Archive for the ‘Asas de Borboleta’ Category

  • Trajetos

    Date: 2016.12.12 | Category: Asas de Borboleta, Olhares, vida interior | Response: 0

    Desperto. Antes mesmo de abrir os olhos, sinto o peso do gato na perna. Como durmo de lado, geralmente virada para o lado direito, ao abrir os olhos vejo a janela do quarto e a estante logo abaixo dela, que guarda meu CD player e meus CDs. Passeio os olhos sonados pelas lombadas das capas, pensando se vale a pena colocar um para tocar, mas as playlists no computador me tornaram preguiçosa.

    Viro de costas e o gato já sai correndo do quarto, prevendo a refeição que virá. Aos pés da cama, o armário, marfim e azul. Gosto deste tom de azul, um pouco mais acinzentado que o azul céu, mas claro o suficiente para ser repousante. Espreguiço e alongo, coisa que nunca mais deixei de fazer desde a terapia com RPG. É um ritual gostoso, meio felino, este de esticar.

    Levanto. Ao lado da cama a bancada do computador e, perto da porta, meu oratório. Faço minhas orações da manhã, geralmente breves, porque há miados insistentes vindos da sala. A caminho do banheiro para outro ritual matinal, saúdo silenciosamente as fotos de família e os livros da estante do corredor. Da porta do banheiro, vejo os quatro gatos espalhados pelas cadeiras da sala, esperando atentos. Lavo o rosto e termino de despertar. Hora do café.

    Faço o trajeto do corredor até a cozinha com escolta felina, dezesseis patinhas seguindo meus pés. Chego à pia e eles se posicionam: uma no banco, outra na prateleira, os dois machos na porta da sala. No caminho, claro, de quem quer colocar a mesa do café. Antes de tentar, desisto, e dou aos gatos o desjejum primeiro. Depois de quinze minutos de atividade frenética, posso finalmente sentir o prazer do cheiro de café sendo coado, arrumar a mesa e tomar uma caneca fumegante.

    Geralmente não compro pão de manhã, sempre tenho algum estoque congelado. Isso me dá tempo de contemplar, sentada à mesa, a vista que tenho da janela, misto de bonita, com um pedaço enorme de céu e as árvores, e feia, suja pelos postes, fios e prédios de arquitetura duvidosa. O sol da manhã carioca costuma ser forte, e o céu muito azul, as tempestades são vespertinas.  A passarada da Floresta da Tijuca sempre visita – as maritacas passam em bando aos gritos, os bem-te-vis discutem a relação nos fios de alta-tensão. Um deles, gorducho e folgado, gosta de pousar no meu aparelho de ar-condicionado e provocar os gatos; se eu levanto e me aproximo, voa rápido dali.

    Depois determinar a segunda caneca de café, é hora de colocar a vida para rodar. Recolho a louça do café até a pia, arrumo o que tenho de arrumar, limpo o que tenho de limpar, sento ao computador para trabalhar.  A minha rua geralmente não me dá bom dia, só um boa tarde meio ofendido pela falta de atenção matutina. Mas é uma rua que eu gosto, muito arborizada, antiga, às vezes o paralelepípedo aponta debaixo de um buraco no asfalto. É uma rua que mostra as gerações todas da Tijuca, com casas centenárias e prédios recém-construídos.

    Descendo a rua em direção à rua principal, cumprimento sempre com o olhar a Casa de Maria Thereza. Esta, ao menos, é a informação em relevo (enquanto escrevo, não consigo lembrar se baixo ou alto), logo abaixo do beiral do telhado, junto com o ano 1914. A casa tem uma fachada estreita, mas como os terrenos na minha rua são fundos, pode parecer menor do que realmente é. É linda como uma casa de contos de fada, branca, varanda com pilares de pedra, as telhas antigas com múltiplas cores, um arbusto profusamente florido tombando por cima do muro alto, concessão da modernidade. Eu sempre me pergunto se aquela mensagem na alvenaria é uma homenagem de um marido amoroso, de um amante, de um filho saudoso, ou se havia ali algum tipo de lar assistencial num passado remoto. Namoro a casa e sigo adiante, porque a vida não espera a gente contemplar.

    Chega o fim da rua, que é uma pequena amostra do que é morar no Rio. De um lado, o comerciante português e sua delicatessen. Do outro, o coreano com sua lanchonete. Em frente, do outro lado da rua principal, o clube judaico. Uns passos adiante, a imensa igreja do tempo do império. Ao lado do marco histórico, a saída (porque saída, se vou entrar? me pergunto sempre) do metrô.

    E desce depressa, que o tempo não para nem espera.

  • Rabiscos

    Date: 2016.01.19 | Category: Asas de Borboleta, contos | Response: 0

    Miriam não se considerava escritora, ela rabiscava. Tinha sempre na bolsa um bloco de papel de onde tirava papeluchos para escrever pequenas notas — no ônibus, no metrô,  na recepção do consultório do dentista, no salão de cabeleireiro. Qualquer coisinha que chamasse a atenção merecia uma anotação num pedacinho de papel.  Chegando em casa, retirava da bolsa aqueles papeizinhos amassados e os colocava mais ou menos organizados numa caixa de papelão que viera com um antigo presente de aniversário.

    Logo, precisou comprar uma caixa maior, depois duas. Já estava na terceira caixa. Os amigos, curiosos, queriam saber o que tinha escrito lá.  “Cacos”, ela respondia. A resposta não satisfazia, e a curiosidade não satisfeita virou pressão. “Quando você vai nos mostrar o que tem lá?” “A gente quer ver, oras, que bobagem esconder!” Um dia, cansada do assédio constante,  pegou três papeizinhos, um de cada caixa, e os apresentou numa reunião de amigos. Não queriam ler? Pois ali estava.

    Os rabiscos de Miriam passaram de mão em mão, por toda a sala. O silêncio foi aumentando. Aumentando e se alongando. Finalmente, o melhor amigo de Marisa disse, resumindo o que parecia ser o sentimento de todos:”Não entendi.”

    “É por isso que não mostro.” respondeu Miriam. Sem mais, recolheu os três papeluchos e os retornou às suas caixas.

    No dia seguinte, um domingo, ela saiu de manhã bem cedo com sua cachorrinha Menina, uma cesta de lanche e as três caixas.  Levou Menina de carro até a Floresta da Tijuca, sentou num lugar sossegado e tirou as caixas da sacola. Um por um, ela leu em voz alta para Menina todos os rabiscos. Menina escutava atenta, aqueles olhos de mel cheios de amor pela dona.

    Miriam lia, sorria e perguntava: “Que tal?” Menina sacudia a cabeça para um lado ou para o outro, tentando entender o que a dona queria. Se fosse para a direita, Mariana fazia pequenos barquinhos de papel e colocava de volta na caixa, se para a esquerda, ela picotava em pedacinhos e colocava na outra caixa. Se não houvesse reação, ela fazia bolinhas e guardava na terceira caixa. Logo Menina desinteressou-se da brincadeira, aliviou-se numa árvore e deitou-se aos pés de Miriam para roer seu brinquedo favorito.  A dona passou então a ler para si mesma e metodicamente produzir barquinhos, picotes e bolinhas.

    Já era tardinha quando Miriam acabou a leitura. O lanche consumido, Menina alimentada e dormitando na grama fresca. Alguns passarinhos, atraídos pelo som ritmado da leitura, levantaram vôo e foram procurar o que fazer.  Miriam pegou as caixas e procurou uma mangueira centenária. Com a ajuda de uma ferramenta pega na mala do carro, cavou um buraco fundo  ao lado da raiz grossa, com a ajuda entusiasmada de Menina. Ali deitou todas as bolinhas e tornou a cobrir o buraco com a terra remexida.  Menina queria cavar de novo, mas Miriam a levou de volta para o carro.

    Parou na entrada do Parque Nacional da Tijuca, na área das churrasqueiras. Lá, escolheu uma que ainda estava incandescente da farra domingueira dos frequentadores do parque e queimou os picotes.  As duas caixas vazias ela deixou na área de lixo reciclável do parque. Partiu na direção da Barra.

    O final de tarde estava lindo, a brisa agradável, o mar meio agitado. Trancando o carro, levou menina e a última caixa para a areia. Logo, uma frota de barquinhos de  papel navegava rumo a alto mar. A caixa vazia voltou para o carro cheia de pedaços de conchinhas. Pelo visto, pensou com um sorriso torto, continuo colecionando cacos. Voltou para casa com a cachorrinha profundamente adormecida no banco de trás, tirou definitivamente o bloquinho da bolsa e ligou o computador.

    Naquele mesmo ano, lançou seu primeiro livro.

     

     

  • Oi!

    Date: 2014.04.10 | Category: alegria, Asas de Borboleta | Response: 4

    Já fiz isso umas tantas vezes ao longo do tempo em que este blog existe.  Chegar de mansinho, tirar a poeira, jogar fora as flores mortas, arrumar tudo bem bonitinho e chamar vocês todos de volta para minha casa.  Nunca demorei tanto, mas estou de volta. Que seja uma coisa boa, este voltar.

    Bem vindos ao Asa de Borboleta versão 2014. 🙂

  • Uma pedra no meio do caminho

    Date: 2010.09.11 | Category: alegria, amizade, Asas de Borboleta, esperança, vida interior | Response: 4

    Photobucket

    Um belo dia (estava bonito mesmo, aquele dia) eu ganhei uma pedra. É, uma pedra, esta que está na foto acima. Um presente fora do comum, porque não foi atirado na minha direção com intenção de ferir, nem de quebrar qualquer coisa que eu possua. Foi um presente diferente mesmo, que marcou um dia diferente.

    Guardei esta pedra por alguns anos – é, já passaram anos desde então, que coisa! – e faz um tempo eu a tirei de junto de minhas plantas, onde ela mora, e fiquei a contemplá-la. Lembrei da frase que escutei de meu amigo, quando recebi o presente. Uma frase simples que em mim se transformou numa meditaçào um pouco mais complicada.

    Vocês vejam, nestes anos que se passaram, enquanto meu presente dormia na prateleira, eu lutei muitas lutas. MInha vida modificou um bocado, e em parte por isso tenho postado tão pouco. Nada disso meu amigo sabia, nem eu, quando me presenteou. Ele simplesmente viu, numa pedra largada na beira de um rio, algo que ninguém tinha visto, me mostrou e me presenteou com a visão. Durante algum tempo eu a perdi, esta bonita visão. Outro dia ela me bateu forte, e eu entendi que muito da dureza porque passamos é para conquistar esta beleza, e que nada é apenas o que parece ser. Com a volta da visão, voltou a alegria.

    Sabem o que meu amigo me disse, quando me presenteou com uma pedra? “toma uma borboleta para você.”

    Pois aqui está a borboleta, querido, como eu a vejo agora. Espero que goste.

    Photobucket

  • O que importa

    Date: 2010.04.23 | Category: amizade, Asas de Borboleta, beleza, espírito, saudade, vida interior | Response: 3

    Recebi um comment especial, infelizmente o WordPress ou a Sonia (a comentarista em questão) não vincularam o texto a um post, pelo menos eu não achei o link. O melhor mesmo, então, é simplesmente citar o comentário aqui:

    Olá,
    Faz uns meses que adicionei seu blog nos meus favoritos, pois havia gostado imensamente das suas mensagens, pois me identifico muitíssimo com elas. Perdi meu pai, também com o tal tumor, e dias depois, minha mãe teve um derrame, vindo falecer no ano seguinte.Eu nunca sofri tanto em toda a minha vida. Acompanhei meu pai no hospital e depois minha mãe que morava com a minha irmã.
    Neste momento, estava eu olhando meus favoritos, onde tem muitas opões, de repente vi o seu blog, e entrei, e chorei novamente.
    Gostaria de parabenizá-la pela maneira poética e ao mesmo tempo objetiva que escreves, e por toda força que teve e tem.
    Um beijo carinhoso, de uma desconhecida que se sente ligada à você.

    Sonia, querida desconhecida, você entendeu errado, a força não é minha… É você que me dá esta força, quando me escreve, é um aluno que me diz que eu fiz diferença na vida dele, é um amigo que me abraça, é um estranho que me sorri. Eu simplesmente abro as asas e deixo o vento me levar.

    Obrigada por existir, obrigada por escrever. Sinto muito que você tenha passado por estas perdas tão próximas uma da outra, imagino o quanto foi duro. Minha mãe morreu 20 anos antes do meu pai, os dois devido a complicações causadas por tumores. Nas duas ocasiões lá estava eu ao lado deles, tentando engolir o medo e a tristeza para ajuda-los a nascer para a vida eterna. Acho que fui mais bem sucedida da segunda vez,  era tão jovem durante a doença da minha mãe…

    Como já disse tão bem o Dennis D. na ocasião do falecimento do meu pai, os buracos da alma ficam. Quanto a isso nada há para ser feito. É bom saber, no entanto, que há esta irmandade e esta humanidade à nossa volta que também sofre, que também sente. Se a minha dor ajuda a confortar a sua, saiba que a sua também ajuda a confortar a minha. Saiba com toda a segurança que estamos, sim, ligadas, e que isto é muito bom.

    Bem vinda ao meu coração 🙂

  • Sete anos de que mesmo?

    Date: 2010.03.17 | Category: Alex Cabedo, amizade, Asas de Borboleta, espírito, saudade, vida interior | Response: 2

    alex sete anos

    “A morte não nos persegue: apenas espera, pois nós é que corremos para o colo dela. Talvez o melhor de tudo é que ela nos lembra da nossa transcendência. Somos mais que corpo e sangue e compromissos, susto e ansiedade: somos mistério, o que nos torna maiores do que pensamos ser.
    E o amor, quando se aproxima desse território do estranho, tem de se curvar: com dor, com terror, com enorme ansiedade dá um salto irrevogável para essa prova maior. E então começa a ser ternura; e então se aproxima, muito vagamente, de alguma coisa chamada permanência.” (Lya Luft em Secreta Mirada)

    Se eu soubesse em janeiro de 2003 o que aconteceria em 16 de março, quase certamente teria dado um jeito de partir para Barcelona e apertar forte um amigo querido nos braços, antes que este partisse. Se eu soubesse em abril de 2003 o que sei hoje talvez não tivesse sofrido tanto… mas não, mesmo a cada experiência aprofundada o peso da partida é quase mais do que podemos suportar. A cada março passo por minha Quaresma Particular, me despeço novamente de ausências antigas e algumas vezes, dolorosamente, como neste ano de 2010, faço despedidas novas.

    No dia sete deste mês, para minha profunda tristeza e consternação, perdi meu confessor e grande amigo, D.Tadeu Lopes, OSB, reitor do Colégio São Bento aqui no Rio. Meu amigo há quase trinta anos, meu confessor desde a morte de meu primeiro orientador espiritual, D. João Evangelista Enout, OSB, falecido a treze de março de 1993, uma sexta feira de inundação no Rio. Perdi repentinamente estes dois grandes amigos em março, como perdi repentinamente o muito querido Alex Cabedo no março de sete anos atrás.

    Perdi?

    Eu me pergunto o que foi que eu perdi deles, se a cada dia que passa a voz pausada e serena de um, o olhar amoroso e acolhedor de outro, a escrita e a inteligência do terceiro, estão presentes e firmes à minha volta, crescem mesmo, e se modificam à medida em que moldam meu próprio espírito e a maneira como convivo com o mundo material que se apresenta no meu hoje. Aliás, relendo a sentença anterior, percebo encantada que não sei determinar a qual deles pertence a voz, o olhar, a inteligência, porque fui sobremaneira afortunada de encontrar tudo isso nos três…

    Meus amados quaresmeiros me guiam nesta dolorida viagem de transmutação da perda em asas de borboleta, e se existem hoje pessoas que encontram a doçura que precisam em meu colo, voz ou olhar, que saibam com toda a certeza que meu coração é adoçado por eles.

    Alex, então, é o milagre da amizade que se aprofunda depois da perda, que se desmembra em novas amizades e descobertas, que cresce e se desenvolve como sua filha o faz diante de mim. Quantas e quantas vezes, amigo querido, agradeci a imensa generosidade dos presentes com os quais me regala, como já agradeci por Cristina e Carmem e Paula e Carolina… e qual minha alegria de ver que há mais pessoas a descobrir e conhecer, que existem mais presentes seus a serem abertos em futuras datas especiais… bendita Internet!

    Quantas vezes, em meu coração, trocamos sorrisos e abraços que só nós sabemos, quantos sorrisos enigmáticos deixaram as pessoas à minha volta intrigadas… não posso, não seria justo falar em perda quando falo de Alex, porque meu conhecimento dele e meu relacionamento com ele só foi acrescido depois de sua partida.

    Posso falar – isso sim – de um renascimento constante destes três dentro da Secreta Morada (com trocadilho, obrigada, Lya! Obrigada Helô Capel, pelo maravilhoso presente do livro!) do meu coração. E o outono brota e se transforma numa perfumada primavera, em busca da Páscoa.

    E a Páscoa vem, ela vem!

    Feliz Aniversário, Alex, Dom João. Vá em paz, querido Dom Tadeu.

  • Presente

    Date: 2009.10.12 | Category: Asas de Borboleta, beleza, saudade | Response: 1

    Ganhei de presente de um mais que querido amigo esta linda animação de um trecho da ópera Madama Butterfly de Puccini. Confiança de Cio-Cio-San no retorno de seu amor, no início do Ato II, como narra a Wikipedia:

    Pinkerton regressou aos Estados Unidos; prometeu, porém, que voltaria “quando os pintarroxos fizerem os seus ninhos.” Já se passaram três anos. Butterfly chora, e Suzuki reza o tempo inteiro, ajoelhada diante da imagem do Buda. Suzuki diz a Butterfly que suspeita que seu marido não voltará mais. “Cala a boca, ou te mato!”, responde Butterfly. Ela chora, mas não perde a esperança: Un bel dì vedremo – um belo dia veremos um fio de fumaça no horizonte – o navio de Pinkerton!

    Momento de eterna beleza, um amor inocente e confiante, ainda não machucado pela realidade sórdida de Pinkerton. Fica de presente para vocês, com um beijo.

    Un bel dì, vedremo
    levarsi un fil di fumo sull’estremo
    confin del mare.
    E poi la nave appare.
    Poi la nave bianca
    entra nel porto, romba il suo saluto.
    Vedi? È venuto!
    Io non gli scendo incontro. Io no. Mi metto
    là sul ciglio del colle e aspetto, e aspetto
    gran tempo e non mi pesa,
    la lunga attesa.
    E… uscito dalla folla cittadina
    un uomo, un picciol punto
    s’avvia per la collina.
    Chi sarà? chi sarà?
    E come sarà giunto
    che dirà? che dirà?
    Chiamerà Butterfly dalla lontana.
    Io senza dar risposta
    me ne starò nascosta
    un po’ per celia e un po’ per non morire
    al primo incontro, ed egli alquanto in pena
    chiamerà, chiamerà:
    Piccina mogliettina
    olezzo di verbena,
    i nomi che mi dava al suo venire.
    [a Suzuki]
    Tutto questo avverrà, te lo prometto.
    Tienti la tua paura, io con sicura
    fede l’aspetto.

  • Beautiful

    Date: 2009.10.10 | Category: Asas de Borboleta, espírito, luta, vida interior | Response: 1

    Tantas e tantas vezes já expliquei aqui o porquê do meu blog chamar Asa de Borboleta e algumas vezes eu mesma me esqueço… A asa da borboleta é o símbolo da sua coragem de Ser, mesmo quando tudo à sua volta parece não querer que ela seja. É o resultado glorioso da metamorfose daquela que se arrasta vagarosamente de barriga no chão, mas decide que PRECISA voar. É fruto de dor, de sofrimento, de um tempo ENORME dentro de um casulo, solitária, com os movimentos restritos. No fim, o tempo de voar é tão curto… mas o vôo é uma sinfonia de louvor Àquele que criou o céu e as flores.

    Pois então… há muita gente, muita mesmo, que pensa que tudo isso é uma besteira sem fim. Pessoas que pensam que o que vale é o dinheiro e o sucesso que você acumula, a sua capacidade de passar por cima do que for – mesmo de outras pessoas – para conseguir o que quer. Estas pessoas, e eu já encontrei algumas delas na Net e pessoalmente, pensam que eu sou uma velha imbecil. Retardada, foi uma das expressões utilizadas. Nos últimos meses estive tão fraca que cheguei a acreditar nelas, a pensar que nada mais tinha para escrever aqui que não fosse triste, velho e imbecil.

    Bem, meus ídolos velhotes, barrigudinhos, carecas, grisalhos e LINDOS do Marillion escreveram há algum tempo uma música que fala maravilhosamente sobre tudo isso, é uma música com Asas de Borboleta. Deixo com vocês a apresentação ao vivo tirada do You Tube com muito amor e com o desejo que vocês que estão por aí lendo o Asa e sentem como eu sinto saibam que são BELOS.

    Aos materialistas, mercantilistas, interesseiros e maus-caráter em geral, bem (tampem os olhinhos das criancinhas, por favor) VÃO À MERDA.

    Estou voltando.

    Beautiful
    music: Marillion
    lyrics: Steve Hogarth & John Helmer

    Everybody knows we live in a world
    Where we give bad names to beautiful things
    Everybody knows we live in a world
    Where we don’t give beautiful things a second glance
    Heaven only knows we live in a world
    Where what we call beautiful is just something on sale
    People laughing behind their hands
    While the fragile and sensitive are given no chance

    And the leaves turn from red to brown
    To be trodden down, to be trodden down
    And the leaves turn from red to brown
    Fall to the ground, fall to the ground

    We don’t have to live in a world
    Where we give bad names to beautiful things
    We should live in a beautiful world
    We should give beautiful a second chance

    And the leaves fall from red to brown
    To be trodden down, to be trodden down
    And the leaves turn green to red to brown
    Fall to the ground and get kicked around

    (Are you) strong enough to be…
    Have you the faith to be…
    (Are you) sad enough to be…
    Honest enough to stay…

    Don’t have to be the same…
    Don’t have to be this way
    C’mon and sign your name
    (Are) you wild enough to remain beautiful?
    Beautiful, beautiful, beautiful.

    And the leaves turn from red to brown
    To be trodden down, trodden down
    And we all fall green to red to brown
    Fall to the ground
    We can turn it around

    (Are you) strong enough to be…
    Why don’t you stand up and say…
    Give yourself a break
    They’ll laugh at you anyway
    So why don’t you stand up and be
    Beautiful, beautiful!

    Black, white, red, gold, and brown (whatever!)
    We’re stuck in this world
    Nowhere to go
    Turn it around
    What are you so afraid of?
    Show us what you’re made of
    Be yourself and be beautiful
    Beautiful

    Essa eu TENHO de traduzir, pedindo desculpas pelo post longo.

    Belo
    música: Marillion
    letras: Steve Hogarth & John Helmer

    Todos sabemos que vivemos num mundo
    Que dá nomes feios a coisas belas
    Todos sabemos que vivemos num mundo
    Onde não damos a coisas belas um segundo olhar
    Deus sabe que vivemos em um mundo
    Onde o que chamamos de belo é o que está à venda
    Pessoas escondem o sorriso com a mão
    Enquanto o frágil e sensível não têm vez

    E as folhas passam de vermelhas a marrons
    Para serem pisoteadas, para serem pisoteadas
    E as folhas passam de vermelhas a marrons
    Caem ao chão, caem ao chão

    Não temos de viver em um mundo
    Que dá nomes feios a coisas belas
    Deveríamos viver em um mundo belo
    Deveríamos dar ao belo uma segunda chance

    E as folhas passam de vermelhas a marrons
    Para serem pisoteadas, para serem pisoteadas
    E as folhas passam de verdes a vermelhas, a marrons
    Caem ao chão e são chutadas em qualquer direção

    Você é forte o suficiente para ser…
    Tem fé suficiente para ser…
    É triste o suficiente para ser…
    Honesto o suficiente para permanecer…

    Não precisa ser mais do mesmo…
    Não precisa ser assim
    Vamos, assine embaixo
    Você é selvagem o suficiente para permanecer belo?
    Belo, belo, belo…

    E as folhas passam de vermelhas a marrons
    Para serem pisoteadas, para serem pisoteadas
    E todos nós passamos de verdes a vermelhos a marrons
    Caimos ao chão,
    Nós podemos mudar isso

    Você é forte o suficiente para ser…
    Porque não se levanta e diz…
    Pegue leve com você
    Eles vão rir de você de qualquer jeito
    Então porque você não se levanta e seja
    Belo! Belo!

    Negro, branco, vermelho, dourado ou marrom
    Estamos presos a este mundo
    Nenhum outro lugar para ir
    Vamos mudar
    De que você tem medo?
    Mostre-nos do que é feito
    Seja você mesmo e seja Belo
    Belo

  • Para um anjo que me deu um anjo, em seu aniversário

    Date: 2009.09.09 | Category: Alex Cabedo, amizade, amor, Asas de Borboleta, encantamento | Response: 2

    Photobucket

    Querida Carolina

    Se eu pudesse, juntava muitas e muitas conchinhas do mar, das mais belas. construía, na beira da praia mais bonita do planeta, um castelo de madrepérola com caminhos de cristal e lindos aquários com os mais coloridos peixes do mar. No jardim colocava as flores mais perfumadas, aquelas que atraem mais borboletas e beija-flores. Mobiliava com os móveis mais macios bonitos e alegres que encontrasse, e presenteava você com tudo isso, você que é a minha eterna sereia a nadar em Cabo Verde.

    Queria juntar todas as coisas mais doces e queridas – mais ‘bacanas’ como falamos aqui no Brasil – e doá-las a você uma a uma, a cada aniversário seu que passarmos juntas de coração (espero que sejam muitos!).

    Já que você foi mais rápida e me mandou um presente antes que eu pudesse mandar o seu, fica este post como presente virtual, até que o seu presente de verdade chegue pelo correio.

    Titi Sue ama você muito!

    Feliz nove do nove de dois mil e nove!!

  • Sensibilidade, ou Filtros

    Date: 2009.08.12 | Category: Asas de Borboleta, espírito, luta, vida interior | Response: 1

    (inspirado por Rogério Prado Macedo

    – obrigada, sem medo, amigo querido)

    Love Hurts by Nazareth

    Love hurts, Love scars
    Love wounds and mars
    Any heart not tough
    Or strong enough
    To take a lot of pain
    Take a lot of pain
    Love is like a cloud
    Holds a lot of rain
    Love hurts, (Ooooo), love hurts

    I’m young, I know
    But even so
    I know a thing or two
    I learned from you
    I really learned a lot
    Really learned a lot
    Love is like a flame
    It burns you when it’s hot
    Love hurts, (Ooooo), love hurts

    Some fools think of happiness,
    Blissfulness, togetherness
    Some fools, fool themselves, I guess
    They’re not fooling me
    I know it isn’t true
    I know it isn’t true
    Love is just a lie
    Made to make you blue
    Love hurts, (Ooooo) love hurts (Ooooo), Love hurts

    I know it isn’t true
    I know it isn’t true
    Love is just a lie
    Made to make you blue
    Love hurts, (Ooooo) love hurts (Ooooo), Love hurts (Ooooo)

    Aquilo que eu mais desejo é sempre o que me faz sofrer mais.
    Disso é feito o Rock, disso é Feito o Blues:
    A alma se arrebenta em canção.
    A guitarra corta a paz como uma moto-serra.
    O coro sustenta, a voz do vocalista rasga. Love hurts.
    Uhhhh, Love hurts.

    Love Hurts by Cher
    (assista no YouTube, usando o link acima; permissão de embedding não foi concedida)

    Love hurts, Love scars
    Love wounds and mars
    Any heart not tough
    Or strong enough
    T’take a lot of pain
    Take a lot of pain
    Love is like a cloud
    And it holds a lot of rain
    Love hurts, (Ooooo), love hurts

    You’re young, I know
    Baby, even so
    I know a thing or two
    Ooo honey, I’ve learned from you
    And I really learned a lot
    I really learned a lot
    Love is like a stove and
    It burns you when it’s hot
    Love hurts, (Ooooo), love hurts

    Some fools dream of happiness,
    Of blissfulness, togetherness
    Oh, some fools, they fool themselves, I guess
    They’re not fooling me
    And I know it isn’t true
    Yeah, I know it isn’t true
    Love is just a lie and it’s
    Made to make you blue
    Love hurts, (Ooooo) love hurts
    (Ooooo), Love hurts

    And I know it isn’t true
    Oh, I know it isn’t true
    Love is just a lie and it’s
    Made to make you blue
    Love hurts, (Ooooo) love hurts (Ooooo), Love hurts, (Ooooo), Love hurts

    A espera dos primeiros compassos… silêncio cheio de expectativa.
    O piano despeja nos ouvidos pequenos sons que rodam, rodam.
    A banda faz o colchão onde repousa a melodia.
    A guitarra corta a paz como uma moto-serra.
    O coro sustenta, a voz da cantora rasga. Love hurts.
    Uhhhh, Love hurts.

    Começamos quase tudo com grande expectativa.
    Lentamente a ciranda da vida nos roda-roda.
    Os desejos nos acalentam num colchão de passividade.
    A realidade corta a paz como uma moto-serra.
    O coro sustenta, a voz da cantora rasga. Love hurts.
    Uhhhh, Love hurts.

    A juventude é a surpresa, a novidade.
    Lentamente a rotina da vida roda, roda.
    A maturidade pisa no freio, desejosa de repouso
    A tristeza corta a paz como uma moto-serra.
    O coro sustenta, a voz da cantora rasga. Love hurts.
    Uhhhh, Love hurts.

    Na infância corri veloz em direção à descoberta.
    A adolescência trouxe responsabilidade.
    A idade adulta buscou alegria e a paz
    Na maturidade, a perda corta essa paz como uma moto-serra.
    O coro sustenta, a voz da cantora rasga. Love hurts.
    Uhhhh, Love hurts.

    Não importa o que eu faça ou diga, no final é tudo sempre igual:
    A guitarra geme como alma penada, rasga a paz como uma moto-serra.
    O coro sustenta, a voz da cantora rasga. Love hurts.
    Uhhhh, Love hurts.

    Desculpem a longa ausência. É, tô mal….

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