Archive for setembro, 2006

  • Date: 2006.09.19 | Category: amor | Response: 0

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    Kinsey: sexo, amor, sentimentos

    Vi recentemente num canal de TV a cabo o filme Kinsey, que fala da trajetória do professor que sacudiu a opinião pública americana ao deixar de catalogar vespas e passar a catalogar o comportamento sexual de homens e mulheres. É um filme rico de possibilidades de interpertação, o que já ajuda, mas ter Liam Neeson no papel principal só podia transformar mesmo este num bom filme. Eu sou suspeita para falar de Liam Neeson, que representa o cientista. Para mim ele é sempre perfeito em sua interpretação, seja como vilão de história em quadrinhos, seja como cavaleiro Jedi, seja como um entomologista que decide mudar seu objeto de pesquisa.

    Ele sendo sempre perfeito, e representando uma figura polêmica, não seria de surpreender que o mais importante do filme fosse a qualidade de interpretação dos atores coadjuvantes. Ninguém desapontou. Laura Linney apresenta uma companheira dedicada, amante do marido, que tenta com toda a honestidade entender e se adaptar ao comportamento iconoclasta deste. Peter Saarsgaard está esplêndido como o nobre escudeiro bissexual, dublê de amante de Kinsey E de sua esposa, que depois vira o grande amigo do casal.

    Parece complicado? Muito, muito complicado tudo aquilo com que o filme lida. Com a sexualidade humana, com seus sentimentos, com os limites e as possibilidades de explorar e expandir estes limites. Com a questão da normalidade e aceitação do que não é considerado normal. Tudo que pinica a humanidade, em suma. Lida com delicadeza em alguns momentos, com militância pela liberdade sexual em outros. Há cenas de grande impacto, tanto por sua beleza – como quando o idoso casal Kinsey pára um instante em seus muitos afazeres para tocar uma milenar sequóia no meio de uma floresta – quanto pela apresentação da dor humana – como o rapaz homossexual que mostra ao cientista as marcas de ferro em brasa que recebeu do pai e dos irmãos por ter sido descoberto explorando o corpo de um amigo aos 13 anos de idade.

    Muitas coisas, muitas, para discutir e refletir, para aceitar e descartar. Duas cenas eu separei para falar aqui, hoje, as duas relacionadas ao mesmo assunto…

    A primeira cena é aquela em que Kinsey conta a Mac (apelido pelo qual chama sua esposa) que teve relações carnais – e bota carnal nisso, que beijo!!! – com seu auxiliar Clyde. Ele começa a se explicar demais, a levar para um campo histórico-científico, fala dos gregos, e Mac corta imediatamente com a frase “Não use a ciência para desculpar o que você fez!” Ao escutar o argumento do marido que ela era sua menina e sempre seria (seus filhos já estavam crescidos), que aquilo tinha sido apenas sexo e que sexo monogãmico era apenas uma “convenção social, um limite imposto pela sociedade”, adorei a resposta de Mac: “Você já parou para pensar, Prok, que estes limites existem para impedir que as pessoas machuquem umas às outras?”

    Corta. Muitos anos depois, Clyde está casado com uma moça por quem era apaixonado. Ele já faz parte de um grupo de auxiliares de Kinsey, cuja a pesquisa era patrocinada pela Fundação Rockefeller. Kinsey pregava e estimulava o comportamento sexual livre, dentro de seu casamento e na vida de seus auxiliares. Não demora e o acidente acontece: a mulher de Clyde, que tem um caso com um colega de equipe do marido, decide abandoná-lo. O amante em questão e o marido abandonado se pegam no tapa e são levados para a sala do chefe. Kinsey pergunta ao amante se ele pretende largar a mulher e os filhos para casar com a mulher do outro, e prontamente recebe como resposta um enfático “Claro que não!” Com isso, o amante desastrado pede perdão a Clyde e parte da sala para ligar para o pomo da discórdia e avisar à tola que ele não pretendia de forma alguma assumi-la, e que estava tudo acabado.

    Sozinho com Clyde, Kinsey começa a balbuciar frases do tipo “eu tinha dito a eles que não se apaixonassem”, “eu vi essa crise chegando”, como se um subordinado tivesse quebrado as regras de um jogo. Clyde responde com um palavrão e fala: “Você pensa que sexo não é nada demais, mas sexo é tudo. Ele pode rasgar você de cima a baixo.” Kinsey pede que ele vá consolar a esposa, e ele parte ainda furioso e ferido.

    Não, meus queridos e fiéis leitores, que ainda chegam aqui com esperança de ler algo meu (não diz o ditado que quem espera sempre alcança? Alcançou!), não vou falar de adultério. Nem de traição. Eu vou falar do que está por trás (sem trocadilho, juro!) do adultério e da traição. E por trás das pequenas e grandes insensibilidades que cometemos e de que somos vítimas ao longo das nossas vidas: vou falar da desconsideração.

    Desconsideração… significa não considerar. Parece óbvio? Pode ser, mas as pessoas não agem como se fosse. Desconsiderar significa não PENSAR em determinada coisa ou pessoa – ou sentimento de outra pessoa – ao tomar uma atitude qualquer. Geralmente, cada vez que indignados acusamos um amado ou amigo de desconsideração, eles respondem surpresos: ‘Mas isso nem passou pela minha cabeça!’ E não passou mesmo.

    Para mim, pelo menos, ESTE é o grande problema.

    O ser humano é um animal egoista, pensa sempre primeiro em si, depois, TALVEZ, no outro. Eu tenho um problema sério com a raça humana: tenho dificuldade de lidar com este conceito do egoísmo. Não riam, é verdade, e é um problema sério. Eu sou, por temperamento, por criação e por preceito religioso uma pessoa que procura sempre pensar no outro, procura agir de forma a não pisar em calos e não ferir sensibilidades. Até hoje estou para encontrar alguém que retribua a cortesia. A desconsideração do outro me agride fundo. Muitas vezes, a desconsideração de pessoas de quem eu esperava mais cuidados me leva a reações lacrimosas ou agressivas, pois tenho gênio. O egoísmo e o não-pensar do outro é algo que não me cai bem, e não sei lidar com ele. Acreditem, é falha grave para quem quer socializar.

    Mas hoje, depois de ver este filme, percebi que o problema que Kinsey tentou inutilmente resolver através de pesquisa estatística é um só: não pensamos naqueles que amamos quando decidimos o que vamos fazer. Não consideramos as consequências de nossos atos nas pessoas à nossa volta. Aquilo que fazemos, fazemos porque queremos e pronto, quem quiser que vá reclamar ao bispo. Quanta dor pequena e grande seria evitada se por um instante as pessoas CONSIDERASSEM. Quantas sensibilidades não seriam feridas pelas botas pesadas da inconsciência…

    Por favor, PENSEM. Os sentidos são para ser comandados, sempre, pelo intelecto e pelo espírito. E reparem, eu aqui não falo de um ponto de vista moral. Estou falando de relações simples de causa e efeito que poderiam ser evitadas por um momento de reflexão séria. Não estou falando que isto é certo e aquilo é errado. Apesar de ter os comportamentos da humanidade distribuídos claramente nestas duas listas, esta listas são minhas. Cada um pode e deve construir as suas, e depois fazer a contabilidade com Deus lá em cima.

    O que eu estou dizendo é que, a cada ato impensado que temos, ALGUÉM a quem amamos vai se sentir ferido. Ao dizer “isso nem me passou pela cabeça”, dizemos a este ente querido que ele não foi levado em consideração. Exagero meu? Bem, QUEM gostaria de trocar de lugar e descobrir que um ser amado tomou decisões sem sequer pensar em nós?

    Pensem a respeito.

    Kinsey
    Gênero: Drama e Biografia
    Duração: 1 hr. 58 min.
    Lançamento: 12 de novembro de 2004 (LA/NY)
    Distribuidores: 20th Century Fox, United Artists Films
    Elenco:
    ALFRED KINSEY – Liam Neeson
    CLARA McMILLEN – Laura Linney
    CLYDE MARTIN – Peter Sarsgaard
    WARDELL POMEROY – Chris O’Donnell
    PAUL GEBHARD – Timothy Hutton
    ALFRED SEQUINE KINSEY – John Lithgow
    THURMAN RICE – Tim Curry
    HERMAN WELLS – Oliver Platt
    ALAN GREGG – Dylan Baker
    ALICE MARTIN – Julianne Nicholson
    KENNETH BRAUN – William Sadler
    HUNTINGTON HARTFORD – John McMartin
    SARA KINSEY – Veronica Cartwright

  • Compromisso

    Date: 2006.09.17 | Category: amor, luta, pai | Response: 0

    Newsflash

    Amados, não estranhem o silêncio. Tudo que eu escrevesse aqui, durante este tempo todo em que tenho estado no olho do furacão teria soado caótico, triste ou zangado. E não estou, de verdade, numa fase ruim. Nem deprimida, nem infeliz.

    Estou apenas cuidando de quem toda a vida cuidou de mim.

    AS MÃOS DE MEU PAI – Mário Quintana

    As tuas mãos têm grossas veias como cordas azuis
    sobre um fundo de manchas já da cor da terra
    – como são belas tuas mãos
    pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram na
    nobre cólera dos justos…
    Porque há nas tuas mãos, meu velho pai, essa beleza
    que se chama simplesmente vida
    E, ao entardecer, quando elas repousam nos braços de
    tua cadeira predileta
    uma luz parece vir de dentro delas…
    Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente,
    vieste alimentando na terrível solidão do mundo
    como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los
    contra o vento?
    Ah, como os fizeste arder, fulgir, com o milagre das tuas mãos!
    E é, ainda, a vida que transfigura as tuas mãos nodosas…
    essa chama de vida – que transcende a própria vida
    … e que os Anjos, um dia, chamarão de alma.

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