Archive for agosto, 2002

  • Mantra

    Date: 2002.08.28 | Category: vida interior | Response: 0

    Um dia de cada vez. Um dia de cada vez. Um dia de cada vez. Um dia de cada vez. Um dia de cada vez. Um dia de cada vez. Um dia de cada vez. Um dia de cada vez. Um dia de cada vez. Um dia de cada vez. Um dia de cada vez. Um dia de cada vez. Um dia de cada vez. Um dia de cada vez. Um dia de cada vez. Um dia de cada vez. Um dia de cada vez. Um dia de cada vez. Um dia de cada vez. Um dia de cada vez. Um dia de cada vez. Um dia de cada vez. Um dia de cada vez. Um dia de cada vez. Um dia de cada vez. Um dia de cada vez. Um dia de cada vez. Um dia de cada vez. Um dia de cada vez. Um dia de cada vez. Um dia de cada vez. Um dia de cada vez. Um dia de cada vez.

  • Aftershock

    Date: 2002.08.26 | Category: amor, outonos, vida interior | Response: 0

    Fui dormir dentro de uma bolha de dor. Mas a dor era tanta que eu estava anestesiada. Meu corpo e minha mente, no entanto, não vão permitir que eu passe por isso sem sentir. Ah, meu coração pediu tanto, implorou de joelhos, mas estes dois quando se juntam não tem escapatória: acordei com o corpo e a mente dotados de uma hipersensibilidade surreal. E aí, cada pontinha de dor eu sinto como um choque de alta voltagem. Paciência.

  • Estado de Choque

    Date: 2002.08.26 | Category: espírito, vida interior | Response: 0

    Devagar, bem devagar…

    Pequenos cacos de vidro

    Pequenas adagas

    Um pacote de duas mil giletes

    Cinco espadas pontiagudas

    Três mil metros de arame farpado

    Devagar, bem devagar…

    entrou tudo no meu coração.

    Riiiiiiiippp! Está rasgado em tiras.

    Como é mesmo que se respira, borboleta?

    Esqueci…

  • Ataques

    Date: 2002.08.24 | Category: espírito, luta | Response: 0

    Existem coisas muito belas neste mundo, coisas muito feias, coisas suaves e febris, calmas e aterradoras. Alguns contatos entre as almas das pessoas trazem um sentimento tão grande e tão certo, que vem ao nariz um perfume de santidade, de paraíso. Em outros casos, um cheiro putrefato invade nossos sentidos, o nariz arde, os olhos lacrimejam… A tristeza maior é que as pessoas acham que tanto em um caso quanto no outro, estas coisas acontecem entre determinado TIPO de pessoa, como se fosse possível prever tal coisa.

    Tenho amigos que, ao mero contato eletrônico, trazem bênção e alegria à minha vida. Estas pessoas são poucas, posso contá-las com os dedos de uma mão, mas fazem com que eu me sinta a mais rica das mulheres. Às vezes, pergunto a mim mesma o que eu fiz de tão certo para merecer presentes assim. Meus amigos aumentam o tamanho das minhas asas de borboleta.

    Mas, às pessoas que querem trazer a putrefação para algo que é belo, para as pessoas que emporcalham tudo, eu aviso que minhas asas de borboleta não estão ao seu alcance. Mas o punhal que trago na língua está.

  • O Nome da Borboleta 06

    Date: 2002.08.23 | Category: Asas de Borboleta | Response: 0

    Recebi um bocado de sugestões de nomes para a minha borboleta, acho que vou acabar fazendo deste batismo um concurso!

  • Borboleta no jardim (tradução do post anterior)

    Date: 2002.08.21 | Category: alegria, Asas de Borboleta, beleza, encantamento | Response: 0

    “Marina viu uma borboleta voando no jardim. Ela não se surpreendeu com o fato da borboleta voar direto, atravessando o jardim, já que não achara coisa alguma bela para olhar, flor alguma na qual repousar. Ela adorava o modo de voar das borboletas. Sem linhas retas, sem pressa de chegar a algum lugar. Para cima e para baixo, para frente e para trás.

    Então a borboleta parou. Ela não parara no jardim, mas decidira vir sentar na janela e olhar para Marina. Ela olhava para o ser sentado na janela, olhando para dentro. Este movia suas asas como a dizer olá, e quando Marina não respondeu, a borboleta decidiu enviar uma mensagem em código. Ao menos, é o que parecia para Marina. A borboleta batia na janela, primeiro com uma asa e depois com a outra, como se realmente estivesse enviando uma mensagem.

    O problema era que Marina não entendia o código que a borboleta estava usando. Ela não entendia qualquer código de envio de mensagens. Em alguns momentos ela pensava que ela não tinha talento algum para se comunicar em qualquer idioma. Ela certamente não acreditava ter talento para se comunicar com Tom, de uns tempos para cá.(…)

    Ela estendeu a mão para a borboleta. Encostou a mão na janela, enviando pequenas mensagens de volta para ela. Elas ficaram fazendo isso, dedos e asas batendo contra a janela, ambas satisfeitas em ficar ali e contemplar uma à outra por algum tempo.

    O que pensava a borboleta dela, vivendo naquela casa, entre quatro paredes? O que ela sabia sobre as linhas retas nas quais as pessoas viviam? Escola, universidade, empregos; família, amigos, namorados, marido, filhos; quarto, apartamento, casa, casa maior, casa maior com jardim. Será que a borboleta se perguntava porque Marina não voava como ela – aqui e ali, para cima e para baixo, para frente e para trás – movendo-se onde quisesse, quando quisesse? Marina olhava para a borboleta e se perguntava a mesma coisa. Então, ela se lembrou de algo.

    Ela havia lido em um jornal algo sobre uma teoria que tudo no mundo é entrelaçado. Se você muda uma coisa, então esta coisa irá modificar outras coisas também. Ela se lembrava do exemplo que eles deram: uma borboleta pousa em uma flor em algum lugar do oriente e isto modifica uma outra coisa, e então uma terceira coisa muda e uma outra e uma outra, até que, finalmente, acontece um terremoto no ocidente, a milhares de milhas de distâncias.

    Marina observou a borboleta e perguntou: ‘Que mudanças você trará à minha vida? Haverá um terremoto em algum lugar do mundo hoje? Haverá um terremoto em minha vida?’ Ela sorriu ao considerar os próprios pensamentos e então espalmou a mão do outro lado da janela. Ela convidou a borboleta a entrar e pousar em sua mão. Mas a borboleta desapareceu no instante que a porta da frente se abriu e Tom entrou em casa.”

    (O Homem que Passava, por Collin Campbell; tradução, Assunção Medeiros)

  • Butterfly in the Garden

    Date: 2002.08.20 | Category: alegria, Asas de Borboleta, encantamento | Response: 0

    Que coisa espantosa que é a vida. Quando menos se espera, aparece poesia diante de nós. E quem diria, num texto PEDAGÓGICO! No meio da aula de inglês, virei borboleta… Meus alunos gostaram!

    “Marina saw a butterfly flying in the garden. She was not surprised that the butterfly seemed to be flying straight through the garden, not finding anything beautiful to look at, no flowers to rest on. She loved the way butterflies flew. No straight lines, no hurrying to get somewhere. Up and down and backwards and forwards.

    Then the butterfly stopped. He didn’t stop in the garden, but he had decided to come and sit on the window and look at Marina. She looked at him sitting on the window, looking in. He moved his wing as as if to say hello and when Marina did not answer, the butterfly decided to send a message in code. At least, that is how it seemed to Marina. The butterfly hit the window first with one wing and then with the other as if he really was sending a message.

    The problem was that Marina did not understand the code the butterfly was sending. She did not understand any code for sending messages. Sometimes she thought she was not very good at communicating at all in any language. She certainly did not think she was good at communicating with Tom anymore.(…)

    She reached out to the butterfly. She put her hand on the window, sending out little messages to the butterfly. They continued like this for some time, fingers and wings knocking against the window, both of them happy to rest there and watch each other for a while.

    What did the butterfly think of her, living in this house, living between these four walls? Did he know about the straight lines people lived along? School-university-jobs; family-friends-boyfriends-husband-children; room-flat-house-bigger house-bigger house with garden. Did the butterfly ask itself why she did not fly like him, here and there and up and down and backwards and forwards, moving where it wanted, when it wanted? Marina looked at the butterfly and asked herself the same question. Then she remembered something else.

    She had read in a newspaper something about an idea that everything in the world is joined together. If you change one thing then this will change other things as well. She remembered the example they talked about. A butterfly lands on a flower somewhere in the east part of the world and this changes something else, and then something else changes and then something else and something else until, finally, there is an earthquake in another part of the world, in the west, thousands of miles away.

    Marina looked at the butterfly and asked him: ‘What changes will you bring to my life? Will there be an earthquake somewhere in the world because you stopped to visit me today? Will there be an earthquake in my life?’ She smiled at her own thoughts and then opened her hand on her side of the window. She invited the butterfly to come and sit on her hand. But the butterfly disappeared as the front door opened and Tom came into the house.”

    (Cambridge English Readers – Level Three – The Ironing Man by Collin Campbell)

    Depois eu traduzo com calma. Leve como uma borboleta.

  • Anjos 02

    Date: 2002.08.19 | Category: amor, espírito, mãe, saudade, vida interior | Response: 0

    Ultimamente tenho dado para pensar em crianças. Todas elas. As menorezinhas então me deixam hipnotizada, acho que existem algumas mães nervosas andando por aí, achando que sou uma daquelas mulheres seqüestradoras de bebês. Mas não, as crianças me fascinam porque a criança que eu esperava ter está murchando dentro de mim, à medida que o tempo passa e ela não vem.

    Quantas amigas e amigos, sabedores da minha paixão pela maternidade, me aconselhavam a “produção independente”. O que faço eu com o olhar questionador do meu filho, pensava eu então, como respondo a ele quando ele perguntar onde está o pai? “Filho, eu o roubei de seu pai, e roubei seu pai de você”? Não posso, nunca pude, imaginar tamanho egocentrismo que me fizesse privar propositadamente um filho meu de seu pai.

    Meu filho, pobre anjo, ainda espera para nascer, cada vez com menos esperança. A necessidade que tenho dele virou um hiato na alma, e dentro deste nasce uma moita que está vagarosamente se enchendo de pequenos espinhos. Dentro desta moita, uma única rosa brilha perfeita. Quando penso em meu nenê, sinto uma fome e um aperto que fazem estes espinhos me comerem a carne… Meu pequenino, minha rosa, vagarosamente se afasta de mim, como a pressentir que esta mãezinha não vai recebê-lo em seu ventre, e transformá-lo de apenas possibilidade em criança concreta.

    E mulheres abortam seus filhos!!! Passo momentos agridoces imaginando a curva da bochecha, o formato do nariz, a cor dos olhos de uma criança que jamais existiu, sem conseguir atinar como uma mulher arranca de dentro de si uma criança pulsando de vida, para jogá-la na lata do lixo… Essa criatura que é dela, carne produzida de sua carne, com seus olhos, ou os olhos de sua tia Maria, ou o bom humor de seu primo José… Porque é que as crianças hoje são consideradas “problema” e as mães tentam se livrar delas como da peste, em vez de imaginarem que coisas boas e belas de si e de sua família serão perpetuadas naquele corpinho? Quantas coisas também podem ser melhoradas e consertadas numa próxima geração!

    Um dia, ouvi uma canção. Não esperava por ela, não estava preparada. Meus joelhos tremeram, minha cabeça tombou e caí num choro convulso. Uma outra mulher, talentosa, linda – que sei não ter filhos como eu, pois a conheço pessoalmente – falava da minha dor como se fosse a dela, cantava um anjinho morto, como meu quase-bebê… Ninava esta criança morta com sua voz cristalina… Annie, ah! Annie, você assim acaba comigo, eu pensava enquanto chorava. Mas não conseguia parar de ouvir. Uma, duas, vinte e cinco vezes seguidas eu ouvi esta canção. Ela mesma foi a doçura que afastou o amargor.

    Esta é a canção que uso para dizer a meu filho: Dorme, querido, mamãe está aqui.

  • Anjos

    Date: 2002.08.19 | Category: amor, espírito, mãe, vida interior | Response: 0

    A thousand angels

    Rain fell on that morning

    Without a warning

    You said goodbye

    Life had failed to hold you

    Your spirit rose to a leaden sky

    Then, when you were gone

    The tears fell in a warm and clearing rain

    Farewell for now, little one

    Sleep, my angel, sleep sweetly

    And try to remember

    A thousand angels will sleep with you

    And I believe you’ll always be with me

    When I’m thinking of you

    You are the diamond falling in my eye

    Still, the stars above me

    The world is turning, the days go by

    Time heals, so very slowly

    If time was only the reason why

    Now, I hope and pray

    There’ll come a day we’ll know and understand

    Now, close your eyes little one

    Dream, my angel, dream deeply

    And try to remember

    A thousand angels will dream with you

    And I believe I’ll always be with you

    When I’m thinking of you

    You are the diamond falling from my eye

    As long as I live

    You are the diamond circling in my eye

    Annie Haslan

  • Coração

    Date: 2002.08.18 | Category: alegria, amor, encantamento, vida interior | Response: 0

    Smile, though your heart is aching

    Smile, even though it’s breaking

    When there are clouds in the sky, you’ll get by

    If you smile, through your fear and sorrow

    Smile, and maybe tomorrow

    You’ll see the sun come shining through for you

    Light up your face with gladness

    Hide every trace of sadness

    Although a tear maybe ever so near

    That’s the time you must keep on trying

    Smile, what’s the use of crying

    You’ll find that life is still worthwhile

    If you just smile

    Em certas horas o coração frágil dos seres humanos parece que não agüenta a beleza. O coração fica dividido entre o aperto da melancolia e a expansão do arrebatamento estético, e parece que a alma vai rasgar ao meio. É nessas horas que se tem sorte de ter asas e alma de borboleta, pois já sabemos que toda a beleza é efêmera, e que por isso ela causa esta dor. E não apenas suportamos a dor, mas transformamos a dor e as suas lágrimas num doce néctar que alimenta o espírito.

    Hoje eu me senti assim quando visitei a casa de um amigo. Na entrada, ele me recebeu com a linda canção “Smile”, do Nat King Cole. Foi muito hospitaleiro, mostrou-me a casa toda, seus desenhos, seus escritos. O tempo todo tocava uma linda canção. Depois de um determinado momento, sendo tudo tão lindo, pus-me a sorrir e a chorar, ao mesmo tempo. Sua casa, meu amigo, é bela como seu coração, e contemplar os dois parte meu coração em mil pedaços. Então, cada pedaço vira um coração.

    Hoje estou toda coração.

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