• Poemas e Alfazemas

    Date: 2004.01.17 | Category: alegria, amizade, Asas de Borboleta | Tags:

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    Quando se conhece uma pessoa como Jules, deve-se fazer algum tipo de oferenda. Não aos espíritos afro-brasileiros, mas a uma musa. Eu pensei, cá com meus botões de madrepérola, qual a melhor oferenda a se fazer a uma musa por um poeta goitacás? Enquanto eu debatia comigo e meus botões, ele mesmo me deu a resposta.

    Chuviscos e poesia!

    Da série ………. : brincando com rimas – Jules Rimet

    Ninguém lê poemas

    sem rimas e alfazemas.

    Façamos então um perfeito

    que agrade até ao prefeito.

    Cheio de anjinhos e cores,

    com molhos de mil sabores.

    Um poema que se deguste

    mesmo que tal trabalho custe

    uma vida de técnica apurada.

    Façamos uma arte marinada,

    com cheiro de cozinha, temperada;

    uma poesia doce, outra salgada;

    uma que sirva de entrada,

    mas que vá se tornando,

    à medida que o tempo vá passando,

    no prato principal.

    E para agradar ao comensal

    façamos um poema-sobremesa

    de claras e anilina; com certeza

    agradará também olhar a cor

    e, decerto, a forma de dispor

    os versos e a cadência:

    um poema cozidinho, com ciência.

    De preferência um poema mastigado

    pra que não soframos o azar

    de o leitor vir a se engasgar

    e ficar com o poema atravessado.”