Archive for the ‘alegria’ Category

  • Entrega

    Date: 2016.12.27 | Category: alegria, amor, beleza, encantamento | Response: 0

    Nunca fui mansa. Não sou mansa hoje, duvido que um dia eu seja mansa. Desde cedo me criei só, testando minhas forças e minha resistência sem apoio e sem ajuda.  Percorri a maior parte do caminho em companhia apenas do vento e de meus pensamentos. A quantos lugares belos e terríveis eu fui na companhia deles, mas de todos estes lugares eu voltei, inteira, para estar aqui.

    Meu temperamento é afogueado e guerreiro, e é justamente este fogo e esta força que me tornam a mais fiel das companheiras, a mais leal das amigas. Percorro qualquer distância, trabalho e luto até meu coração estourar para ajudar aos que amo. Não há simplismo possível no meu caso, é tudo complexo e multicor. Nada é lugar-comum, nem minhas qualidades nem meus defeitos.

    Tentaram, ao longo dos anos, me domesticar. Inútil. Sou indomada, não aceito arreio. A mão dura da conquista não me subjuga. Sou arisca, sou veloz e sou agressiva também. Ao menor sinal de cabresto eu empino, e se tentam o laço eu mordo e coiceio. A mão do afago e da paciência, por outro lado, me acalma. A nobreza e a força me atraem, a doçura me conquista, mas sempre quis os três, juntos. Não achando, caminhei sozinha.

    Segui sendo de um equilíbrio delicado, instável, que se desfaz e se recompõe como os caleidoscópios. Doía, às vezes, ser quem sou, me perguntava se algum dia alguém viria ao meu encontro sem me examinar como a um carro usado, procurando defeitos, antigas batidas, razões para reduzir o preço da compra…  Doía, porque não sabia se, mesmo diante do parceiro mais perfeito, eu saberia deixar de ser sozinha para ser um par.

    Eis que chega o momento da entrega, o momento que eu imaginava com um pouco de tremor, e não, não há nada a temer. Ele existe, é nobre, é doce, passou por tantos lugares terríveis quanto eu, talvez lugares ainda mais escuros e assustadores. Ele é forte, mas em vez do arreio, ele me oferece a mão. Mão que eu posso deixar um instante para investigar algo ali adiante e depois retornar, segura de que espera por mim. Ele destila minha doçura e estimula minha docilidade, justamente porque ama minha força.

    Agora é dele, é para ele, é por ele, cada batimento do meu coração.

  • Manifesto Anti-Feminista

    Date: 2016.12.03 | Category: alegria, amor, encantamento | Response: 0

    clarisse_e_os_homens

     

    “O homem. Como o homem é simpático. Ainda bem. O homem é nossa fonte de inspiração? É. O homem é nosso desafio? É. O homem é nosso inimigo? É. O homem é nosso rival estimulante? É. O homem é o nosso igual ao mesmo tempo inteiramente diferente? É. O homem é bonito? É. O homem é engraçado? É. O homem é um menino? É. O homem é também um pai? É. Nós brigamos com o homem? Brigamos. Nós não podemos passar sem o homem com quem brigamos? Não. Nós somos interessantes porque o homem gosta de mulher interessante? Somos. O homem é a pessoa com quem temos o diálogo mais importante? É. O homem é um chato? Também. Nós gostamos de ser chateadas pelo homem? Gostamos.

    Poderia continuar com esta lista interminável até meu diretor mandar parar. Mas acho que ninguém mais me mandaria parar. Pois penso que toquei num ponto nevrálgico, como o homem nos dói. E como a mulher dói no homem.” (LISPECTOR, Clarisse, A Descoberta do Mundo, p.30; Editora Rocco, RJ, 1999)

     

    Clarisse é Clarisse. Ela tem o olho clínico para tocar nestes pontos nevrálgicos. O homem. Esta criatura tão parecida comigo e tão diferente. Esse decifra-me ou te devoro ao qual a gente se entrega sem medo. Ou com muito, muito medo. Com alegria e com raiva e com tanta ternura. Aquele abraço, aquele aconchego, aquele olhar crítico e aquela fala sem dó. O martelo do meu cinzel, aquele que me impele. E que me trava também. O piso e o teto das minhas paredes.

    Como viver com ele é quase tão difícil de descobrir quanto como viver sem ele. Como se cuida de um homem sem se tornar sua mãe, e como deixar que ela a proteja sem se tornar sua filha? Como administrar esta diferença entre pares? Como caminhar junto sem fazer o outro tropeçar?

    O que sei é que é o homem que me define, da mesma forma que é a mulher que define o homem. É uma magia, é um milagre, é uma luta diária. É este chiaroscuro que coloca a vida em foco. Não consigo e não quero imaginar uma vida sem homens, ou com homens emasculados, que deixaram de ser aquilo que são.
    Definitivamente, não sou uma feminista.

  • Perpetuum Mobile

    Date: 2016.11.29 | Category: alegria, amizade, amor, contos, encantamento | Response: 0

    Ele era alto, corpulento. Quem o visse numa foto, barbudo e com um ar feroz, pensaria logo na expressão “voz de trovão”, mas ele era um homem gentil, de voz suave e bem modulada. Seu fogo era profundo, como o magma, só terremotos agitavam a casca de serenidade com força suficiente para fazê-lo entrar em erupção. Bagunceiro confesso, a mente sempre tentando escapar do corpo num devaneio. Amava os livros com paixão.

    Ela era de estatura mediana, curvas fartas, sorriso fácil. Adorava conversar. Muitos amigos, e ela os adorava, mas não era gregária. Multidões a incomodavam. Era uma gata. Como todo felino havia que ter seu momento de solitude, geralmente de madrugada, acompanhada da lua. Organizada e metódica, os potes de tempero da cozinha cuidadosamente etiquetados, as panelas arrumadas por tamanho, nas gavetas as roupas organizadas por cor. Amava livros com paixão.

    Pois livros têm esta característica de juntar. E eles se juntaram pelos livros, pelas letras, pelas palavras. Ficaram juntos pelas conversas, pelos filmes, pelas ideias. Os papos foram ficando mais longos, a vontade de se ver maior. Mas eles tinham esta polaridade estranha: a bagunça dele, a organização dela.

    A bagunça estava lá, perene, impossível de erradicar; o objeto imexível. A organização avançava em ondas, era o mar batendo naquele rochedo do caos; a força irresistível. Como todo o paradoxo, a tensão causa a paralisia. Nem o rochedo bloqueava o mar, nem o mar derrubava o rochedo.  E assim viviam, num moto-contínuo.

    Foram encontrados, de pé, imóveis, segurando a mesma lata de desodorante, em frente à prateleira de artigos de higiene bucal do supermercado. Meses depois, ainda agarrados à lata, ninguém sabe dizer se eles estão mortos ou não.

     

     

     

  • Oi!

    Date: 2014.04.10 | Category: alegria, Asas de Borboleta | Response: 4

    Já fiz isso umas tantas vezes ao longo do tempo em que este blog existe.  Chegar de mansinho, tirar a poeira, jogar fora as flores mortas, arrumar tudo bem bonitinho e chamar vocês todos de volta para minha casa.  Nunca demorei tanto, mas estou de volta. Que seja uma coisa boa, este voltar.

    Bem vindos ao Asa de Borboleta versão 2014. 🙂

  • Alegria Profunda

    Date: 2010.10.10 | Category: alegria, amor, mãe, pai | Response: 3

    Tem uns dias já que eu tenho pensado e falado muito dos meus pais. Tanto um quanto o outro foi embora deste mundo confuso, minha mãe há quase 25 anos, meu pai há quase quatro. Aqui no blog já falei deles umas tantas vezes, sempre com muito carinho, orgulho e saudade. Acho que falta, a esta mistura, falar deles também com alegria e gratidão. Mas é difícil encontrar as palavras certas…

    Afinal de contas, como se agradece aos pais aquele olhar rápido, mas cheio de orgulho, que nos dá esta força interna para resistir às trombadas da vida? Como eu digo a minha mãe que AQUELE colo, NAQUELE momento, me sustenta até hoje?  Como eu digo a meu pai que só a presença dele me tornava capaz de enfretar e matar qualquer dragão? Que apenas pensar nele ainda me dá esta força? Mesmo que estivessem aqui, acho que eles ficariam surpresos e até meio encabulados, nem se lembrariam destes momentos que me marcaram, porque o amor e a aceitação deles era um pano de fundo em que nenhum de nós prestava muita atenção, apenas estava lá.

    Só que, nestes tempos de pais que jogam os filhos pela janela e filhos que matam pais a porretadas, eu me vejo como alguém que ganhou uma loteria existencial, que tirou a sorte grande, e nem sabia. Porque para mim, até pouco tempo atrás, este tesouro que herdei de meus pais era apenas a vida normal de uma família… família é assim mesmo, não é?

    Não, infelizmente não é. Hoje eu velo com alegria profunda, veneração e até um pouco de espanto esta maravilha que Deus me deu… um pai amigo, valente e sorridente, uma mãe amorosa e atenta, todos dois com o riso solto e o carinho fácil. Nossa! Eu mereço mesmo isso? Como faço para agradecer?  As palavras, mesmo que eu escrevesse aqui por horas e horas mais, não seriam suficientes nem capazes de passar a vocês o que eu sinto por meus pais. Mas o pessoal do Secret Garden conseguiu, nesta música.

    Neste Domingo branco e quieto, no sossego do meu quarto, eu queria dar a meus pais este presente.  Porque eles realmente me sustentam e me elevam, hoje e sempre.

    When I am down and, oh my soul, so weary;
    When troubles come and my heart burdened be;
    Then I am still and wait here in the silence,
    Until you come and sit awhile with me.

    You raise me up so I can stand on mountains;
    You raise me up to walk on stormy seas;
    I am strong when I am on your shoulders;
    You raise me up to more than I can be.

    You raise me up so I can stand on mountains;
    You raise me up to walk on stormy seas;
    I am strong when I am on your shoulders;
    You raise me up to more than I can be.

    There is no life, no life without its hunger;
    Each restless heart beats so imperfectly;
    But when you come and I am filled with wonder,
    Sometimes I think I glimpse eternity.

    You raise me up so I can stand on mountains;
    You raise me up to walk on stormy seas;
    I am strong when I am on your shoulders;
    You raise me up to more than I can be.

    You raise me up so I can stand on mountains;
    You raise me up to walk on stormy seas;
    I am strong when I am on your shoulders;
    You raise me up to more than I can be.

  • Uma pedra no meio do caminho

    Date: 2010.09.11 | Category: alegria, amizade, Asas de Borboleta, esperança, vida interior | Response: 4

    Photobucket

    Um belo dia (estava bonito mesmo, aquele dia) eu ganhei uma pedra. É, uma pedra, esta que está na foto acima. Um presente fora do comum, porque não foi atirado na minha direção com intenção de ferir, nem de quebrar qualquer coisa que eu possua. Foi um presente diferente mesmo, que marcou um dia diferente.

    Guardei esta pedra por alguns anos – é, já passaram anos desde então, que coisa! – e faz um tempo eu a tirei de junto de minhas plantas, onde ela mora, e fiquei a contemplá-la. Lembrei da frase que escutei de meu amigo, quando recebi o presente. Uma frase simples que em mim se transformou numa meditaçào um pouco mais complicada.

    Vocês vejam, nestes anos que se passaram, enquanto meu presente dormia na prateleira, eu lutei muitas lutas. MInha vida modificou um bocado, e em parte por isso tenho postado tão pouco. Nada disso meu amigo sabia, nem eu, quando me presenteou. Ele simplesmente viu, numa pedra largada na beira de um rio, algo que ninguém tinha visto, me mostrou e me presenteou com a visão. Durante algum tempo eu a perdi, esta bonita visão. Outro dia ela me bateu forte, e eu entendi que muito da dureza porque passamos é para conquistar esta beleza, e que nada é apenas o que parece ser. Com a volta da visão, voltou a alegria.

    Sabem o que meu amigo me disse, quando me presenteou com uma pedra? “toma uma borboleta para você.”

    Pois aqui está a borboleta, querido, como eu a vejo agora. Espero que goste.

    Photobucket

  • Borboletas da Alma

    Date: 2008.11.19 | Category: alegria, animais, Asas de Borboleta, encantamento, esperança, vida interior | Response: 0

    ELUSIVE BUTTERFLY
    (Words and Music by Bob Lind)

    You might wake up some mornin’
    To the sound of something moving past your window in the wind
    And if you’re quick enough to rise
    You’ll catch a fleeting glimpse of someone’s fading shadow

    Out on the new horizon
    You may see the floating motion of a distant pair of wings
    And if the sleep has left your ears
    You might hear footsteps running through an open meadow

    Don’t be concerned, it will not harm you
    It’s only me pursuing somethin’ I’m not sure of
    Across my dreams with nets of wonder
    I chase the bright elusive butterfly of love

    You might have heard my footsteps
    Echo softly in the distance through the canyons of your mind
    I might have even called your name
    As I ran searching after something to believe in

    You might have seen me runnin’
    Through the long-abandoned ruins of the dreams you left behind
    If you remember something there
    That glided past you followed close by heavy breathin’

    Don’t be concerned, it will not harm you
    It’s only me pursuing somethin’ I’m not sure of
    Across my dreams with nets of wonder
    I chase the bright elusive butterfly of love

    Across my dreams with nets of wonder
    I chase the bright elusive butterfly of love

    Assuntos aparentemente sem relação surgiram hoje, voaram em círculos dentro de mim e acabaram por se mesclar de forma a gerar este post. Não estou certa de fazer sentido, de ser clara, espero que meus amigos e leitores tenham paciência para seguir o vôo um tanto irregular destas palavras… mas assim mesmo são as borboletas.

    Um: é fato que minha família ascendente já partiu toda deste mundo; por mais que eu os amasse e cuidasse deles no limite máximo das minhas faculdades, simplesmente não pude impedi-los de partir. Quem lê o Asa sabe também que não tenho filhos; apesar de tê-los desejado por toda a vida, simplesmente não vieram. Portanto, falar da minha família, que é coisa muito cara e importante para mim, geralmente significa falar de morte, ausência e falta. Apesar disto falo constantemente de meus mortos, mesmo sabendo que para os leitores isto pode parecer depressivo e mórbido, ainda que para mim não seja.

    Dois: As borboletas monarca, todo mês de outubro, migram das florestas do Canadá e Estados Unidos para se congregarem nas sierras mexicanas, para esperar a passagem do inverno. São dezenas de milhões de borboletas agrupadas em uma única extensão de floresta, fazendo arabescos pelo ar e maravilhando quem as vê. O povo simples da região acredita que estas borboletas – que chegam lá próximo ao Dia de Finados – são as almas de seus mortos voltando para casa.

    Três: Minha irmã hoje sonhou com nossos pais e tios, numa grande casa que ela descreveu como sendo muito grande e o amálgama de muitas casas onde moramos. Eu já sonhei com uma grande casa de fazenda, onde haviam pessoas de minha família a me aguardar. Seja como for, eu e ela ocasionalmente somos agraciadas com a possibilidade de visitar em sonhos a casa de nossos ancestrais na grande Casa do Pai. Estas visitas são doces, para mim e para ela, mas deixam um travo de saudade e de vontade de estar mais junto daqueles que amamos e partiram. Nesta época de Advento, de preparação para o nascimento daquele que formou com seus pais a Sagrada Família, o travo fica mais agridoce e presente. Tudo que fazemos nos lembra nossos pais e nossa infância.

    Quatro: O desflorestamento no México está ameaçando as borboletas Monarca de extinção. A organização americana Ecolife Foundation está tentando reverter esta situação através de reflorestamento, construção de fornos a lenha (que são aqueles que a população de grande parte do mundo ainda usa) mais eficientes e conscientização da população local. É um trabalho muito bonito, que merece nosso apoio. Visitem o site e ajudem, se puderem. O filme acima é produzido por eles.

    Como cheguei de lá até aqui? Fiquei a pensar na conversa que tive com minha irmã, meditando sobre como explicar a ela e a mim mesma esta importância de nossos mortos, esta vontade de estar com eles, esta alegria serena mesclada de saudade, esta vontade de rever que não tem revolta. Deitada em minha cama, escutando música e pensando neste dia chuvoso, olhei para minha luminária que, é claro, tem recortada nela uma revoada de borboletas. Pensei que esta é uma imagem que me agrada, a de andar pela vida com as almas-borboleta de meus mortos fazendo cabriolas dentro de mim. Fui procurar no You Tube por um vídeo de revoada de borboletas e cheguei na fundação e nas Monarca.

    Pensei que, afinal de contas, esta revoada de borboletas, tanto na alma quanto no México, acabam por ser uma coisa só. Fiquei extremamente feliz, e ainda mais concentrada nas minhas borboletas da alma. Ao mesmo tempo, mal posso esperar pela vida, pelas novas pessoas que vou conhecer e que talvez até virem família. Faz sentido? Pois é.

  • Flor de Flamboyant (ou Com o Coração em Brasa)

    Date: 2007.11.18 | Category: alegria, amor, encantamento, minerin-candango, saudade | Response: 0

    Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket

    Desta vez a visita ao cerrado não foi colorida pelas flores do ipê, mas o coração foi aquecido pela floração do passional flamboyant. A cidade estava toda verde folha e vermelho paixão. Achei apropriado que este vermelho intenso fosse testemunha dos nossos encontros. Apropriado e lindo.

    Agora, além de um imenso ipê-roxo, todo florido, residindo em meu coração, há no caminho que leva a ele um tapete de lindas flores vermelhas de flamboyant, macio leito onde me deito para divagar sobre o amado e matar as saudades dentro de mim.

    Amado, outras flores estarão brotando quando nos encontrarmos novamente, ou talvez os frutos já estejam madurando nas árvores. Mas, como borboleta que sou, levo comigo o pólem destas flores que enfeitaram o nosso começo. Com este pólem hei de fazer sua vida mais doce, colorida e perfumada, como você merece.

    Porque é preciso mostrar no concreto aquilo que se manifesta no etéreo de nosso sentimento. Preciso dizer com palavras e mostrar com gestos o que sei. E eu sei, bem sabido, que te amo, te desejo, te admiro e respeito. Sei que adoraria ficar com você até estar bem velhinha, amando você todo e cada dia daqui até o final de nossas vidas. Sei que eu lutaria do seu lado, com todas as minhas forças e toda a minha alegria, da forma que você me pedisse. Sei que viveria com você em qualquer lugar, dentro das posses do nosso trabalho conjunto, na maior felicidade. Sei com um frio na barriga que a minha felicidade está nas suas mãos.

    Pois em nome disto vou tentar enquanto estivermos separados que minhas certezas, meus medos, a alegria de estarmos juntos e a tristeza de estarmos separados, o roxo do ipê e o vermelho do flamboyant se misturem da maneira mais bonita que eu conseguir para presentear seu coração. Cuida dele até que eu possa estar perto e me certificar que tudo está bem, pessoalmente. Sei que não é preciso dizer, mas não custa repetir: te amo. Fica bem.

  • Maneiras de expressar amor

    Date: 2007.11.12 | Category: alegria, amor, encantamento, esperança, minerin-candango | Response: 3

    São tantas quantas as pessoas que já nasceram, mais talvez, se pensarmos que nem sempre expressamos amor da mesma forma ao longo da vida. Eu, que me expresso basicamente por palavas, estou aprendendo com ele a entender pequenos gestos e linguagem corporal muito sutil. Eu, que sou expansiva e exagerada, passional, estou aprendendo a respeitar o silêncio e os toques suaves, leves.

    Meu minerin-candango é silencioso, ele comunica mais pelo olhar que pelas palavras, com as quais ele tem um relacionamento hesitante. A força do olhar dele, no entanto, é irresistível. Um brilho de entusiasmo, um apertar carinhoso dos cantos dos olhos, um atento e discreto olhar de viés quando falo com outros… Uma linguagem toda nova que estou adorando aprender.

    O vocabulário estou aprendendo com a facilidade que a contemplação amorosa me dá. Eu já sei o que significam tantos gestos, tantos olhares. A gramática da alma do outro, no entanto, é uma aventura que leva uma vida inteira para levar a cabo. Uma aventura, amado, que eu quero muito começar com você, o mais rápido que puder, e para sempre.

    Amor de Índio
    Beto Guedes – Ronaldo Bastos

    Tudo que move é sagrado
    E remove as montanhas
    Com todo cuidado, meu amor
    Enquanto a chama arder
    Todo dia te ver passar
    Tudo viver a teu lado
    Com o arco da promessa
    Do azul pintado pra durar
    Abelha fazendo mel
    Vale o tempo que não voou
    A estrela caiu do céu
    O pedido que se pensou
    O destino que se cumpriu
    De sentir seu calor e ser todo
    Todo dia é de viver
    Para ser o que for e ser tudo
    Sim, todo amor é sagrado
    E o fruto do trabalho
    É mais que sagrado, meu amor
    A massa que faz o pão
    Vale a luz do seu suor
    Lembra que o sono é sagrado
    E alimenta de horizontes
    O tempo acordado de viver
    No inverno te proteger
    No verão sair pra pescar
    No outono te conhecer
    Primavera poder gostar
    No estio me derreter
    Pra na chuva dançar e andar junto
    O destino que se cumpriu
    De sentir seu calor e ser tudo

  • Desejos

    Date: 2007.11.10 | Category: alegria, amor, encantamento, minerin-candango | Response: 0

    Hoje, para mim, “quero” é o verbo mais bonito do português. É o verbo que me tranquiliza, que me faz aceitar os limites, a distância, as dificuldades. Nada se compara a saber-se querida, ainda que nossas vidas corram paralelas, com pequenos hiatos de encontro entre grandes espaços de saudade.

    Hoje estou aqui, amanhã volto obrigatoriamente para minha vida normal. Mas volto com um olhar e um diálogo gravados na alma: “Afinal de contas, você me quer? Quero.”

    Who Wants To Live Forever (Queen)

    There’s no time for us,
    There’s no place for us…
    What is this thing that builds our dreams
    Yet slips away from us?

    Who wants to live forever?
    Who wants to live forever…?

    There’s no chance for us,
    It’s all decided for us,
    This world has only one sweet moment
    Set aside for us.

    Who wants to live forever?
    Who wants to live forever?…

    Who dares to love forever
    When love must die?

    But touch my tears with your lips,
    Touch my warmth with your fingertips
    And we can have forever
    And we can love forever
    Forever is ours today

    Who wants to live forever?
    Who wants to live forever?
    Forever is our today…
    Who waits forever anyway?

    Quem gostaria de viver para sempre
    (Queen – tradução livre minha, para você, amado)

    Não há tempo para nós,
    Nem lugar para nós…
    O que é isto que constrói nossos sonhos
    E no entanto foge de nós?

    Quem gostaria de viver para sempre?
    Quem gostaria de viver para sempre…?

    Não há chance para nós,
    Tudo já foi decidido por nós,
    Este mundo só tem um doce instante
    Reservado para nós.

    Quem gostaria de viver para sempre?
    Quem gostaria de viver para sempre…?

    Quem ousaria amar para sempre
    Quando o amor tem de morrer?

    Mas toque meu pranto com seus lábios,
    Toque meu calor com a ponta de seus dedos
    E podemos ter o sempre,
    E podemos amar para sempre.
    “Para Sempre” é nosso hoje.

    Quem gostaria de viver para sempre?
    Quem gostaria de viver para sempre?
    “Para Sempre” é nosso hoje…
    E quem é mesmo que espera para sempre?

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