Archive for the ‘vida interior’ Category

  • Date: 2007.11.16 | Category: amor, saudade, vida interior | Response: 0

    Indo embora

    Minha estada no cerrado foi doce e amarga, como sempre, porque há todo dia a consciência de que terei de partir. Hoje, o que ficava no fundo da consciência como uma leve dor de cabeça – aquela que conseguimos ignorar a maior parte do tempo – explodiu em dor aguda e insuportável. O que era daqui a uns dias virou hoje. É dia de partir, é dia de doer o coração.

    Como Deus nunca me abandona, meu querido e antigo amigo blogueiro Marcos (olá, querido, saudades!) me presenteou nos comentários com uma poesia de Alberto Caeiro que funcionou como um verdadeiro analgésico da alma. Obrigada, querido, o poema é tão lindo que resolvi repeti-lo no post de hoje:

    O amor é uma companhia.
    Já não sei andar só pelos caminhos,
    Porque já não posso andar só.
    Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
    E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.

    Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
    E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
    Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
    Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.

    Todo eu sou qualquer força que me abandona.
    Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.

    Meu homem-ipê, esta árvore alta que vira menino encabulado quando estou perto, até logo. Que o logo seja realmente logo mas, se não for, saiba que o levo verdadeiramente comigo, você está entronizado dentro do meu coração de tal forma que onde eu estiver, lá estará você. Que Deus permita que eu seja seu girassol agora e para todo o sempre.

    Lá vem a solidão desacompanhada do Rio de Janeiro. Que eu tenha forças para suportar.

  • Date: 2007.11.14 | Category: amor, minerin-candango, vida interior | Response: 1

    Promessas e Comprometimentos

    Nossos encontros e a maneira que eu penso nele quando não está comigo são tão pontuados por música que eu estou, literalmente, montando um CD com as MP3 todas, descobrindo não muito surpresa que já passaram de noventa músicas… Algumas delas são tão cardinais das direções que meu carinho por ele se desenvolve que eu acabo postando aqui.

    Pois eis que chegou a hora de fazer promessas, de estabelecer parâmetros, de dar os passos para o lado e para trás para que seja possível andar para frente em compasso. Sei que ele, do seu jeito silencioso, está o tempo todo medindo e pensando. Sei que tem medo da distância física, dos problemas todos, do passado de um e de outro.

    Amado, que dizer? Você já sabe o quanto eu te quero…
    Quer tempo? eu espero.
    Quer silêncio? eu calo.
    Quer pisar no freio? eu desacelero.
    Quer saber se eu me adapto? a quase tudo.
    Quer pensar na melhor forma de seguir? Que tal juntos?

    Ah, sabe que mais? Uma música, mais uma vez, já disse tudo.

    Dia Branco
    Geraldo Azevedo / Renato Rocha

    Se você vier
    Pro que der e vier
    Comigo…

    Eu te prometo o sol,
    Se hoje o sol sair,
    Ou a chuva…
    Se a chuva cair.

    Se você vier,
    Até onde a gente chegar,
    Numa praça na beira do mar,
    Um pedaço de qualquer lugar…

    Nesse dia branco,
    Se branco ele for,
    Esse tanto, esse canto de amor
    Oh! oh! oh!…

    Se você quiser e vier
    Pro que der e vier
    Comigo…

    Se você vier
    Pro que der e vier
    Comigo…

    Te prometo o sol,
    Se hoje o sol sair,
    Ou a chuva…
    Se a chuva cair.

    Se você vier,
    Até onde a gente chegar,
    Numa praça na beira do mar,
    Num pedaço de qualquer lugar…

    Nesse dia branco,
    Se branco ele for,
    Esse tanto, esse tonto,
    Esse tão grande amor,
    Grande amor…

    Se você quiser e vier
    Pro que der e vier
    Comigo…

  • A Chuva

    Date: 2007.11.09 | Category: alegria, vida interior | Response: 0

    Aqui no planalto não chove como no Rio. No Rio, a chuva chega ameaçadora, trazendo medo, com nuvens pesadas e escuras que chegam para ficar dias. A chuva aqui é como uma oferenda, como uma entrega amorosa. Devagarinho algumas nuvens vêm chegando lá de longe, se juntam numa lenta procissão umas às outras, os pingos começam a cair lentos e espaçados, quase o preâmbulo de uma cerimônia solene.

    Em alguns minutos muda o andamento da cerimônia: cai um aguaceiro feroz, o vento forte faz as copas das mangueiras chacoalharem como de alegria, a água na calha, correndo pela corrente que a guia para o chão, faz uma cantoria pontuada pelos trovões graves e longos que rolam as nuvens adiante. Porque adiante as nuvens andam, e logo não há mais chuva, só o frescor e a alegria deixada pela sua passagem.

    Em meia hora a festa se encerra, e a única testemunha do meu encanto é um pardal solitário, que veio tomar banho de chuva no gramado dos fundos da casa, amigo ocasional que logo levanta vôo para se juntar aos outros pássaros que comemoram a visita da chuva no alto do céu.

  • Guardiães do Cerrado

    Date: 2007.11.08 | Category: alegria, amor, esperança, minerin-candango, vida interior | Response: 0

    Já choveu aqui umas poucas vezes desde a última visita. A grama agora está verde, as copas das árvores cheias de folhas novas e brilhantes. Os pássaros planam como a brincar no ar seco e limpo da poeira. As nuvens desfilam lentamente por este céu imenso, ainda indecisas se vão partir ou ficar.

    Este céu, este céu… ele e as árvores retorcidas e inclinadas do cerrado, sempre parecendo marchar juntas numa mesma direção, são os guardiães desta terra cheia de contrastes. São eles também os guardiães do meu sentimento, tão grande, tão grande, imenso como o céu de Brasília, passeando tranquilo pelo meu coração como as fofas e brancas nuvens voando altas acima da minha cabeça.

    Estou tranquila, o coração explodindo em flor. Em flor roxa de ipê. Isso tudo que estou sentindo acho que só posso chamar de plenitude. Plena de mim, plena da presença dele, plena do céu do planalto. Plenamente feliz.

  • Coroa de flores de ipê

    Date: 2007.10.21 | Category: alegria, amor, esperança, minerin-candango, saudade, vida interior | Response: 1

    Meu lindo minerin-candango, você vive longe de mim, não posso estar sempre que quero olhando fundo nos seus olhos. Eles estão, entretanto, dentro de mim; toda vez que fecho os meus olhos é para ter você me fitando dentro da minha retina, com suas duas fundas piscinas escuras, de águas limpas como os lagos subterrâneos de algumas cavernas.

    Entendo, entendo tudo que você não pode dizer. Quanto ao que gostaria de dizer, bem, o charmoso Jorge Aragão já falou por mim em sua cantoria mansa. Então tem recado dele para você.

    Lucidez

    Por favor!
    Não me olhe assim
    Se não for
    Por viver só prá mim…

    Aliás!
    Se isso acontecer
    Tanto faz
    Já me fiz por merecer…

    Mas cuidado não vá se entregar
    Nosso caso não pode vazar
    E tão bom se querer
    Sem saber
    Como vai terminar…

    Onde a lucidez se aninhar
    Pode deixar
    Quando a solidão apertar
    Olhe pro lado
    Olhe pro lado
    Eu estarei por lá…

  • Devaneios

    Date: 2007.10.19 | Category: alegria, vida interior | Response: 0

    Os homens nem sempre entendem porque é que as mulheres gostam tanto de se enfeitar, ou porque passam tanto tempo se vestindo, mesmo que seja para uma atividade normal, num dia comum.

    Eu hoje pensei sobre isto algumas vezes, porque hoje eu quis me enfeitar. Mais que me enfeitar, quis ser uma Sue diferente, uma nova persona, só por causa de uma bata verde. Uma bata verde-bandeira, solta, leve, gostosa, que tomei emprestado de minha irmã. Essa peça de roupa hoje me levou a passear.

    Juntas fomos longe, a um tempo distante, com hippies sentados na grama, cantando “Give Peace a Chance”… pois foi a esta bata que eu juntei uma calça confortável e gostosa que tenho, verde beeemmm clarinha, um colar com uma grande flor de metal dourado, um brinco de argolas e uma faixa de cabelo de crochê que eu mesma fiz, em uma linha cor de algodão cru com muitas e muitas folhinhas verdes penduradas. E lá fui eu para 1969, cheirando a flor de laranja, com uma flor no peito e com a cabeça cheia de folhas. Verde, toda verde.

    Depois de pensar, acho que sei porque as mulheres gostam de se enfeitar… porque neste momento somos as bonecas de nós mesmas, e é neste momento mais que qualquer outro que ficamos livres para sonhar.

  • Date: 2007.10.18 | Category: vida interior | Response: 0

    Algumas pessoas têm o dom da síntese. Eu, apesar de admirá-las, não sou e não gostaria de ser uma delas, porque adoro me alongar. O Camafunga, entretanto, tem este dom e o utiliza de forma magistral, como no seu post do dia 17, falando sobre sentimento.

    Moço, que lindo, obrigada! Tomo a liberdade de reproduzir aqui:

    Sobre o sentimento…

    Não há letra que acompanhe porque não há musica que acalme.

    Ontem percebi os pedaços de história no reboco envelhecido e as manchas nas paredes como marcas de memória, por isso não as havia pintado, por isso mantinha os descascados como prova de vida. Acho que este é mais um texto que não compartilho com quem de direito, nem sei se alguma vez foi compreendido os sentidos, norte para o tapete da sala, oeste para a luminária do quarto, afinal posição solar boa é a do plexo, agora, assim, janela alguma ilumina adequado, por mais que aberta, mesmo escancarada. Portanto, é chegada hora, nenhuma tinta mudaria a matiz do que se passa, nem massa renova tantas perdas acumuladas.

    Casa nova, é necessário, e silêncio, pois não há letra que acompanhe, nem música que acalme.

  • Enchendo as lacunas

    Date: 2007.10.04 | Category: alegria, amor, vida interior | Response: 2

    O meu amigo Evandro Ferreira é uma pessoa especial que a Internet me deu de presente. Nos conhecemos numa lista de comentários de um blog, imediatamente iniciando uma bela argumentação a respeito das nossas opiniões divergentes. O fato de não ter virado briga – porque Evandro é o Lorde Fofinho, querido, um gentleman que não briga nunca – acabou por nos tornar amigos, e o motivo da discussão se perdeu no pó da estrada.

    Outro dia eu atualizei meus links da coluna da direita do Asa, e redescobri a alegria de ler os textos do Evandro. Passei a acessar os blogs dele regularmente, no ritmo que minha atual vida alucinada me permite. Ontem, portanto, achei o post “Coisa mais linda do mundo”, linkado no post logo aí embaixo. Como é uma declaração de amor com conteúdo, de verdade, me emocionou muito.

    Deixei um comentário falando o quanto era bonito ver este amor, mas pedindo a ele que não me fizesse chorar. O querido me pediu desculpas, e tivemos uma MARAVILHOSA troca de e-mails ontem de noite, que tenho certeza aliviou meu trabalho noturno e o dele. O Evandro postou o e-mail dele no post Para uma borboleta e me senti na obrigação de preencher as lacunas, colocando meu e-mail anterior no Asa:

    “Querido,

    Uma cachoeira não se desculpa por espirrar água linda, ruidosa e abundantemente sobre os visitantes, uma rosa nem esquenta de espetar os dedos dos seus admiradores mais audaciosos. Você não precisa se desculpar por ser lindo, meu amigo.

    Mas que eu chorei, chorei. Choro agridoce de beleza misturado com tristeza.

    Comecei pensando que você é um afortunado de ter encontrado um amor assim, mas eu estava errada e eu mesma me corrigi: este amor lindo assim vem de dentro de você, já estava aí, a Henrie o merecia e então o encontrou, e veça-virse. Vocês dois são de uma lindeza que deixa a gente embargada…

    Depois eu pensei em tudo e o tanto que já perdi na vida, no tanto que minha mão amiga já levou tapas pela internet, o tanto que eu procuro um homem que aceite meu amor, sem encontrar (me pergunto se eu mereço ter um amor assim…) e aí fiquei bem triste.

    Foi então que eu lembrei que você e a Henrie e a Melinda fazem parte de minha vida, e isso me consolou.

    Ainda estou com o coração apertado, mas não choro mais.

    Amo muito você, acho que nunca disse isso com todas as letras, mas é verdade.”

    Pois é isso que é amor, que é amizade, queridos amigos do Asa, é sentir o outro como um presente, “a energia que faz nosso coração mais feliz” como meu amigo Evandro escreveu. É saber que a distância dói, mas doeria mais a ausência da pessoa amiga em nossas vidas. É aceitar o outro inteiro, mais que isto, sentir de verdade que o outro não poderia ser diferente do que é, que está certinho do jeito que está.

    Por isso é que eu acho que tanto eu quanto ele, primeiro em separado e depois conversando juntos por e-mail, decidimos tornar estas mensagens públicas: porque queremos que as pessoas vejam e saibam que no meio desta tumultuada corrente de gente que passa e some sem deixar rastro, gente que usa e abusa, gente que não liga, encontramos um AMIGO.

    É uma coisa muito preciosa.

  • Redescobrindo Evandro

    Date: 2007.10.03 | Category: alegria, amor, saudade, vida interior | Response: 0

    Houve uma época em que nos falávamos sempre pelo telefone, às vezes horas. Nestas conversas consertamos o mundo e montamos o Outonos. Desde então, muita coisa na nossa vida mudou, mas o amor e a admiração que eu sinto por ele só fazem aumentar.

    Eu não vou falar mais nada não, vão vocês e descubram porque estou aqui enxugando lágrimas e sorrindo e morrendo de vontade de dar um abraço nele.

  • O andar da carruagem

    Date: 2007.09.30 | Category: alegria, amor, esperança, vida interior | Response: 0

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    Há mais de três anos eu o convidei para dançar, antes que ele estivesse preparado para dizer sim, e a dança não aconteceu. Deixei-o livre, ele retornou à minha vida meses atrás, diferente. Mais próximo de um outro jeito. A dança continuou sem acontecer. Continuei a deixá-lo livre, bicho solto que é.

    Hoje me despedi dele mais uma vez, numa cidade mais perto do céu que a minha. Hoje – e eu digo isto feliz e tranquila – sou a “menina sua amiga”, e pretendo usufruir o quanto puder deste amor que não vai embora que é a amizade. Deixando-o livre, sempre, cada vez mais livre – e mais confortável, espero.

    Só que a música continua tocando em meu coração, meu amigo. Algum dia vamos fazer jus a ela e finalmente dançar? Ainda acho que vai ser uma coisa linda para lembrarmos (e lembrarmo-nos), tanto quanto tem sido lindo imaginar.

    E, hoje, este é o andar da carruagem.

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