africanos, pela comida nativa. Descobrimos que o tempo quente aquece nosso coração junto com nossas paixões, e esse calor acolhedor trouxe gente de toda parte para cá. Desde o próprio Portugal e da Espanha até o Líbano e Israel; Coréia, Itália e Japão, todos aqui recebem um sorriso de boas vindas.

    Infelizmente, os séculos de abandono se fizeram notar num descomprometimento da classe mais abastada (de origem portuguesa) que aqui morava, que preferia mandar seus filhos estudarem em Lisboa, Porto ou Paris que construir Universidades aqui. Nenhum amor pareciam ter pela terra que os abrigava, sempre suspirando pela Europa que deixaram para trás. Fizeram uma triste escola entre membros de todos os estratos da sociedade, que aprenderam que a coisa pública é “terra de ninguém” a ser usada e abusada de acordo com a vontade volátil do momento.

    Este governo — que agora tentamos tirar do poder legitimamente, com a mesma autoridade com que o colocamos lá — levou esta falta de amor por nossa terra, e a exploração de suas riquezas, a níveis quase lendários. Apropriou-se da coisa pública e do dinheiro de nossos impostos e do trabalho de nossos funcionários públicos como o mais ferrenho senhor de escravos.

    Só que a escravidão do povo brasileiro serve hoje não a um senhor de engenho, mas a uma organização chamada Foro de São Paulo, que tem como intenção declarada acabar com a soberania dos países da América Latina e formar um bloco socialista – à força, por meio de matança se preciso for, com o apoio de ladrões, traficantes e assassinos, como o habitual deste tipo de governo totalitarista — com um governo central, que chamam de La Patria Grande, sob o comando dos irmãos ditadores de Cuba.

    O POVO BRASILEIRO NÃO QUER ISTO. DE JEITO NENHUM, SOB NENHUM ASPECTO. Se for necessário, damos as nossas vidas, para que as futuras gerações sejam livres. É isto o que acontece aqui agora.

  • Finados

    Date: 2015.11.02 | Category: espírito, mãe, pai, saudade, vida interior | Response: 0

    Hoje é dia de lembrar, e eu estou lembrando. De mãos. Mãos. Eu não sei se muitos adultos param para pensar que tudo para a criança é muito alto, muito grande, muito largo, então ela vê as coisas em pedaços. Pelo menos, assim era comigo.Uma das minhas lembranças mais antigas era de adultos conversando enquanto eu enxergava muitas pernas, minha visão passando muito pouco da altura daqueles joelhos.

    Mãos. Mãos são pequenas o suficiente para uma criança observar. Lembro das minhas queridas mãos. As mãos de minha avó, pintadinhas de idade, rezando o terço, eu deitada em seu regaço esperando o fim da reza e mais uma história de Pedro Malasartes antes de receber minha bênção e dormir. As mãos da irmã de minha avó, deformadas pelo reumatismo, mas ainda ágeis para costurar roupinhas para minhas bonecas, brincar de massinha, me chamar para enrolar rosquinhas de polvilho e fazer o doce de laranja mais gostoso que eu já provei. A eterna disponibilidade daquelas mãos.

    As mãos da minha tia acendendo a lamparina diante da imagem da virgem sobre sua cômoda. Mãos de professora, girando o mimeógrafo e deixando a casa com cheiro de álcool, datilografando e me deixando datilografar em sua máquina portátil, me interessando pelas letras antes mesmo que eu aprendesse a ler. Mãos finas e muito brancas, as mãos de professora de minha tia. As mãos tão bonitas de minha mãe, sempre de unhas pintadas e tão cheirosas que o ritual de dormir da Malu-bebê incluía cheirar seus dedos, e só os seus. Nenhum outro servia.

    As mãos de meu pai… muitos momentos eu olhei aquelas mãos fazendo coisas. O cigarro era seu eterno companheiro. Eu as observava fumando, dirigindo, escrevendo, limpando as peças de carne do churrasco, me ensinando a fazer pequenos consertos pela casa. A última coisa que ele fez em vida, na ambulância que o levou pela última vez ao hospital, foi me estender a mão e me soprar um beijo. Na minha alma ainda seguro firme na minha a mão do meu pai.

    Mãos que me guiaram pela vida, me mostrando o que fazer e o que não fazer. Me apoiaram, me ensinaram a andar, a escrever, a fazer crochê, a costurar e a cozinhar. Principalmente mãos que me amaram. Hoje é o dia de lembrar delas, de pedir a Deus que estenda suas mãos misericordiosas em direção às minhas queridas mãos, e as mantenha na graça. Que nenhuma delas se solte, Senhor.

  • Alegria Profunda

    Date: 2010.10.10 | Category: alegria, amor, mãe, pai | Response: 3

    Tem uns dias já que eu tenho pensado e falado muito dos meus pais. Tanto um quanto o outro foi embora deste mundo confuso, minha mãe há quase 25 anos, meu pai há quase quatro. Aqui no blog já falei deles umas tantas vezes, sempre com muito carinho, orgulho e saudade. Acho que falta, a esta mistura, falar deles também com alegria e gratidão. Mas é difícil encontrar as palavras certas…

    Afinal de contas, como se agradece aos pais aquele olhar rápido, mas cheio de orgulho, que nos dá esta força interna para resistir às trombadas da vida? Como eu digo a minha mãe que AQUELE colo, NAQUELE momento, me sustenta até hoje?  Como eu digo a meu pai que só a presença dele me tornava capaz de enfretar e matar qualquer dragão? Que apenas pensar nele ainda me dá esta força? Mesmo que estivessem aqui, acho que eles ficariam surpresos e até meio encabulados, nem se lembrariam destes momentos que me marcaram, porque o amor e a aceitação deles era um pano de fundo em que nenhum de nós prestava muita atenção, apenas estava lá.

    Só que, nestes tempos de pais que jogam os filhos pela janela e filhos que matam pais a porretadas, eu me vejo como alguém que ganhou uma loteria existencial, que tirou a sorte grande, e nem sabia. Porque para mim, até pouco tempo atrás, este tesouro que herdei de meus pais era apenas a vida normal de uma família… família é assim mesmo, não é?

    Não, infelizmente não é. Hoje eu velo com alegria profunda, veneração e até um pouco de espanto esta maravilha que Deus me deu… um pai amigo, valente e sorridente, uma mãe amorosa e atenta, todos dois com o riso solto e o carinho fácil. Nossa! Eu mereço mesmo isso? Como faço para agradecer?  As palavras, mesmo que eu escrevesse aqui por horas e horas mais, não seriam suficientes nem capazes de passar a vocês o que eu sinto por meus pais. Mas o pessoal do Secret Garden conseguiu, nesta música.

    Neste Domingo branco e quieto, no sossego do meu quarto, eu queria dar a meus pais este presente.  Porque eles realmente me sustentam e me elevam, hoje e sempre.

    When I am down and, oh my soul, so weary;
    When troubles come and my heart burdened be;
    Then I am still and wait here in the silence,
    Until you come and sit awhile with me.

    You raise me up so I can stand on mountains;
    You raise me up to walk on stormy seas;
    I am strong when I am on your shoulders;
    You raise me up to more than I can be.

    You raise me up so I can stand on mountains;
    You raise me up to walk on stormy seas;
    I am strong when I am on your shoulders;
    You raise me up to more than I can be.

    There is no life, no life without its hunger;
    Each restless heart beats so imperfectly;
    But when you come and I am filled with wonder,
    Sometimes I think I glimpse eternity.

    You raise me up so I can stand on mountains;
    You raise me up to walk on stormy seas;
    I am strong when I am on your shoulders;
    You raise me up to more than I can be.

    You raise me up so I can stand on mountains;
    You raise me up to walk on stormy seas;
    I am strong when I am on your shoulders;
    You raise me up to more than I can be.

  • Espasmos

    Date: 2008.07.27 | Category: amor, luta, minerin-candango, pai, saudade, vida interior | Response: 0

    Órfã na Janela – A.Prado

    Estou com saudade de Deus,
    uma saudade tão funda que me seca.
    Estou como palha e nada me conforta.
    O amor hoje está tão pobre, tem gripe,
    meu hálito não está para salões.
    Fico em casa esperando Deus,
    cavacando a unha, fungando meu nariz choroso,
    querendo um pôster dele no meu quarto,
    gostando igual antigamente
    da palavra crepúsculo.
    Que o mundo é desterro eu toda vida soube.
    Quando o sol vai-se embora é pra casa de Deus que vai,
    pra casa onde está meu pai.

    Hoje não é um daqueles dias em que, sossegada, penso belezuras para escrever aqui. Esta semana foi de montanha-russa emocional, intensa, furiosa. Hoje estou em espasmos, o pensamento aqui e ali, oscilante, nervoso.

    Hoje me pergunto o porquê do mundo ser tão grande, e invariavelmente parecer que as pessoas que me trariam alegria estão do outro lado dele. As doçuras que estas pessoas me ofertam chegam aqui diluídas, fracas, com prazo de validade vencido. Não é um dia de bonitezas, é dia de rosnar, ranger de dentes e silêncios desconfortáveis. Não quero mesmo conversar com as pessoas à minha volta, centrada que estou naquelas que não estão aqui.

    Estou estranha, conflito ambulante, sapato apertado. Alterno entre a vontade de virar a mesa posta do almoço e fotografar os desenhos que o arroz colorido fizesse no chão. A energia contida queria se expressar em meia dúzia de copos jogados com força na parede, e o lirismo queria fazer um véu luminoso para os cabelos com os cacos de vidro.

    Hoje eu simplesmente não me conformo. Hoje é bater a cabeça na parede e sentir na testa a dor da saudade. É sentir no fundo da garganta o amargo do desejo não saciado. Tudo o que vejo me mostra um buraco, só enxergo o que não está ali. Mineira como ele é mineiro, calada como ele é calado, hoje a única poesia que me serve é a poesia seca e altiva de Adélia Prado.

    Corridinho – A.Prado

    O amor quer abraçar e não pode.
    A multidão em volta,
    com seus olhos cediços,
    põe caco de vidro no muro
    para o amor desistir.
    O amor usa o correio,
    o correio trapaceia,
    a carta não chega,
    o amor fica sem saber se é ou não é.
    O amor pega o cavalo,
    desembarca do trem,
    chega na porta cansado
    de tanto caminhar a pé.
    Fala a palavra açucena,
    pede água, bebe café,
    dorme na sua presença,
    chupa bala de hortelâ.
    Tudo manha, truque, engenho:
    é descuidar o amor te pega,
    te come, te molha todo.
    Mas água o amor não é.

  • Date: 2007.02.10 | Category: mãe, pai, vida interior | Response: 1

    Eu me lembro…

    Uma certa vez, na longínqua década de 70, minha mãe me advertiu, escondendo um sorriso, ao ouvir meu comentário sobre como Tarcísio Meira era lindo: “Psiu, filha, não fala isto não, eu também acho, mas seu pai morre de ciúmes do Tarcísio Meira…”.

    Em 2006, numa rara oportunidade em que assistia à novela das oito com minha família, tive a chance de provocar meu pai com a coisa do ciúme; ele respondeu com outro sorriso meio escondido: “Ora, é claro que não vou admitir que se fale que outro homem é bonito na minha casa, imagina!”.

    Em muitos finais de semana, também na longínqua década de 70, meus pais namoravam num exercício de gastronomia afetiva que sempre me enterneceu… Eles colocavam suas músicas no som da sala – canções que iam de Maria Creusa e Roberto Carlos até cantores diversos da Motown, passando necessariamente por Frank Sinatra, Charles Aznavour e Elvis – e cada um preparava um prato do almoço, com seu copo de cerveja à mão, que bebericavam e que provavam um nos lábios do outro, nas bitoquinhas que trocavam quando achavam que não estávamos olhando. Nestes dias, o almoço sempre saía mais tarde, mas mais gostoso.

    Minha mãe era constantemente pinicada pelas amigas, devido ao costume que ela tinha de se referir a meu pai como “meu marido lindo”. Em vez de ficar aborrecida com as piadas das amigas, ela dava de ombros casualmente e dizia que “ele era lindo mesmo…”.

    Meu pai era um homem das antigas, sempre exigiu decoro e boas maneiras de nós, sempre reforçou os valores de família e de comportamento cristão, mas nunca foi maldoso com ninguém, nem preconceituoso. Ele me contava das peripécias de solteiro, quando passeava com seu irmão mais velho pelos spots noturnos mais… eh… alternativos de Porto Alegre. Ele contava que, recém-casado, passeava pela Rua da Praia com minha mãe quando encontrou um destes velhos amigos, um negão imenso e de aparência assustadora que era leão de chácara de uma casa de má reputação. O negão o saudou carinhosamente com um “Oi, Betinho”, para susto de minha mãe. Papai se divertia com o susto da noivinha inexperiente, mesmo muitos anos depois da morte dela.

    No final de sua vida, depois de vir morar com as filhas, meu pai continuou a dar mostras de ser uma pessoa acolhedora com todos que freqüentavam nossa casa, apesar de sua formação tradicional. Conheceu muitos amigos nossos, e ficou especialmente próximo de um que tinha um namorado firme. Os dois rapazes vinham visitar-nos regularmente, quase sempre juntos, mas quando este meu amigo chegava à nossa casa desacompanhado, papai perguntava com uma carinha marota onde estava “seu fiel escudeiro”, e dava uma piscadinha no final.

    Minha mãe era uma pessoa tão carinhosa, distribuía afeto e cuidado com tanta generosidade, que nos colocava em situações inusitadas. Ela faleceu na madrugada de 13 para 14 de maio de 1986, o que fez com que meu pai voltasse para casa durante a noite e não permanecer com ela no hospital até de manhã, como estava sendo o costume. Cedinho, quando levantamos, antes de meu pai descer as escadas para tomarmos o café, encontrei a equipe de taifeiros da casa oficial que morávamos toda perfilada, e o copeiro-chefe, Seu Everaldo, perguntou, em tom cauteloso: “Sue, como está Dona Maria Helena?” Quando eu respondi que agora ela estava bem, nos braços da Virgem Maria, toda a equipe – composta de homens barbudos, maduros, pais de família – começou a chorar copiosamente, o que tornou necessário que eu e minha irmã adolescente ficássemos algum tempo a consolar todos eles. A cena mais tocante foi ver o cozinheiro – um tipo grandalhão que era apelidado de “vaqueirão” e que usava como multiprocessador uma peixeira imensa – chorando, inconsolável, abraçado com o filtro. Muito mais gente que apenas eu e meus irmãos ficou órfã naquele dia…

    Meu pai era um chefe rigoroso, da mesma forma que era um pai rigoroso. Exigia muito de todos nós. Entretanto, nos dois lados de sua vida, ele nunca pediu nada que não estivesse preparado para dar em troca, e nunca pedia que fizéssemos algo que ele também não fizesse. Era justo, carinhoso, e conquistava a lealdade dos filhos e dos subordinados igualmente. Igualmente estava preparado para lutar por ambos.

    Quando morreu, deixou um legado de respeito por onde passou, e fiquei feliz de escutar de um ex-subordinado seu de muitos anos atrás que ele era “uma referência” até hoje. Realmente, nunca vi meu pai cometer uma injustiça com subordinados, e toda vez que discutimos era apenas porque ele não conseguia entender com muita clareza esta mistura de doçura saturnina que eu sou.

    Tive pais assim: amorosos, rigorosos, alegres, felizes, amigos um do outro e de nós, severos na cobrança da retidão de comportamento, rápidos em ajudar a quem quer que pedisse sua ajuda para uma causa justa. Eles não estão mais aqui, presentes em corpo. Estão presentes, no entanto, em cada pensamento meu, em cada objeto de minha casa, em cada história relembrada.

    Meu pai, minha mãe, não se preocupem. Eu lembro. Eu nunca vou me esquecer.

  • Fim da Missão

    Date: 2007.01.29 | Category: amor, pai, saudade | Response: 2

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    (Discurso que infelizmente tive de proferir na cerimônia de cremação de meu pai)

    Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2007.

    Amigos:

    A presença física de meu pai entre nós se encerra definitivamente hoje. O corpo dele logo estará transformado em cinzas. Ele não vai ter uma lápide em nenhum cemitério. Não vai haver restos mortais dele em lugar algum. Eu, conhecendo meu pai, acho isto muito bom. Mas a ausência de corpo não impede que seu espírito seja lembrado e, ao sentar para escrever estas palavras, o que mais me preocupava era justamente escolher, numa vida longa e cheia de acontecimentos, o que pedir a seus amigos, aqui presentes, para lembrar.

    Muitos de vocês o conheceram bem antes de eu nascer. Vocês têm lembranças de um jovem que eu não conheci, do qual escutei muitas histórias. Eu tenho as lembranças do afeto, da vida em comum, do pai. Outras pessoas aqui têm a lembrança do homem forte que ele foi ao lutar contra uma doença traiçoeira e malvada. Para alguns ele era o Gordo, para outros o Brizola, ou ainda o Mederix. No HFAG o Brig. Medeiros misteriosamente virou “Seu Roberto”…. Ele era muita coisa para muita gente, como reunir numa só lembrança todas as facetas deste homem?

    É difícil, tenho certeza que mesmo que ficássemos aqui muito mais que meia hora não conseguiríamos um denominador comum. Cada um de nós tem as suas lembranças e as impressões pessoais que ele deixou. Durante o tempo que tive para pensar desde sua morte sexta de manhã, no entanto, descobri duas coisas que são para mim muito importantes a respeito de meu pai, e que queria dividir com vocês. A primeira, a que deixou a impressão mais forte na minha alma, é que ele era um guerreiro.

    Meu pai me ensinou a vida toda a ser forte, a ser justa, a nunca abusar dos mais fracos e a sempre defender o que era certo, mesmo às custas da simpatia alheia. Esta força que foi meu exemplo veio de sua personalidade, é certo, mas veio também do fato muito especial e de que muito me orgulho: ele era um militar e era um aviador. Meu pai me ensinou a respeitar a força, e o convívio dentro da FAB me ensinou que ele e seus companheiros de farda eram pessoas especiais, feitas de estofo diferente dos “paisanos”.

    Os aviadores não têm trabalho, eles têm missões. Eles não têm colegas de trabalho, têm a turma de irmãos. Brigam juntos, voam juntos, casam juntos, criam seus filhos juntos, estão juntos com os filhos quando é hora de dizer adeus a um irmão caído.

    A força de espírito de meu pai era a comissão de frente da sua personalidade, mas ele tinha um outro lado, extremamente cativante, que ele deixava entrever àqueles que conquistavam sua confiança e amizade: meu pai era um menino gaiato, cheio de humor e de alegria, brincalhão, capaz de fazer graça dos amigos e de si. Mesmo no final de suas forças ainda achava energia para encontrar apelidos para as enfermeiras que contratamos para cuidar dele em casa.

    Ele enfrentava a vida, na maior parte do tempo, como se ela fosse uma grande traquinagem. Ele sabia encontrar o que havia de engraçado nas situações, e sua risada estrondosa, solta, de chacoalhar os ombros, ainda soa na minha memória. A força e a alegria de meu pai é o que quero deixar na memória de todos que vieram aqui se despedir dele, nesta cerimônia simples que era o que ele queria, sem honras militares, pois ele afirmava que não ia proporcionar uma festança destas a outros, quando estivesse impedido de participar dela.

    Meu pai gostava muitíssimo do filme All That Jazz, onde na cena final o personagem principal do musical dá seu adeus a todos deste mundo e parte ao encontro de uma morte linda e loira que o aguarda com um sorriso. Meu pai sempre nos disse que queria encarar a morte dele assim, então eu espero que ele tenha encontrado sua loira, e que minha mãe que o aguarda lá no céu não tenha achado muito ruim. Ele achava a cena fantástica e a música Bye Bye Love sensacional. Não foi possível tocar aqui a música que trouxemos, por razões técnicas. Quem quiser, pode buscar escutar a música e dar seus bye byes internos ao Medeiros. Bye bye, meu pai.

    Ao final, eu peço a vocês que fiquem de pé por um momento, e honrem todos os aviadores presentes escutando – e cantando, aqueles que o conhecem – o Hino do Aviador:

    Hino do Aviador

    Vamos filhos altivos dos ares
    Nosso vôo ousado alçar,
    Sobre campos cidades e mares,
    Vamos nuvens e céus enfrentar.

    D’Astro-Rei desafiamos nos cimos,
    Bandeirantes audazes do azul.
    Às estrelas, de noite, subimos,
    Para orar ao Cruzeiro do Sul

    Contacto! Companheiros!
    Ao vento, sombranceiros,
    Lancemos o roncar
    Da hélice a girar

    Contacto! Companheiros!
    Ao vento, sombranceiros,
    Lancemos o roncar
    Da hélice a girar

    Mas se explode o corisco no espaço
    Ou a metralha, na guerra, rugir
    Cavaleiros do século do aço
    Não nos faz o perigo fugir

    Não importa a tocaia da morte
    Pois que à Pátria, dos céus no altar
    Sempre erguemos de ânimo forte
    O holocausto da vida, a voar

    Contacto! Companheiros!
    Ao vento, sombranceiros,
    Lancemos o roncar
    Da hélice a girar

    Contacto! Companheiros!
    Ao vento, sombranceiros,
    Lancemos o roncar
    Da hélice a girar

    Obrigada.

  • Engano

    Date: 2007.01.08 | Category: luta, pai | Response: 0

    Toca o telefone de manhã bem cedo. Uma voz pastosa atende, e é surpresa por uma voz retumbante de alegria e bom humor artificiais, voz irritante do tipo que só mesmo os profissionais de tele-atendimento conseguem ter:

    – Alô…
    – BOM DIA! É do Centro Médico Tijuca?

    (silêncio)

    – Senhora, um momento da sua atenção. Antes de dizer se aqui é o Centro Médico Tijuca, queria fazer umas observações, a senhora se incomoda de escutar?

    -Eh…

    – Obrigada. Bem, pela minha voz, a senhora deveria ter percebido que eu não poderia estar atendendo um telefone de um centro médico; já que a senhora não parece ter percebido nada, deixe eu lhe dar umas dicas: ontem, às três e meia da madrugada, eu finalmente deitei a cabeça no travesseiro e dormi um sono relaxado, depois de quase duas semanas de sono cortado e um final de semana inteiro como acompanhante no hospital. A senhora está me entendendo até aqui?

    – Ahn…

    – Isso. Pois bem: o sono para mim é precioso neste momento, pois o câncer de pulmão do meu pai fez metástase no cerebelo (metástase, senhora, é quando um filho da mãe de um tumor resolve abrir franquias pelo corpo) e vai sofrer uma cirurgia de alto risco na sexta-feira que vem, que por falar nisto é meu aniversário; até lá, como o tumor é grande, ele pode sofrer uma morte súbita; se não morrer até a cirurgia, a cirurgia pode matá-lo; se a cirurgia não matá-lo, vamos ter de passar por todo o pós-operatório de uma neurocirurgia; depois disso, precisaremos fazer mais uma rodada de quimioterapia. Portanto, não há previsão de descanso para mim nas próximas semanas, e cada momento de sono é um momento que eu recupero as forças para enfrentar as outras noites mal-dormidas e os dias carregados de tensão que virão. A senhora ainda está aí?

    – Uh…

    – Ah, sim. Ótimo. Continuando: no entremeio de hospital e de cuidar das coisas da casa, tenho também de cuidar do meu escritório, que está um tanto abandonado por estas razões médicas; no meio disto tudo, administra-se um processo de separação que meu pai resolveu iniciar pouco antes de cair doente. Estou neste ricocheteio entre hospital, cartórios, casa e trabalho por tempo indeterminado. Além disto, tenho de atender os 2.0456.897 telefonemas diários de amigos meus, de meu pai e de membros da família que buscam informações a respeito de seu estado de saúde. Estou virando uma perfeita assessora de imprensa, de tanto que eu concedo declarações a respeito do estado de saúde de meu pai. São boletins múltiplos, de hora em hora, praticamente.

    – Ahm, senhora…

    – Não se preocupe, estou acabando. Com tudo isto que a senhora ouviu, tão gentilmente, eu agora lhe devolvo a pergunta: aqui é o Centro Médico Tijuca?

    – Não, claro.

    – Então, senhora, da próxima vez que a senhora for fazer uma ligação telefônica, lembre de mim e olhe os numerozinhos com cuidado, para que a senhora não interrompa tão bruscamente o sono exausto de outra pessoa. Combinado?

    – A senhora me perdoe…

    – Nah, bobagem, a senhora me deu a oportunidade de despejar na senhora tudo que fica entalado quando outras pessoas ligam para sua casa e ficam irritadas querendo saber “de onde fala”, “quem é”, “qual o número daí?”, como se eu tivesse que abrir minha casa e meu nome a todo estranho que liga para cá. Muito obrigada por sua gentileza.

    – Ah, vá para… (a voz irritante se despede com uma batida forte de telefone no gancho).

    Olhando para o fone, a voz já não tão pastosa comenta para si:

    – É isso aí.

  • Fio da Navalha

    Date: 2007.01.03 | Category: luta, pai | Response: 0

    A diferença entre a saúde e a doença pode ser um pedaço de papel.
    A diferença entre a esperança e o desespero pode ser uma mão trêmula.
    A diferença entre a vida e a morte pode ser um pensamento.

    Quando se caminha assim, no fio da navalha, podendo cair de um lado ou de outro, só o que se pode fazer é criar uma “visão de túnel”, colocar antolhos emocionais e fazer de conta que nada mais existe no mundo a não ser aquele momento específico. É fazer de conta que aquele engasgo é só um engasgo. É não pensar nas consequências longo prazo de nada.

    Na verdade, a diferença entre a sanidade e a loucura é a capacidade de não pensar. Então, peço licença aos queridos leitores do Asa, e aviso que estou numa fase Scarlett O’Hara: “Penso nisso amanhã”.

    Eu volto, eu volto, não sei como não sei quando. Eu preciso e tenho saudades daqui, mas meu paizinho precisa ainda mais de mim. Beijos carinhosos aos amigos antigos e aos visitantes novos. Vão fuçando por aí, tem texto interessante para todo gosto. A dona da casa vai, de novo, para o hospital. Ainda bem que lá tem um bocado de borboletas, muitas flores.

    No resto, eu penso amanhã.

  • Compromisso

    Date: 2006.09.17 | Category: amor, luta, pai | Response: 0

    Newsflash

    Amados, não estranhem o silêncio. Tudo que eu escrevesse aqui, durante este tempo todo em que tenho estado no olho do furacão teria soado caótico, triste ou zangado. E não estou, de verdade, numa fase ruim. Nem deprimida, nem infeliz.

    Estou apenas cuidando de quem toda a vida cuidou de mim.

    AS MÃOS DE MEU PAI – Mário Quintana

    As tuas mãos têm grossas veias como cordas azuis
    sobre um fundo de manchas já da cor da terra
    – como são belas tuas mãos
    pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram na
    nobre cólera dos justos…
    Porque há nas tuas mãos, meu velho pai, essa beleza
    que se chama simplesmente vida
    E, ao entardecer, quando elas repousam nos braços de
    tua cadeira predileta
    uma luz parece vir de dentro delas…
    Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente,
    vieste alimentando na terrível solidão do mundo
    como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los
    contra o vento?
    Ah, como os fizeste arder, fulgir, com o milagre das tuas mãos!
    E é, ainda, a vida que transfigura as tuas mãos nodosas…
    essa chama de vida – que transcende a própria vida
    … e que os Anjos, um dia, chamarão de alma.

  • Num quarto de hospital

    Date: 2005.11.05 | Category: pai, vida interior | Response: 0

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    Cinco e quinze da madrugada do quarto dia do mês de novembro. Na escuridão do quarto de hospital, escuto a porta abrir e a enfermeira plantonista avisar “vou acender a luz” e dar um “bom dia!” alto e alegre – um décimo de segundo antes da forte luz fria ferir meus olhos e os do meu pai, que ainda estava profundamente adormecido.

    Era apenas para medir a pressão e a temperatura, o que poderia ter sido feito tranquilamente duas horas depois, quando o bom dia teria feito mais sentido. Efetuadas as devidas mensurações, a ensolarada plantonista deixa o aposento, acompanhada do olhar mais assassino do meu pai. Com um resmungo rouco, que eu suspeito ter sido um palavrão cabeludo, ele se ajeita na cama e volta a adormecer.

    Meu sono, no entanto havia sido definitivamente encerrado pelo feliz sadismo da enfermeira. Totalmente desperta, sento na cama; levanto; vou ao banheiro; bebo água; torno a deitar; reviro na cama; desisto e levanto novamente.

    (Enquanto isto, lá fora, o escuro estava pontilhado de milhares de pequenas estrelas de luz elétrica, que ofuscavam as estrelas do céu, já parcialmente encobertas pelos restos mortais das nuvens que tomaram conta do dia anterior. A névoa que acompanhava as nuvens, entretanto, já havia sumido, e o ar da noite estava claro.)

    Neste tempo que passei no hospital não havia muito a fazer a não ser oferecer apoio moral e logístico a um pai tomado de mau-humor por estar internado. Este é o sinal mais claro de que ele está melhor a cada dia, e respondendo muito bem ao tratamento. Sempre fico nervosa quando o vejo meu genioso pai quietinho e aceitando passivamente o que acontece com ele. Isto aconteceu no princípio do tratamento, mas graças ao bom Deus ele é forte e está determinado a ficar bom, e a passividade sumiu. O que parece ser metade do caminho andado.

    A falta de muita coisa a se fazer além de esperar, somada à necessidade de ficar reclusa no quarto do hospital – tanto para ajudar meu pai quanto para evitar os vírus e bactérias muito malvados que povoam os corredores do hospital – me fizeram liberar a mente para vagar onde ela quisesse. Não havia coisa alguma para ela fazer lá, e ela merecia – já que o corpo estava preso àquele quarto – a oportunidade de fugir por alguns instantes.

    Não é engraçado como as coisas funcionam? A danadinha da minha mente, de posse da liberdade para ir onde quisesse – podendo ir às estrelas e voltar, nadar no mar do Caribe ou mimar-se de qualquer forma que lhe fosse mais prazerosa – preferiu voltar àquele quarto de hospital e meditar sobre seu parceiro cativo, o meu corpo.

    (Pela janela do quarto podia ver a aurora tomar vagarosamente conta do céu. Certamente que é um privilégio estar num hospital que fica numa ilha no meio da Baía de Guanabara, e poder ver os perfis montanhosos de Niterói e do Rio ligados por esta enorme ponte, que parecia naquele instante um traço negro a sublinhar os amarelos e malvas do amanhecer. O mar escuro lentamente ficava azul-acinzentado. O céu se transformava numa pintura de Monet, e parecia um presente especial para mim. Um pássaro que não reconheci pelo canto conclamava e instigava todos os outros a saudar a chegada do sol. O dia já parecia que teria a beleza que realmente teve, e foi me visitar de antemão, naquele lugar triste. Tudo, mas TUDO mesmo tem seu lado bom.)

    Tamanha imobilidade me é incomum. Talvez isto tenha feito com que eu notasse coisas que normalmente me passam despercebidas. Quando corro aqui e ali, cumprindo as mil e uma tarefas que minha rotina exige, mal noto meu corpo. Ele é a paciente mula de carga – o “irmão jumento”, como diria São Francisco de Assis a respeito de seu próprio corpo – que mansa se submete a tudo que minha inquieta mente cisma de fazer. Só neste momento de parada forçada, quando não há possibilidade de inventar coisa alguma para meu corpo fazer, nem de forçá-lo a correr para lá e para cá, voltei-me para ele e o observei de forma mais atenta.

    Lembrei-me – sou a rainha da idiossincrasia, parece – que minha irmã tem um amigo que vive em função de seu fetiche por mãos e pés. Ele tem um site sobre este tema, e realiza festas e eventos para seus… eh… correligionários. Este rapaz é respeitosa e reverentemente apaixonado pelas mãos e pés de minha irmã. É até justo que seja, minha irmã tem mesmo pés bonitos e arqueados, tornozelos bem torneados, mãos de dedos longos com unhas também longas e cuidadosamente tratadas todas as semanas, geralmente pintadas de vermelho. Que ele vive implorando para fotografar para seu site.

    Examinando com olhar crítico meus próprios pés e mãos, tinha dúvidas se fariam o deleite de alguém com tal fetiche – apesar de saber que o fetiche é, por definição, inexplicável e ilógico. Não que meus pés e mãos sejam feios, porque não acho que sejam. São fortes, sem muita delicadeza.

    Eu tenho muitos aspectos de meu corpo que são delicados – um rosto suave, um sorriso bonito, uns olhos verdes que expressam muita doçura, uma pele macia e cheirosa, uma voz que um amigo querido uma vez definiu como “voz de menina” – mas meus pés e mãos não estão entre estes atributos delicados. Eles estão em outro grupo de características físicas minhas que posso dizer que são quase viris – a maneira rápida e decidida como ando, a minha gargalhada estrondosa, minha juba de cabelos rebeldes.

    (O sol já havia feito sua entrada triunfal no dia, terminando de rasgar a cortina de farrapos das nuvens do dia anterior, sendo solenemente anunciado por um galo-arauto das redondezas. O pássaro desconhecido continuava sua cantoria, mas agora apenas pontuava a algazarra dos bem-te-vis. O Rio de Janeiro é mesmo um lugar especial…)

    Pois é, não acho que meus pés e mãos ficariam bem estáticos, numa foto em um site. Eles são prosaicos demais, visualmente inexpressivos. Minhas mãos são quadradas, não alongadas, meus dedos são curtos e gorduchos. Os pés são pouco arqueados, os tornozelos um tantinho grossos demais. Seu momento de beleza acontece quando estão em movimento. São pés e mãos que agem, trabalham e cuidam, não têm muito valor parados.

    Meus pés agradam de modo intenso minha gata, pois ela adora que eu os estenda no ar para que ela possa esfregar sua maciez peluda neles. Temos um ritual matinal: quando acordo, ela já me aguarda na saída do quarto, e oferece imediatamente a barriga para o afago. Perfeitamente adestrada por ela, esfrego meu pé em seu pêlo, o que faz com que ela de pronto o abrace com as quatro patas, dando lambidas e mordiscadas amorosas nele. Depois ela dispara na minha frente em direção à cozinha e ao seu desjejum. Alimentada, ela novamente se esfrega em minha pernas e pés, num sinal de gratidão, e finalmente permite que eu tome meu café da manhã sossegada.

    Meus pés são assim, são pés próprios para serem usados numa carícia. Quando não há outro uso para eles, os dois me mantêm estabilizada e firmemente plantada no chão. São pés firmes, seguros, que não me deixam tropeçar.

    Da mesma forma são as minhas mãos: unhas mantidas curtas, pois quebram com facilidade, dedos ágeis e fortes, marcados pelos inúmeros pequenos cortes e queimaduras de mais de vinte anos na cozinha. Minhas mãos, tampouco, são bonitas em repouso. Elas se tornam bonitas quando trabalham; são velozes e capazes manuseando uma agulha de crochê ou fatiando frutas e legumes; são delicadas e precisas quando desenham ou quando costuram. São mãos amorosas com sua dona e – como os pés – sempre prontas para o carinho. Têm, os pés e as mãos, a mesma pele macia do resto do corpo, que nenhum produto de limpeza ou sapato apertado parece ser capaz de engrossar.

    A conclusão a que cheguei – com o sol firme no céu e a madrugada definitivamente encerrada pela manhã – é a de que meu corpo, seus pés e mãos e olhos e voz e ouvidos, é bom. Ágil, forte e bonito quando se move, ele todo é uma acolhida e um aconchego, o que deixa meu espírito sereno e contente, pois é isso mesmo que desejo ser.

    Decidi, nestas horas de meditação, que amo meu corpo. Ele é meu auxiliar e meu cúmplice nestes caminhos tortuosos que percorro. Quase nunca reclama dos maus-tratos que imponho a ele, e reage com alegria e prazer a cada pequeno agrado. Meu corpo, na verdade, é capaz de sobreviver com muito pouco, mas também decidi neste período que antecedeu a manhã do último dia desta – esperamos, esperamos, rezamos e pedimos – última internação de meu pai que ele precisa de mais.

    Saí daquele hospital determinada a diminuir os maus-tratos o quanto puder, e a cuidar melhor desta minha mula querida. Quero torná-la a cada dia mais capaz, mais forte e mais veloz – e mais bonita e feliz – para que ela possa acompanhar com passo leve a minha mente a cada lugar que ela decidir ir.

    Acho que também estou reagindo bem ao tratamento de meu pai…

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