• Date: 2003.07.06 | Category: Uncategorized | Tags:

    Declaração de Amor

    Este é um momento solene. Peço encarecidamente que só permaneçam aqui aqueles que não têm vergonha de seus sentimentos, aqueles que possuem pureza de alma suficiente para permanecer num recinto sagrado. Aqueles que não conseguem respeitar este momento, voltem outra hora, e falaremos de moda e de esportes e do último capítulo da novela e de sexo e do que mais for. Agora eu vou falar de amor.

    Assim, as cortinas fechadas, as velas acesas, uma música especial tocando baixinho, com perfume de incenso e na presença de todos que nos querem bem – e que sabem que não há nada aqui além de um amor profundo – segura a minha mão e escuta, Pimentinha, no meio de suas lágrimas. Deixa-as cair à vontade, se quiser, as minhas vão correr com as suas, do mesmo jeito que nossas gargalhadas voam juntas pelo ar.

    A Sue ama o Dennis Pimentinha, de um jeito tão especial que não tem nome, porque a palavra amizade foi tão enxovalhada que já não é capaz de descrever o que se passa aqui, no meu coração. A Sue se comprometeu, do fundo do seu coração e já faz muito tempo, a chorar com suas lágrimas, a sorrir com seu sorriso, a fazer o que puder pela sua dor e a comemorar suas vitórias, na saúde, na doença, estando ela mesma alegre ou triste, na riqueza e na pobreza, nesta vida e na que virá. A Sue nada pede de volta ao Dennis Pimentinha, a não ser que ele procure chorar menos e sorrir mais, e curar suas dores o mais rápido possível, para que o coração de sua pobre amiga não despedace de tanto sofrer.

    Não diga, não diga, não diga, bem amado, que quer esquecer os últimos ou qualquer outro momento que passou com sua mãe. Que sabe você do dia em que tentará lembrar qual era mesmo o azul intenso deste manso olhar, e sua memória ingrata não te dirá? Que sabe você do futuro, quando serão estes momentos os mais preciosos, os mais queridos, cuidadosamente cultivados, justamente para que não desapareçam?

    Chega de chorar, bem amado, que quase posso sentir a tua mãe a chorar do outro lado, sofrendo com teu sofrimento do mesmo modo que eu sofro…. Ela te ama, muito mais que eu poderia, ela gerou você e sabe exatamente a pessoa extraordinária e valente que você é, bem mais que eu seria capaz. Ela está esperando que seu filho querido seja o Dennito de sempre, batalhador, alegre, indomável, irreprimível. E eu também estou.

    O Dennito com seu gênio de cão, seu coração do tamanho de um bonde, com as piadas sutis que nem todo mundo entende, que faz graça das minhas borboletas e ameaçou invadir este blog de “mulherzinha” com uma lata de Baygon… Venha sim, Dennito, com mil latas de inseticida, com mil armas de ataque e defesa, minhas borboletas amam você, vão acomodar-se suavemente à sua volta, em arranjos multicores tão bonitos que você vai esquecer de usar o inseticida e vai ser apenas este menino levado que eu amo, e vamos inspecionar o caramujo na moita de amores-perfeitos, o fantasma consertador na casa da esquina, espiar por cima do muro a casa de Aglaia e suas meninas, correr, correr pelo meio das visões do hipnotizador… catar conchinhas imaginárias numa praia de sonho…

    Vem, Pimentinha, vamos espantar as borboletas e vê-las partir em revoada, depois voltar e pousar sobre nossos cabelos… Vamos rir, não chora mais não, que eu morro por dentro… Ah, amigo mais querido, eu amo muito você….