• Date: 2003.05.27 | Category: Uncategorized | Tags:

    Improvisando sobre uma pequena história de Luis N.

    De dentro para fora o sorriso cresceu anunciando a todos a completa alegria daquela mulher. Mas há sempre um momento em que é preciso deixar tudo para trás, e o sorriso não escapou à regra. A mulher ficou muito triste e, de fora para dentro, as suas lágrimas inundaram-lhe a alma e afogaram-lhe a tristeza. E tudo começou de novo.

    Muitas vezes emudecemos nossa alma para escutar milhares de vozes do lado de fora. Mas silêncio de alma é uma coisa interessante. Quando silenciamos por dentro, a danadinha vai esperando, esperando, esperando, até que uma bela hora, sem aviso prévio, ela dá um grito angustiado de “CHEGA!”

    Você não tinha percebido, porque não escutava sua voz interior, mas sim a voz daqueles outros todos que te amam / odeiam / querembem /queremmal / brincamcomvocê / queremvocêséria / queremseucolo / queremdarcolo …. você rodopiava, risonha, no meio do burburinho, mas enquanto isto a borboleta na sua alma preparava mais um casulo, pois era hora de crescer asas mais fortes, asas de borboleta monarca, azuis faiscantes e enormes. E veio a queda.

    O casulo é escuro e amedrontador, principalmente porque você SABE que vai sair muito diferente do que entrou, e suas roupas velhas não vão servir mais; que certos acordos que você fez aqui fora não valem mais; que o contorcionismo de sua vontade para se adaptar à do outro acabou; que você vai sair deste sarcófago vivo com outra força, com outra sabedoria, seja do riso, seja da lágrima.

    Há, sim, meu amigo, o momento de deixar tudo para trás. O meu momento é agora.