Archive for novembro, 2017

  • A Quem Seguis?

    Date: 2017.11.24 | Category: espírito, luta, saudade, vida interior | Response: 0

    “Portanto, todos aqueles que pecaram sem Lei, sem Lei perecerão; e todos aqueles que pecaram com Lei, pela Lei serão julgados. Porque não são os que ouvem a lei que são justos perante Deus, mas os que cumprem a Lei é que serão justificados.” (Romanos 2, 12-13)

    “Eu vos exorto, irmãos, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo: guardai a concórdia uns com os outros, de sorte que não haja divisões entre vós; sede estreitamente unidos no mesmo espírito e no mesmo modo de pensar. Com efeito, meus irmãos, pessoas da casa de Cloé me informaram de que existem rixas entre vós. Explico-me: cada um de vós diz: “Eu sou de Paulo!”, ou “Eu sou de Apolo!”, ou “Eu sou de Cefas!”, ou “Eu sou de Cristo!” Cristo estaria assim dividido? Paulo teria sido crucificado em vosso favor? Ou fostes batizados em nome de Paulo?” (I Cor 1, 10-13)

     

    Estou acabrunhada, triste, de coração pesado como chumbo. Tenho visto por toda parte desrespeito à fé cristã; ataques ditos ‘artísticos’; profanação de templos católicos; religiosos e leigos, homens e mulheres, presos e mortos por causa da Fé em Cristo. Tudo isso faz com que eu me entristeça, mas nem de longe com a intensidade que me entristece saber que os ataques mais peçonhentos à Igreja vêm de DENTRO dela.

    Eu nasci e cresci numa família católica, fui batizada no mesmo dia em que nasci. Minha mãe e minha tia Eloysa eram congregadas marianas (ainda guardo suas fitas azuis), e quando tinha um ano de idade, minha tia me levou para visitar as irmãs de São Vicente no Santuário de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, no Rio, onde fui consagrada à Maria. Tia Elô gostava de lembrar como fiquei comportada, imitando as freiras no ajoelhar e levantar e sentar da oração (não sei se era Missa). Sempre, aliás, gostei de ir à Missa, o ambiente da Igreja de Pedra sempre foi para mim sinônimo de paz e proteção. Me sentia bem, simplesmente, desde muito antes da Primeira Eucaristia, aos nove anos.

    Depois da primeira comunhão, meu pai espiritual me recebia, no lindo mosteiro da sua Ordem Beneditina, e lá aprendi a amar o canto gregoriano, que enchia a grande igreja, sempre na penumbra. Eu, adolescente, fiz parte do MESB – Movimento de Encontros São Bento, levada pela mão de Dom João, meu confessor e diretor espiritual do movimento. Aproveitava para chegar mais cedo nas reuniões semanais às quartas ou quintas à noite, para poder assistir às Completas, muitas vezes só eu e os monges – e me parecia que uma multidão de anjos também.

    O amor a Cristo e à sua Igreja não é uma segunda natureza para mim, mas é parte, a maior parte, da pessoa que sou. Frequentar uma outra igreja, com doutrina diferente, seria o mesmo que, sem mais nem menos, trocar de pais e decidir, num rompante, que o coreano da pastelaria da esquina agora é meu pai biológico. Ser algo diferente de católica para mim é uma impossibilidade concreta.

    Pneuma. O Espírito sopra onde quer, e eu sempre desejei que soprasse forte a meu redor, desalinhando meus cabelos e me fazendo fechar os olhos em oração. Os sinos da torre do Mosteiro da Praça Mauá batem em compasso com meu batimento cardíaco, eu respiro o farfalhar daquelas folhas de árvore sacudidas pelo vento da Baía de Guanabara. Maria, Mãe Santíssima, sempre foi o colo para onde eu partia a cada pequeno sofrimento da infância; o ombro que recebeu minhas lágrimas quando eu me despedi de minha mãe e de meu pai. A Igreja me perpassa, muitos dons eu recebi; se eu falho de tantas formas em Ser Igreja, tenho consciência que a culpa é única e exclusivamente minha.

    Mas nunca, com todos os pecados e defeitos que tenho, jamais me passou pela cabeça levantar a voz para criticar acidamente um padre, um bispo, que dirá um PAPA, como tenho visto católicos fazerem ultimamente. Toda vez que vejo um padre, vejo meu Pai João, vejo todos os Santos Padres da história da Igreja, vejo aquele que traz Cristo para entrar em minha alma na Missa. Os religiosos e religiosas têm um lugar terno no meu coração, que cresci em meio a monges. O Papa, ah, esse é Cristo Conosco, Pai de todos os Católicos, esteio da Igreja. Cada um deles a seu modo, errando ou acertando como homens, mantiveram o Corpo de Cristo vivo e crescendo por dois milênios.

    Como pode alguém ter a ousadia de displicentemente dizer “Sou católico pré-Concílio Vaticano II”, jogando fora – e convicto que DEUS jogou fora – toda a sucessão apostólica desde meados do século passado?! Deus então abandonou a Igreja, é isso? O Deus que mandou Francisco de Assis para reconstruir o que falhava, Catarina de Sena para trazer o Papa de volta a Roma, Pio de Pietrelcina para nos lembrar dos dons do espírito e da necessidade de obediência e oração, João Paulo II para derrubar o Muro que dividia a humanidade em duas metades que não se falavam… ESSE Deus simplesmente permitiu que a Igreja ficasse nas mãos de hereges (sim, já ouvi até mesmo São João Paulo II ser chamado de herege) por 60 anos, sem nenhum alívio?

    Hoje eu li uma outra coisa que foi como uma facada no peito. Numa postagem de um amigo no Facebook, que justamente homenageava os dons de inteligência e erudição do Papa Emérito Bento XVI, um contato seu comentou: “Esse é o meu Papa – o único”. Algumas outras pessoas concordaram enfaticamente.

    Agora Papa se escolhe; dispensam-se uns, louvam-se outros, utilizando nada mais que os gostos pessoais subjetivos e a vontade de se ter mais majestade que o Rei. E pior, com o sentimento de ser o católico mais puro e fiel da face da terra.

    Lúcifer, quando tentou roubar para si a majestade divina, pelo menos sabia que isto era um levante, uma traição, um ato de guerra.

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