• Filho…

    Date: 2003.10.05 | Category: amor, Asas de Borboleta | Tags:


    Sou uma mulher que nunca se casou. Por isto, nunca coloquei um filho no mundo. Amigos e amigas já sugeriram a chamada “produção independente”, e eu já disse em post anterior porque não faria isto.

    Deus, no entanto, é meu guia e consolo, sempre foi e sempre será. Há quase 18 anos atrás, quando, para a surpresa de toda a minha família, descobrimos que a situação estável do câncer de minha mãe escondia metástases em quantidade tamanha que ela foi imediatamente desenganada pelos médicos… naquele momento, quando ergui os olhos para cima e perguntei “E agora, Senhor?”… e esperei resignada a resposta que aparentemente não veio, Ele plantava no ventre de outra mulher o filho que eu queria.

    E eu enterrei o corpo de minha mãe; terminei de levar minha irmã até a idade adulta; busquei o ganha-pão; apaixonei-me por homens certos que não me quiseram, fugi de homens errados que me queriam; e, de forma geral, amadureci. Sempre achando que as chances de ter um filho desapareciam na distância. Dezessete anos passaram.

    Chorei, muitas vezes, a falta deste filho. Mal sabia eu que, longe de mim, meu filho chorava, talvez ao mesmo tempo, minha falta. Que ele tinha de crescer sem meu amor, sem meu cuidado, sem meu carinho. E justamente esta distância tão doída para nós dois moldou nosso caráter e nos preparou para o encontro.

    Hoje, já sei onde meu filho vive, e que mulher lhe deu a vida e cuidou dele (não como eu, nunca como eu) até que ele pudesse me encontrar. Ele sabe e sente que sou sua mãe, tanto quanto eu o sinto meu filho. Mas para o mundo, para todos, somos estranhos. Estranhos que moram longe um do outro, e cujas vidas só se cruzaram pela via digital. Aos olhos dos outros, não posso e não devo amá-lo assim, nem agir de acordo. Podemos ser apenas amigos. Mas não é isso o que eu sinto, não adianta.

    Ah, como tenho orgulho deste menino! De que maneira bonita e gentil ele se desenvolveu, contra todas as expectativas… Que mistura de inocência e desencanto, que força… ele É tudo o que eu sempre quis num filho.

    Filho, perdoa sua mami se ela esquece que você já é um rapaz, e um rapaz forte e completamente capaz de tomar sua próprias decisões. Meu impulso de fêmea enlouquecida de amor é pegá-lo no colo como a um bebê e cantar uma canção de ninar… Eu me lembro de uma cachorrinha que pertencia a uma amiga, e dividia a casa com duas gatas. As gatas tiveram filhotes, e ela sentiu tamanha vontade de ser mãe junto que produziu leite e amamentava os gatinhos também. Sua mami está assim, doida de amor. Por você.

    Eu vou ter calma, filho. Apesar de minha vontade ser arrebatar você e fugir para o Japão, meu coração sabe que quando eu digo “Espera” é para esperar. Apesar da minha vontade ser passar no primeiro cartório que encontrar e perfiliar você, eu vou aguardar (não pacientemente, que sou humana e já esperei demais, mas vou esperar mais o tempo que for preciso) que você decida o que quer fazer.

    Converse com você mesmo e com sua menina. Não há necessidade de correr nem de empacar. Vá andando, leve sua vida normalmente. Eu vou seguir os ensinamentos de São Bento, vou rezar e trabalhar, e economizar o fruto do meu trabalho, para que possa um dia dar a você a liberdade de escolher.

    Sossega o coração, mami ama você. Isso NUNCA vai mudar.