• Date: 2003.04.16 | Category: Uncategorized | Tags:

    Premonições

    No post do Asa do dia do meu aniversário, fiz uma retrospectiva da minha vida, e arrisquei uma olhada pra frente, para o ano que se iniciava. Hoje, depois de passado um tempinho, reli aquele texto. Cito então a mim mesma:

    “O ano de 2003 começa portanto para mim com os primeiros ventos de uma forte tempestade. É um ano de abismo. Como 1981, vou ter de passar por ele da melhor forma possível, e realizar minhas tarefas a contento, de algum modo. Eu chego ao meu aniversário olhando para dentro deste abismo, e sabendo que vou ter de descer lá. Como até mesmo o Filho de Deus teve seu momento de falar “Pai, afasta de mim este cálice”, suo frio, choro e rezo muito. Breve há de chegar o momento do “Mas seja feita a Sua vontade, e não a minha”. Vou respirar fundo, fechar os olhos um instante, e começar a descer. Mas não agora, Pai, não ainda… “

    Agora que estou no fundo deste vale de sombras, eu me espanto com a capacidade que tive de pressentir a dor que vinha, dor que eu nem podia prever qual seria. Nem em tamaho, nem em qualidade. Mas veio a tempestade e vieram diversas perdas, amigos e amigas que morreram, falsos amigos que se revelaram, amigos que sofrem, e no meio de tudo muita, muita incompreensão. E dói, dói a ponto de eu me perguntar se eu REALMENTE vou conseguir aguentar. Meu coração hoje é uma chaga aberta, que sangra sem que eu consiga fazer parar. A imagem do Jardim das Oliveiras permanece forte, quando percebo que meus amigos dormem e estou só na minha agonia. Que eles não entendem, não enxergam, e não adianta explicar.

    Mas é assim que tem de ser. É mesmo aprendizado, como disse-me ontem um amigo. Vou-me esforçar para não cair em repetência destes ensinamentos tão dolorosos. Passar por eles apenas uma vez já é tormento suficiente para qualquer alma. E vou lutar para transformar cada gota de sangue vital que pinga do meu coração em um botão de rosa rubra, e depositar este ramalhete nesta próxima Sexta-Feira Santa aos pés da Cruz do meu Senhor. O cálice Dele foi o mais amargo de todos, ele que era o mais perfeito dos homens e ao mesmo tempo Filho de Deus. Diante da dor de Deus, que envia seu Filho Unigênito para ser torturado e desprezado pelos homens, para anular a distância que existia entre estes e o Pai, a minha é pequena demais para ser mencionada. Agradeço a Deus a chance de expandir minha alma, e não fujo do duro treinamento que ele me impôs. Aceito e me empenho em levar a cabo minhas lições. Em sua honra, querido Jesus.

    Enquanto eu enfrento uma paixão pessoal, com os olhos fixos na Paixão de Cristo, peço aos meus amigos que aqui me visitam que tenham paciência de esperar por posts. Não é todo dia que eu suporto pôr em palavras o que sinto. E, às vezes, o que sinto é incoerente demais para ser posto em palavras. Desejo a todos uma Páscoa maravilhosa, e muitas bênçãos. Qualquer hora eu volto.