Archive for the ‘alegria’ Category

  • A Chuva

    Date: 2007.11.09 | Category: alegria, vida interior | Response: 0

    Aqui no planalto não chove como no Rio. No Rio, a chuva chega ameaçadora, trazendo medo, com nuvens pesadas e escuras que chegam para ficar dias. A chuva aqui é como uma oferenda, como uma entrega amorosa. Devagarinho algumas nuvens vêm chegando lá de longe, se juntam numa lenta procissão umas às outras, os pingos começam a cair lentos e espaçados, quase o preâmbulo de uma cerimônia solene.

    Em alguns minutos muda o andamento da cerimônia: cai um aguaceiro feroz, o vento forte faz as copas das mangueiras chacoalharem como de alegria, a água na calha, correndo pela corrente que a guia para o chão, faz uma cantoria pontuada pelos trovões graves e longos que rolam as nuvens adiante. Porque adiante as nuvens andam, e logo não há mais chuva, só o frescor e a alegria deixada pela sua passagem.

    Em meia hora a festa se encerra, e a única testemunha do meu encanto é um pardal solitário, que veio tomar banho de chuva no gramado dos fundos da casa, amigo ocasional que logo levanta vôo para se juntar aos outros pássaros que comemoram a visita da chuva no alto do céu.

  • Guardiães do Cerrado

    Date: 2007.11.08 | Category: alegria, amor, esperança, minerin-candango, vida interior | Response: 0

    Já choveu aqui umas poucas vezes desde a última visita. A grama agora está verde, as copas das árvores cheias de folhas novas e brilhantes. Os pássaros planam como a brincar no ar seco e limpo da poeira. As nuvens desfilam lentamente por este céu imenso, ainda indecisas se vão partir ou ficar.

    Este céu, este céu… ele e as árvores retorcidas e inclinadas do cerrado, sempre parecendo marchar juntas numa mesma direção, são os guardiães desta terra cheia de contrastes. São eles também os guardiães do meu sentimento, tão grande, tão grande, imenso como o céu de Brasília, passeando tranquilo pelo meu coração como as fofas e brancas nuvens voando altas acima da minha cabeça.

    Estou tranquila, o coração explodindo em flor. Em flor roxa de ipê. Isso tudo que estou sentindo acho que só posso chamar de plenitude. Plena de mim, plena da presença dele, plena do céu do planalto. Plenamente feliz.

  • Coroa de flores de ipê

    Date: 2007.10.21 | Category: alegria, amor, esperança, minerin-candango, saudade, vida interior | Response: 1

    Meu lindo minerin-candango, você vive longe de mim, não posso estar sempre que quero olhando fundo nos seus olhos. Eles estão, entretanto, dentro de mim; toda vez que fecho os meus olhos é para ter você me fitando dentro da minha retina, com suas duas fundas piscinas escuras, de águas limpas como os lagos subterrâneos de algumas cavernas.

    Entendo, entendo tudo que você não pode dizer. Quanto ao que gostaria de dizer, bem, o charmoso Jorge Aragão já falou por mim em sua cantoria mansa. Então tem recado dele para você.

    Lucidez

    Por favor!
    Não me olhe assim
    Se não for
    Por viver só prá mim…

    Aliás!
    Se isso acontecer
    Tanto faz
    Já me fiz por merecer…

    Mas cuidado não vá se entregar
    Nosso caso não pode vazar
    E tão bom se querer
    Sem saber
    Como vai terminar…

    Onde a lucidez se aninhar
    Pode deixar
    Quando a solidão apertar
    Olhe pro lado
    Olhe pro lado
    Eu estarei por lá…

  • Devaneios

    Date: 2007.10.19 | Category: alegria, vida interior | Response: 0

    Os homens nem sempre entendem porque é que as mulheres gostam tanto de se enfeitar, ou porque passam tanto tempo se vestindo, mesmo que seja para uma atividade normal, num dia comum.

    Eu hoje pensei sobre isto algumas vezes, porque hoje eu quis me enfeitar. Mais que me enfeitar, quis ser uma Sue diferente, uma nova persona, só por causa de uma bata verde. Uma bata verde-bandeira, solta, leve, gostosa, que tomei emprestado de minha irmã. Essa peça de roupa hoje me levou a passear.

    Juntas fomos longe, a um tempo distante, com hippies sentados na grama, cantando “Give Peace a Chance”… pois foi a esta bata que eu juntei uma calça confortável e gostosa que tenho, verde beeemmm clarinha, um colar com uma grande flor de metal dourado, um brinco de argolas e uma faixa de cabelo de crochê que eu mesma fiz, em uma linha cor de algodão cru com muitas e muitas folhinhas verdes penduradas. E lá fui eu para 1969, cheirando a flor de laranja, com uma flor no peito e com a cabeça cheia de folhas. Verde, toda verde.

    Depois de pensar, acho que sei porque as mulheres gostam de se enfeitar… porque neste momento somos as bonecas de nós mesmas, e é neste momento mais que qualquer outro que ficamos livres para sonhar.

  • Enchendo as lacunas

    Date: 2007.10.04 | Category: alegria, amor, vida interior | Response: 2

    O meu amigo Evandro Ferreira é uma pessoa especial que a Internet me deu de presente. Nos conhecemos numa lista de comentários de um blog, imediatamente iniciando uma bela argumentação a respeito das nossas opiniões divergentes. O fato de não ter virado briga – porque Evandro é o Lorde Fofinho, querido, um gentleman que não briga nunca – acabou por nos tornar amigos, e o motivo da discussão se perdeu no pó da estrada.

    Outro dia eu atualizei meus links da coluna da direita do Asa, e redescobri a alegria de ler os textos do Evandro. Passei a acessar os blogs dele regularmente, no ritmo que minha atual vida alucinada me permite. Ontem, portanto, achei o post “Coisa mais linda do mundo”, linkado no post logo aí embaixo. Como é uma declaração de amor com conteúdo, de verdade, me emocionou muito.

    Deixei um comentário falando o quanto era bonito ver este amor, mas pedindo a ele que não me fizesse chorar. O querido me pediu desculpas, e tivemos uma MARAVILHOSA troca de e-mails ontem de noite, que tenho certeza aliviou meu trabalho noturno e o dele. O Evandro postou o e-mail dele no post Para uma borboleta e me senti na obrigação de preencher as lacunas, colocando meu e-mail anterior no Asa:

    “Querido,

    Uma cachoeira não se desculpa por espirrar água linda, ruidosa e abundantemente sobre os visitantes, uma rosa nem esquenta de espetar os dedos dos seus admiradores mais audaciosos. Você não precisa se desculpar por ser lindo, meu amigo.

    Mas que eu chorei, chorei. Choro agridoce de beleza misturado com tristeza.

    Comecei pensando que você é um afortunado de ter encontrado um amor assim, mas eu estava errada e eu mesma me corrigi: este amor lindo assim vem de dentro de você, já estava aí, a Henrie o merecia e então o encontrou, e veça-virse. Vocês dois são de uma lindeza que deixa a gente embargada…

    Depois eu pensei em tudo e o tanto que já perdi na vida, no tanto que minha mão amiga já levou tapas pela internet, o tanto que eu procuro um homem que aceite meu amor, sem encontrar (me pergunto se eu mereço ter um amor assim…) e aí fiquei bem triste.

    Foi então que eu lembrei que você e a Henrie e a Melinda fazem parte de minha vida, e isso me consolou.

    Ainda estou com o coração apertado, mas não choro mais.

    Amo muito você, acho que nunca disse isso com todas as letras, mas é verdade.”

    Pois é isso que é amor, que é amizade, queridos amigos do Asa, é sentir o outro como um presente, “a energia que faz nosso coração mais feliz” como meu amigo Evandro escreveu. É saber que a distância dói, mas doeria mais a ausência da pessoa amiga em nossas vidas. É aceitar o outro inteiro, mais que isto, sentir de verdade que o outro não poderia ser diferente do que é, que está certinho do jeito que está.

    Por isso é que eu acho que tanto eu quanto ele, primeiro em separado e depois conversando juntos por e-mail, decidimos tornar estas mensagens públicas: porque queremos que as pessoas vejam e saibam que no meio desta tumultuada corrente de gente que passa e some sem deixar rastro, gente que usa e abusa, gente que não liga, encontramos um AMIGO.

    É uma coisa muito preciosa.

  • Redescobrindo Evandro

    Date: 2007.10.03 | Category: alegria, amor, saudade, vida interior | Response: 0

    Houve uma época em que nos falávamos sempre pelo telefone, às vezes horas. Nestas conversas consertamos o mundo e montamos o Outonos. Desde então, muita coisa na nossa vida mudou, mas o amor e a admiração que eu sinto por ele só fazem aumentar.

    Eu não vou falar mais nada não, vão vocês e descubram porque estou aqui enxugando lágrimas e sorrindo e morrendo de vontade de dar um abraço nele.

  • O andar da carruagem

    Date: 2007.09.30 | Category: alegria, amor, esperança, vida interior | Response: 0

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    Há mais de três anos eu o convidei para dançar, antes que ele estivesse preparado para dizer sim, e a dança não aconteceu. Deixei-o livre, ele retornou à minha vida meses atrás, diferente. Mais próximo de um outro jeito. A dança continuou sem acontecer. Continuei a deixá-lo livre, bicho solto que é.

    Hoje me despedi dele mais uma vez, numa cidade mais perto do céu que a minha. Hoje – e eu digo isto feliz e tranquila – sou a “menina sua amiga”, e pretendo usufruir o quanto puder deste amor que não vai embora que é a amizade. Deixando-o livre, sempre, cada vez mais livre – e mais confortável, espero.

    Só que a música continua tocando em meu coração, meu amigo. Algum dia vamos fazer jus a ela e finalmente dançar? Ainda acho que vai ser uma coisa linda para lembrarmos (e lembrarmo-nos), tanto quanto tem sido lindo imaginar.

    E, hoje, este é o andar da carruagem.

  • Assim caminha a humanidade

    Date: 2007.09.25 | Category: alegria, amor, animais, saudade | Response: 0

    Ou o mundo fica cada dia mais maluco ou sou eu que me perco nele, por pura incompetência cognitiva. Entretanto, há momentos que meus amigos correm em meu socorro e iluminam a coisa um pouco para mim.

    Um destes momentos iluminados acabei de receber lendo o Agonizando 2 do meu amigo Evandro Ferreira (link na coluna da direita – eu disse DIREITA, Evandro! risos). Vejam só esse texto. No blog dele tem ainda o FILME, que é um ensaio filosófico profundo. Só mesmo um pensador como o Evandro podia me sair com um post destes.

    Amigo, saudades. Entregue à sua mais linda namorada e à sua cachorrinha mais amada beijos meus. Logo estaremos juntos novamente, viu?

    Leitores do Asa: leiam, vejam, aprendam.

    “Conhecimento e fofura September 15, 2007

    A vida é uma coisa interessante.

    Hoje me peguei subindo o elevador. No chão, um contêiner com minha cadelinha. Em uma das mãos, uma mantinha xadrez, laranja e branca. Sobre a mantinha, um livro de filosofia política de Eric Voegelin. Na outra mão, o Pipi Dolly’s dela.”

  • Fanzine

    Date: 2006.02.21 | Category: alegria, esperança, espírito | Response: 0

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    Eles vieram a SP, como tinham estado no Rio. Nas duas vezes eu não fui, por motivos parecidos. Queria que o conjunto tivesse aquela visceralidade inocente dos primeiros anos, queria que a coisa toda fosse mais primitiva e menos “zooropa”. Não queria ver o Bono saltitando vestido de terno prateado. Não queria participar da “índústria do showbusiness”.

    Parece que o tempo passou e a crise de adolescência da banda também. Eu pude ver pela TV uma banda que me emocionou pela declarada alegria de estar ali, pela falta de vontade de ir embora. E, na hora que eles foram realmente embora, o gesto singelo de colocar o terço sobre o pedestal do microfone e saudar o Senhor me fez chorar.

    Katilce podia estar muito contente, mas duvido que estivesse mais FELIZ que eu enquanto a multidão, sem saber, louvava a Deus em altos brados, e toda aquela vozeria subia aos céus inocente, vital e forte, massas de vozes em coro pedindo a Jesus libertação.

    Que os anjos digam amém.

    40

    I waited patiently for the Lord.
    He inclined and heard my cry.
    He brought me up out of the pit
    Out of the miry clay.

    I will sing, sing a new song.
    I will sing, sing a new song.
    How long to sing this song?
    How long to sing this song?
    How long, how long, how long
    How long to sing this song?

    You set my feet upon a rock
    And made my footsteps firm.
    Many will see, many will see and hear.

    I will sing, sing a new song.
    I will sing, sing a new song
    I will sing, sing a new song.
    I will sing, sing a new song

    How long to sing this song?
    How long to sing this song?
    How long to sing this song?
    How long to sing this song?

  • Um Certo Cansaço

    Date: 2004.10.18 | Category: alegria, amor, Asas de Borboleta | Response: 0

    A vida tem coisas espetaculares. As ditas coincidências que nos levam a dobrar uma esquina e dar de cara com uma alma gêmea, O gesto inesperado de apoio e carinho vindo de uma pessoa com quem não se contava. Um dia que nasce esplendoroso de dentro de uma noite chuvosa. A precisão quase geométrica das pétalas de uma rosa. Tem muita coisa que faz com que se olhe em volta e diga: Deus fez tudo muito bem feitinho…

    Mas tem gente que parece ter como ocupação profissional transformar o bonito em feio, o milagre em corriqueiro, a vida em tédio. Alguns por falta de um olhar mais caridoso para si e para o mundo, alguns atormentados por tarefas prementes desta nossa época agitada, outros simplesmente porque sofrem de azedume crônico da alma. Entretanto, há pessoas demais assim, e as almas mais líricas sofrem com os constantes baldes de água fria a lhe jogarem no rosto.

    Hoje, se fosse possível, gostaria que todos que lessem isto tentassem olhar longamente e em silêncio para algo bem bonito – pode ser esta rosa aí em cima – e deixassem que a mensagem que está oculta nesta beleza se revelasse diantede seus olhos.

    “The most incredible things about miracles is that they happen. A few clouds in heaven do come together into the staring shape of one human eye. A tree does stand up in the landscape of a doubtful journey in the exact shape of a note of interrogation. I have seen both these things myself within the las few days. Nelson does die in the instant of victory; and a man named Williams does quite accidentally murder a man named Williamson; it sounds like a sort of infanticide. In short, there is in life a sort of elfin coincidence which people reckoning on the prosaic may perpetually miss. As it has been well expressed in the paradox of Poe, wisdom should reckon on the unforeseen.” (G.K. Chesterton – Father Brown Stories – Penguin Popular Classics – p. 07)

    “A coisa mais incrível a respeito dos milagres é que eles acontecem. Algumas nuvens no céu se juntam, sim, na forma de um olho humano a encarar. Uma árvore se destaca, sim, da paisagem de uma jornada dúbia, na forma exata de um ponto de interrogação. Eu mesmo vi estas duas coisas nos últimos dias. Nelson realmente morre no instante da vitória; e um homem chamado Williams, por puro acidente, pode, sim, assassinar um homem chamado Williamson (“Filho de William”); soa como uma espécie de infanticídio. Em suma, existe na vida uma espécie de coincidência mágica que as pessoas que raciocinam com o prosaico perpetuamente ignoram. Como já foi bem expresso no paradoxo de Poe, a sabedoria tem de levar em conta o imprevisto.” (tradução minha)

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