• Date: 2003.04.04 | Category: Asas de Borboleta | Tags:

    Walt, aquele velhinho safado, entendia muito bem as borboletas. A que ele fez é linda, e as que ele cantou, mais ainda. As borboletas compreendem a sua urgência, porque sabem da fragilidade de viver aqui, neste mundo, e da beleza indescritível que nasce, vive e morre, muitas vezes invisível aos olhos sem poesia. Em TUDO há poesia, se soubermos olhar.

    Ele era o tipo de pessoa que escandaliza, porque não era fiel a outra ordem que não fosse a sua interna. Isso choca o rebanho mesmo. Escolher estar fora do apoio coletivo, como ele escolheu, não é coisa fácil. Só uma pessoa com o fogo interior dele conseguiria.

    Outro dia me perguntaram se sexo era assim tão importante. E uma outra pessoa me garantiu que não, que não era assim tão importante. Eu, no entanto, acho que sexo foi o primeiro presente de Deus à sua criação. Como todo presente divino, deve ser tratado com a devida reverência e responsabilidade.

    Existe uma grande diferença entre este primeiro presente divino e um outro, o Amor, jóia mais rara do tesouro que herdamos. O amor é um esquecer-se de si, no cuidado do outro. O amor nos faz olhar para fora. É o contemplar reverente do milagre daquilo que não sou. O sexo é um mergulho em si mesmo. É um impulso de mergulhar em si, recolher de si o fogo e a força, e jogá-los vigorosamente para fora, numa explosão do eu sou. O harmonioso convívio entre estes dois dons de Deus é o que devemos buscar.

    Hoje em dia falam em sexo seguro. Não existe tal coisa. Sexo é um desmanchar-se em si de tal forma que não se sabe se voltaremos a ser o que éramos. É uma viagem que talvez nos leve irremediavelmente para longe do que fomos. Tenha certos cuidados ao partir nesta viagem. Leve sempre com você, na sua bagagem, um bom agasalho para o coração e a identidade da sua alma. Nunca se perca de você. Saiba que o caminho é longo, e muitas vezes tortuoso. Não há estradas pavimentadas, e as rotas mudam a cada instante.

    E talvez seja bom também levar o velho Walt como companhia.

    A Woman Waits for Me

    Walt Whitman

    A woman waits for me, she contains all, nothing is lacking,

    Yet all were lacking if sex were lacking, or if the moisture of

    the right man were lacking.

    Sex contains all, bodies, souls,

    Meanings, proofs, purities, delicacies, results, promulgations,

    Songs, commands, health, pride, the maternal mystery, the

    seminal milk,

    All hopes, benefactions, bestowals, all the passions, loves,

    beauties, delights of the earth,

    All the governments, judges, gods, follow’d persons of the

    earth,

    These are contain’d in sex as parts of itself and justifications

    of itself.

    Without shame the man I like knows and avows the

    deliciousness of his sex,

    Without shame the woman I like knows and avows hers.

    Now I will dismiss myself from impassive women,

    I will go stay with her who waits for me, and with those

    women that are warm-blooded sufficient for me,

    I see that they understand me and do not deny me,

    I see that they are worthy of me, I will be the robust

    husband of those women.

    They are not one jot less than I am,

    They are tann’d in the face by shining suns and blowing

    winds,

    Their flesh has the old divine suppleness and strength,

    They know how to swim, row, ride, wrestle, shoot, run,

    strike, retreat, advance, resist, defend themselves,

    They are ultimate in their own right–they are calm, clear,

    well-possess’d of themselves.

    I draw you close to me, you women,

    I cannot let you go, I would do you good,

    I am for you, and you are for me, not only for our own

    sake, but for others’ sakes,

    Envelop’d in you sleep greater heroes and bards,

    They refuse to awake at the touch of any man but me.

    It is I, you women, I make my way,

    I am stern, acrid, large, undissuadable, but I love you,

    I do not hurt you any more than is necessary for you,

    I pour the stuff to start sons and daughters fit for these

    States, I press with slow rude muscle,

    I brace myself effectually, I listen to no entreaties,

    I dare not withdraw till I deposit what has so long

    accumulated within me.

    Through you I drain the pent-up rivers of myself,

    In you I wrap a thousand onward years,

    On you I graft the grafts of the best-beloved of me and

    America,

    The drops I distil upon you shall grow fierce and athletic

    girls, new artists, musicians, and singers,

    The babes I beget upon you are to beget babes in their turn,

    I shall demand perfect men and women out of my love-

    spendings,

    I shall expect them to interpenetrate with others, as I and

    you interpenetrate now,

    I shall count on the fruits of the gushing showers of them, as

    I count on the fruits of the gushing showers I give now,

    I shall look for loving crops from the birth, life, death,

    immortality, I plant so lovingly now.