Archive for the ‘animais’ Category

  • Borboletas da Alma

    Date: 2008.11.19 | Category: alegria, animais, Asas de Borboleta, encantamento, esperança, vida interior | Response: 0

    ELUSIVE BUTTERFLY
    (Words and Music by Bob Lind)

    You might wake up some mornin’
    To the sound of something moving past your window in the wind
    And if you’re quick enough to rise
    You’ll catch a fleeting glimpse of someone’s fading shadow

    Out on the new horizon
    You may see the floating motion of a distant pair of wings
    And if the sleep has left your ears
    You might hear footsteps running through an open meadow

    Don’t be concerned, it will not harm you
    It’s only me pursuing somethin’ I’m not sure of
    Across my dreams with nets of wonder
    I chase the bright elusive butterfly of love

    You might have heard my footsteps
    Echo softly in the distance through the canyons of your mind
    I might have even called your name
    As I ran searching after something to believe in

    You might have seen me runnin’
    Through the long-abandoned ruins of the dreams you left behind
    If you remember something there
    That glided past you followed close by heavy breathin’

    Don’t be concerned, it will not harm you
    It’s only me pursuing somethin’ I’m not sure of
    Across my dreams with nets of wonder
    I chase the bright elusive butterfly of love

    Across my dreams with nets of wonder
    I chase the bright elusive butterfly of love

    Assuntos aparentemente sem relação surgiram hoje, voaram em círculos dentro de mim e acabaram por se mesclar de forma a gerar este post. Não estou certa de fazer sentido, de ser clara, espero que meus amigos e leitores tenham paciência para seguir o vôo um tanto irregular destas palavras… mas assim mesmo são as borboletas.

    Um: é fato que minha família ascendente já partiu toda deste mundo; por mais que eu os amasse e cuidasse deles no limite máximo das minhas faculdades, simplesmente não pude impedi-los de partir. Quem lê o Asa sabe também que não tenho filhos; apesar de tê-los desejado por toda a vida, simplesmente não vieram. Portanto, falar da minha família, que é coisa muito cara e importante para mim, geralmente significa falar de morte, ausência e falta. Apesar disto falo constantemente de meus mortos, mesmo sabendo que para os leitores isto pode parecer depressivo e mórbido, ainda que para mim não seja.

    Dois: As borboletas monarca, todo mês de outubro, migram das florestas do Canadá e Estados Unidos para se congregarem nas sierras mexicanas, para esperar a passagem do inverno. São dezenas de milhões de borboletas agrupadas em uma única extensão de floresta, fazendo arabescos pelo ar e maravilhando quem as vê. O povo simples da região acredita que estas borboletas – que chegam lá próximo ao Dia de Finados – são as almas de seus mortos voltando para casa.

    Três: Minha irmã hoje sonhou com nossos pais e tios, numa grande casa que ela descreveu como sendo muito grande e o amálgama de muitas casas onde moramos. Eu já sonhei com uma grande casa de fazenda, onde haviam pessoas de minha família a me aguardar. Seja como for, eu e ela ocasionalmente somos agraciadas com a possibilidade de visitar em sonhos a casa de nossos ancestrais na grande Casa do Pai. Estas visitas são doces, para mim e para ela, mas deixam um travo de saudade e de vontade de estar mais junto daqueles que amamos e partiram. Nesta época de Advento, de preparação para o nascimento daquele que formou com seus pais a Sagrada Família, o travo fica mais agridoce e presente. Tudo que fazemos nos lembra nossos pais e nossa infância.

    Quatro: O desflorestamento no México está ameaçando as borboletas Monarca de extinção. A organização americana Ecolife Foundation está tentando reverter esta situação através de reflorestamento, construção de fornos a lenha (que são aqueles que a população de grande parte do mundo ainda usa) mais eficientes e conscientização da população local. É um trabalho muito bonito, que merece nosso apoio. Visitem o site e ajudem, se puderem. O filme acima é produzido por eles.

    Como cheguei de lá até aqui? Fiquei a pensar na conversa que tive com minha irmã, meditando sobre como explicar a ela e a mim mesma esta importância de nossos mortos, esta vontade de estar com eles, esta alegria serena mesclada de saudade, esta vontade de rever que não tem revolta. Deitada em minha cama, escutando música e pensando neste dia chuvoso, olhei para minha luminária que, é claro, tem recortada nela uma revoada de borboletas. Pensei que esta é uma imagem que me agrada, a de andar pela vida com as almas-borboleta de meus mortos fazendo cabriolas dentro de mim. Fui procurar no You Tube por um vídeo de revoada de borboletas e cheguei na fundação e nas Monarca.

    Pensei que, afinal de contas, esta revoada de borboletas, tanto na alma quanto no México, acabam por ser uma coisa só. Fiquei extremamente feliz, e ainda mais concentrada nas minhas borboletas da alma. Ao mesmo tempo, mal posso esperar pela vida, pelas novas pessoas que vou conhecer e que talvez até virem família. Faz sentido? Pois é.

  • Assim caminha a humanidade

    Date: 2007.09.25 | Category: alegria, amor, animais, saudade | Response: 0

    Ou o mundo fica cada dia mais maluco ou sou eu que me perco nele, por pura incompetência cognitiva. Entretanto, há momentos que meus amigos correm em meu socorro e iluminam a coisa um pouco para mim.

    Um destes momentos iluminados acabei de receber lendo o Agonizando 2 do meu amigo Evandro Ferreira (link na coluna da direita – eu disse DIREITA, Evandro! risos). Vejam só esse texto. No blog dele tem ainda o FILME, que é um ensaio filosófico profundo. Só mesmo um pensador como o Evandro podia me sair com um post destes.

    Amigo, saudades. Entregue à sua mais linda namorada e à sua cachorrinha mais amada beijos meus. Logo estaremos juntos novamente, viu?

    Leitores do Asa: leiam, vejam, aprendam.

    “Conhecimento e fofura September 15, 2007

    A vida é uma coisa interessante.

    Hoje me peguei subindo o elevador. No chão, um contêiner com minha cadelinha. Em uma das mãos, uma mantinha xadrez, laranja e branca. Sobre a mantinha, um livro de filosofia política de Eric Voegelin. Na outra mão, o Pipi Dolly’s dela.”

  • Mergulho no inconsciente

    Date: 2005.01.27 | Category: amor, animais, vida interior | Response: 0

    Fecho os olhos. No espaço infinito interior, posiciono meu corpo mental num trampolim que aponta para o céu vazio. No espaço de três batidas de coração, percorro o trampolim e me lanço no nada. Uma respiração bem lenta… as nuvens muito brancas passam velozmente por mim enquanto caio, mas não há vento nem atrito, eu caio rápida e suavemente. Mais uma respiração lenta e profunda… meu corpo mental ensaia rodar no ar, fazer arabescos. Estou no reino onde tudo é possível, onde não há os habituais limites do físico. A queda se torna cada vez mais veloz, e mais suave.

    Cada vez menos percebo meu corpo físico. Agora a realidade é a queda, o vôo. Uma terceira respiração, mais lenta e profunda que as outras duas… as nuvens brancas se partem, e posso ver lá embaixo, ainda pequenina, uma enseada de mar muito limpo e azul, uma praia de areia muito branca, e na beira da areia escadas que levam a uma casa. Minha casa. Minha praia, meu mar. Eu. Voltei.

    Entro no mar como uma flecha, e me sinto cercada de bolhas que me pinicam gostoso… deve ser esta a sensação de mergulhar numa taça de champagne. A água é cristalina, e o céu ensolarado me permite ver meus alegres golfinhos nadando a meu lado. É uma escolta, porque meus alegres guardiães sabem que nas profundezas mais escuras deste mar existem tubarões que me enchem de temor. Mas aqui, na minha enseada, no meu lugar especial, eles não chegam, porque minha escolta da alegria não permite. Chego na praia, caminho pela areia úmida ao encontro da escadaria, e no pé dela dois seres me aguardam, um lobo grande e solene, uma pantera de olhos amarelos.

    Um afago na cabeça de cada um, um olhar de boas vindas. Subimos juntos os degraus. Uns 50 deles, porque a casa fica no alto, e de sua janela posso ver ao mesmo tempo a enseada e o horizonte. Finalmente chego até a porta, com um suspiro cruzo o umbral, e a roupa de banho molhada dá lugar a uma túnica leve e folgada. Ao meu lado não estão mais um lobo e uma pantera, mas meu cãozinho Buggie e minha gatinha Dora, meus pequenos companheiros internos, familiares, queridos, cheios de vida e saúde, tão diferentes dos corpos sem vida de que eu me despedi fazem já alguns anos. Lá fora na praia eles são meus guarda-costas, as feras que me protegem de feras muito piores que trafegam pela mata, mas aqui são apenas meus filhinhos peludos, que me fazem companhia no meu lugar.

    E o meu lugar é um enorme quarto, amplo, claro, com algumas portas que se abrem para outros lugares, diferentes, e neste quarto há uma imensa cama macia, onde muitas vezes vou apenas para repousar a mente cansada. Hoje, no entanto, apesar do cansaço, não vim para repousar, mas para averiguar a chegada de um novo companheiro.

    Ao chegar à beira da cama, eu o vejo. Junto dele, cuidando do recém-chegado, o meu outro cãozinho, Ly – que em chinês quer dizer sorte –, amável cãozinho que no fim de sua vida foi pai adotivo de Dora e deste que chega agora… meu gatinho Tetê, ainda fraco da viagem, mas sem as marcas da doença que o derrubou ainda tão novo… nada de icterícia amarelando sua pele, nada de pêlo sem brilho, ele está deitado, ainda cansado da jornada, mas recuperando rapidamente o viço perdido, principalmente com os cuidados do pai cão, eles que sempre se gostaram tanto.

    Sento no meio da cama, de pernas cruzadas, e meus quatro amigos se ajeitam em torno de mim. Eu sei que quando tornar a abrir os olhos para o mundo fora de mim, quando tiver de sair de meu mundo particular, a saudade deles vai me fazer doer o coração, mas agora é só a felicidade que qualquer bicho de estimação sente quando a dona chega em casa, agora é a alegria comum, corriqueira e preciosa dos ronronados, das lambidas afetuosas.

    Dorinha, sempre a mais afoita dos dois irmãos felinos, abusa da paciência do gato e tem de ser repreendida, mas é uma repreensão cheia de riso. O Ly, como sempre fez, chega bem pertinho de minha coxa e mostra a barriga para afagos. Buggie, ciente de sua dignidade, deita um pouco ao largo da confusão, da maneira que sempre gostou: patas de frente paralelas diante dele, patas de trás esticadas ao máximo para trás, a barriga toda encostada no edredon fresquinho. Mas, apesar de tentar manter a aparência de lorde, a boca é toda sorrisos, e a língua aparece num arfar de felicidade. Mamãe está em casa.

    E mamãe deita na cama, e deixa o amor simples dos seus bichinhos embalar seu sono. Amanhã de manhã a realidade se impõe. Mas a madrugada é muito mais amiga do sonho que da realidade.

  • Profundo Amor

    Date: 2004.07.18 | Category: alegria, amor, animais | Response: 0

    Só olhar teu corpo largado sobre a cama , e já me enche o desejo de te tocar, mas o repouso absoluto e entregue, a respiração lenta e solta dos inocentes, faz com que eu não ouse perturbar tamanha tranquilidade com meu toque. Prefiro esperar que tu me procures, com um leve despertar, que encoste teu corpo quente e macio no meu. O suspiro profundo com que retornas ao teu mundo de sonhos – o que será que sonhas?- assegura meu coração incrédulo que teu lugar é aqui.

    Não cesso de maravilhar com o fato de que tu me escolheste, ó ser de intensa beleza e dignidade. Não sei que bem fiz para merecer teu amor. Não é o amor fácil e risonho dos felizes; teu amor por mim é feito de olhares furtivos que só tu e eu entendemos. Teus gestos de afeto são contidos como os de todos que já sofreram.

    Entretanto, nunca duvido da grandeza de teu amor. Sempre é com o coração transbordante que vejo a tua alegria com qualquer retorno meu à casa, uma explosão de felicidade que tem tão pouco em comum com o restante de teus gestos reservados. É com crescente gratidão que vejo você lentamente adoçar o temperamento, percebo que não és mais a criatura arredia que entrou na minha vida.

    O meu amor por ti é tão grande que me custa lembrar que não consegues receber bem manifestações por demais efusivas de afeto; que contigo a sutileza e a delicadeza são ingredientes importantes da convivência diária. No entanto, é justamente esta contenção que me ensinas, gata amada, me ensinas a ser leve e delicada no trato, a entender naturezas diferentes da minha, a cuidar de não passar dos limites do outro. Ser tua tem sido um aprendizado de afeto.

    É espantoso para mim escutar pessoas em toda a parte que gatos são animais pouco afetuosos e distantes. Os tolos que falam tal coisa provavelmente nunca viram com o eles podem, num piscar de olhos, sair de uma posição estática e cheia de fleuma e zunir pela casa como bólidos; parar tão abruptamente quanto começaram, porque PRECISAM pentear aquela areazinha exata do pêlo que estava fora do lugar; e, de queda, se você deixar, lambem seu pêlo também.

    Quem não tem gato não sabe. Eles são barômetros de sentimentos. Quem tem um gato em casa e o observa com cuidado, aprenderá logo a detectar a situação emocional do ambiente pelo comportamento de seu felino. Ao observar minha linda Pompom ficar cada dia mais tranquila e feliz, só posso levantar os olhos para o Céu, sorrir e dizer: obrigada.

  • A Caridade e o Afeto – Entre Dois Amores

    Date: 2003.11.14 | Category: amor, animais, luta | Response: 0

    Aconteceu uma coisa engraçada com o último post. Enquanto que algumas amigas deixaram adoráveis comentários a respeito dele, alguns amigos foram do indiferente às vias de fato, pedindo inclusive que eu o retirasse. Sim, reparem bem, amigas de um lado, amigos de outro. Um deles cogitou que isto fosse “rabugice masculina”. Talvez, talvez. Mas acho que é mais complicado que isto.

    O maior senso de estranhamento que senti dos meninos em relação ao post – onde presto uma homenagem ao bonito e forte sentimento de amor que liga um ser humano e um animal – foi que o post tratou um “mero” animal com emoção que deveria ser direcionada apenas ou principalmente aos humanos. A expressão mero animal é toda minha. Nenhum dos amigos que criticou o post a usou. Usaram outras: “sentimentalóide”, “Pollyana”, “parece um texto da Xuxa” (e eu nem sabia que a Xuxa sabia escrever!). Um amigo formalizou as objeções dele, dizendo que sente antipatia de militantes de “direitos dos animais”.

    Enquanto falo tudo isto, quero declarar que não me incomodou nem ofendeu um átomo que seja a posição que qualquer amigo meu, mesmo as que foram mais vociferantes. Muito pelo contrário, acho bom que as pessoas sejam específicas a respeito de qualquer objeção que fazem ao que eu escrevo, pois me permite olhar o meu texto com outros olhos, e aprendo muito.

    O fato é que a coisa fica resumida deste jeito: quem entendeu que o post era simplesmente a expressão da minha tristeza e zanga com os maus tratos a animais – e acha isto uma coisa positiva – gostou do post; quem achou que animais não merecem uma emoção deste tamanho; ou que um boi, um mosquito, um gato ou um cachorro são basicamente animais e matar um ou outro acaba dando no mesmo; ou ainda que eu devia me preocupar mais com os maus tratos a seres humanos que com animais, bem, estes não gostaram do texto. E todos eles têm direito à sua opinião.

    E eu tenho direito de expressar a minha, sobre a qual meditei longamente durante a noite, antes de escrever isto. Piegas, sentimentalóide, pollyanística o quanto for, ela é a expressão do que penso e sinto, e acho que tenho de explicá-la melhor.

    Eu já verbalizei neste blog diversas vezes e de diversas formas a minha religiosidade. E a religião cristã que abraço o tempo todo fala da igualdade e irmandade dos homens, todos filhos de um mesmo Deus. A Caridade com o próximo é a virtude mais forte que um ser humano pode ter. E eu abraço esta doutrina da caridade. Mas, e os animais? Têm mais valor que um ser humano? Não. Mil vezes não. No entanto… deixem-me colocar aqui uma pequena citação da MARAVILHOSA biografia de São Francisco de Assis escrita por G. K. Chesterton, recentemente traduzida e publicada pela Ediouro:

    “Ele [o santo] não chamava a natureza de mãe; chamava um burrico específico de irmão ou uma pomba de irmã. Se chamasse uma garça de tia ou um elefante de tio, como possivelmente o faria, ainda assim estaria indicando que eles eram criaturas específicas às quais o Criador atribuíra um lugar particular, não meras expressões da energia evolutiva das coisas. É nisso que seu misticismo se aproxima tanto do senso comum da criança. Uma criança não tem dificuldades para entender que Deus fez o cão e o gato, mesmo que saiba que a criação de cães e gatos a partir do nada é um processo misterioso que está além de sua imaginação. Mas nenhuma criança entenderia qual a intenção de se misturar o cão, o gato, e tudo o mais para formar um monstro com inúmeras pernas e dar e ele o nome de natureza. A criança se recusaria terminantemente a entender um animal assim. São Francisco era um místico, mas acreditava no misticismo, não na mistificação. Como místico, era inimigo mortal de todos os místicos que diluíam as extremidades das coisas e as faziam desaparecer no seu ambiente. Era um místico da luz do dia e da escuridão, mas não um místico das coisas indefinidas. Era exatamente o oposto do visionário oriental que só é místico porque é cético demais para ser materialista.” (págs. 98/99)

    Pois então. Eu chorei, e chorei MESMO, a morte do Yahoo, amigo do Mau – graças a Deus rápida e acidental, não fruto de maldade de terceiros -, que brinca tão lindo na foto com uma plantinha. Um gato tão parecido com minha gatinha Pompom. Como chorei a morte do cãozinho Buggie, que pertenceu à minha mãe e, depois da sua morte, a mim. Um cão que cuidei por 16 anos com muito afeto, e que deixou um oco no meu coração quando partiu. E acho monstruoso que alguém possa chutar um animal a ponto de afundar seu maxilar, como já me contaram, simplesmente porque não vê o sofrimento que causa, não enxerga.

    Eu olho um menino de rua e não enxergo nem um problema nem uma ameaça, enxergo um menino. Eu olho um cão ou gato de rua e não enxergo um foco de zoonose, mas uma chaga na nossa condição humana. AQUELE cão, AQUELE gato, eles são nossa responsabilidade, e, se estão na rua, a culpa e a vergonha são nossas. Chutar, queimar, esfaquear ou envenenar só aumenta a chaga na nossa condição humana. E não venham me dizer que não. O homem é, sim, senhor da criação. Mas o que falar de um dono que flagela sua posse até a morte? E não, isso não é militância ecológica. É a expressão da minha consciência cristã.

    Sei que o homem vem antes do animal, como a Caridade vem antes do afeto, mas confesso que – estando numa situação onde tivesse de escolher entre salvar a vida de minha gata Pompom e de Fernandinho Beira-Mar (ou mesmo de uma menina loira e linda como a menina Von Richtoffen, que tão docemente planejou o assassinato dos pais à pauladas) – pedia perdão a Deus e fazia a escolha do coração. E que Ele me perdoe se eu estiver errada.

  • Para Yahoo, revisto e ampliado

    Date: 2003.11.12 | Category: amizade, amor, animais, luta | Response: 0



    Fotos do Mau – Clique nas fotos para ver mais

    Não, este felino não é meu… nem sequer conheço seu dono. Foi um destes acidentes, sabe quando estamos no blog de uma amiga e vemos o comentário de uma pessoa nova, ficamos curiosos para saber quem é aquela pessoa e vamos investigar os links? Pois foi assim.

    Descobri que ele é uma pessoa que gosta de músicas parecidas com as que gosto – jazz, progressivo, instrumental – e que ama gatos como eu amo. E, por uma infelicidade, perdeu seu amigo cedo demais. Eu não sei do que o gatinho Yahoo morreu, mas quando um gato de apenas três anos com aparência tão saudável morre, geralmente significa algum tipo de maldade humana.

    Me emocionei muito com a linda homenagem que está no link da foto do Yahoo. Eu não entendo porque as pessoas são tão más com os gatos. São bichos limpos, afetuosos, inteligentes e elegantes. Ágeis e belos, enchem uma casa de alegria. Esta lenda de que não têm afeto pelo dono é a maior besteira do mundo. Minha gatinha veio me seguindo, miando de dar dó, até eu tomar uma providência e parar para falar com ela. Ela estava abortando sozinha no meio da rua, e com as vias respiratórias cheias de muco por causa de uma rinotraqueíte. Naquele mesmo dia eu a levei ao veterinário, e bastou eu ficar acariciando seu pêlo para que ela permitisse que o médico aplicasse três injeções nela. Até hoje é assim, basta que eu converse com ela que qualquer veterinário pode trabalhar tranquilo. Ela me ama tanto quanto eu a amo.

    Animais, nas vidas de quem os têm, são membros da família. Acho positivo para a humanidade que seja assim. Longe vai a época que a vida humana tinha tão pouco valor e se perdia com tanta facilidade quanto hoje se mata um mosquito ou barata. Nesta época, é claro, a vida dos animais tinha ainda menos valor que o parco valor dado à vida humana. Mas a humanidade caminha, e caminha na direção de ser cada dia mais humana, no sentido moral e metafísico. Com a humanização do homem, humaniza-se também a postura dele em relação aos animais. Eu só posso encarar a maldade do homem com animais, e mais especificamente com os gatos, como sinal de profunda inveja da beleza, da inocência e da alegria. Como uma profunda falha do desenvolvimento humano.

    Algumas pessoas podem objetar que eu, como muitos, como carne de diversos tipos de animal. Verdade. Mas não gosto de pensar no sofrimento de um animal sendo sacrificado. Espero que algum dia o corpo material não precise desta proteína sempre duramente conquistada. Mas ainda preciso de carne. Muitos, no entanto, passam muito mal com ela… é um problema moral interesante, mas não é o objetivo deste post.

    Certamente quando morrermos, Deus não nos cobrará o animal morto para nosso alimento da mesma forma que certamente cobrará maus tratos a animais de estimação sob nossa responsabilidade. Veja, não é uma questão acadêmica. Da mesma forma que Ele vai nos perguntar “Dia tal na hora tal no lugar tal havia uma pessoa debaixo da marquise. Porque você fingiu que não viu?” Ele também poderá nos perguntar “e o que foi feito daquela ninhada de gatinhos que você abandonou amarrada dentro de um saco plástico, para morrer sufocada?” Qual a resposta que esta pessoa dará?

    Hoje, através do Yahoo, quero homenagear todos os gatos do mundo. Animais que foram os últimos a se juntar a nós como companheiros de viagem, e ainda mantém o charme da independência. Espero que mais pessoas passem a apreciar gatos, e que eu veja menos e menos população animal na rua e menos e menos crueldade que leve à morte de animais tão bonitos. Para aqueles que já morreram devido à crueldade e selvageria do homem, peço a guarda de São Francisco de Assis.

    Para o Yahoo, especificamente, peço desculpas por ter perturbado seu descanso com este post longo demais. Mas pelo que seu amigo Mau conta, você era um gato filósofo, que entenderá muito bem minhas motivações. Um beijinho, Yahoo. Descanse em paz.

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