• Tempo e Hereditariedade

    Date: 2004.05.16 | Category: luta | Tags:

    O Velho do Espelho Mario Quintana

    Por acaso surpreendo-me no espelho: quem é esse
    Que me olha e é tão mais velho do que eu?
    Porém, seu rosto… é cada vez menos estranho…
    Meu Deus, meu Deus… Parece
    Meu velho pai – que já morreu!
    Como pode ficarmos assim?
    Nosso olhar – duro – interroga:
    “O que fizeste de mim?!”
    Eu, Pai?! Tu é que me invadiste,
    Lentamente, ruga a ruga… que importa? Eu sou, ainda,
    Aquele menino teimoso de sempre
    E os teus planos enfim lá se foram por terra.
    Mas sei que vi, um dia – a longa, a inútil guerra! –
    Vi sorrir, nesses cansados olhos, um orgulho triste…”

    É um pouco assustador quando nos damos conta da hereditariedade. Sim, repentinamente vemos um rosto que não nos pertence no espelho, ou até percebemos que agimos ou falamos igualzinho a uma pessoa do passado, um pai, um avô…

    Mais assustador ainda é quando esta pessoa é alguém por quem nutrimos sentimentos mistos de amor e ódio. Porque isto significa que odiamos um pedaço de nós mesmos. E o ódio por parte de nós transborda, ao longo do tempo, por ódio a tudo que nos diz respeito, e continua a transbordar para incluir os que estão à nossa volta…

    Não dá para evitar sermos parte de uma família. Ao contrário, só podemos ser totalmente nós mesmos se absorvermos com amor e humor aquela mania igualzinha à da tia Maricota, o jeito de andar igual ao do pai, o temperamento difícil do tio Lúcio. Se absorvermos e transmutarmos em algo novo. Se lutamos contra, sempre perdemos a briga, e o resultado é um retumbante mau humor. De azedume todo mundo foge.

    Ou faz troça.

    Cara valente
    Maria Rita Mariano

    Não ele não vai mais dobrar pode até se acostumar
    Ele vai viver sozinho desaprendeu a dividir
    Foi escolher o mal-me-quer entre o amor de uma mulher
    E às certezas do caminho ele não pôde se entregar
    E agora vai ter de pagar com o coração

    Olha lá ele não é feliz
    Sempre diz que é do tipo cara valente
    Mas veja só a gente sabe esse humor é coisa de um rapaz
    Que sem ter proteção foi se esconder atrás da cara de vilão

    Então não faz assim rapaz
    Não bota esse cartaz
    A gente não cai não

    Ê! Ê!
    Ele não é de nada
    Oiá!
    Essa cara amarrada
    É só um jeito de viver na pior

    Ê! Ê!
    Ele não é de nada
    Oiá!
    Essa cara amarrada
    É só um jeito de viver nesse mundo de mágoas