• Fim de sonho, Início de Realização

    Date: 2004.09.04 | Category: alegria, amizade, encantamento, esperança | Tags:

    Foram quatro dias da mais profunda felicidade. Acabou dia 02 de setembro de 2004 um projeto que veio do fundo do meu coração, fruto de muito trabalho duro, resultado dos esforços conjuntos de membros de um grupo que se organizou em torno de uma paixão comum, e que depois deste simpósio posso com firmeza chamar de grandes amigos. Foi mais do que bom. Foi um sonho. Um sonho que se tornou realidade na minha frente. Mais importante, percebi que não era um sonho só nosso, destas pessoas do Brathair.

    Foi gratificante ver a seriedade de todos, desde o aluno mais novinho da graduação até o professor doutor mais graduado. Foi emocionante sentir a felicidade de todos, dezenas de alunos vieram me abraçar no último dia e dizer o quanto estavam tristes de ter acabado. Eu também estou triste que acabou. Eu nunca senti tanta irmandade numa atividade acadêmica antes. Todas as palestras lotadas, pessoas tomando nota, gravando, fazendo perguntas. Nunca vi tantos olhos brilhando juntos.

    Nunca vi monitoras fazerem ‘claque’ para uma professora de outra universidade que elas tinham acabado de conhecer, com direito a cartaz escrito “Sue, você é gente paca!” (Risos) Alguém aí já viu garotas escreverem isto de uma professora que estava fazendo elas trabalharem feito doidas? Que meninas especiais, estas monitoras… Uma delas chegou a dizer que vai se formar na UFRJ e depois se matricular no curso de secretariado executivo da minha universidade, só para ser minha aluna de inglês… menina danada, só para me fazer chorar…

    Agora, é fortalecer e construir sobre o sonho e a felicidade de todos, estabelecer uma base de estudos medievais forte neste país, descobrir de onde vimos e para onde podemos ir. Com a alma cantando, as verdes colinas de Erin combinadas com as verdes matas da Terra de Santa Cruz. Eu já falei demais, como sempre, mas agora passo a palavra a Amergin, irmão de Evir, os primeiros príncipes Milesianos a colonizar a Irlanda, muitos séculos antes de Cristo. Estes foram os primeiros versos feitos na Irlanda, esta terra de guerreiros e poetas… vieram do livro Leabhar Gabhála, ou Livro das invasões.

    The Mystery (translated by Douglas Hyde)

    I am the wind which breathes upon the sea,
    I am the wave of the ocean,
    I am the murmur of the billows,
    I am the ox of the seven combats,
    I am the vulture upon the rocks,
    I am a beam of the sun,
    I am the fairest of plants,
    I am a wild boar in valour
    I am a salmon in the water,
    I am a lake in the plain,
    I am a word of science,
    I am the point of the lance in battle,
    I am the god who created in the head the fire.
    Who is it who throws light into the meeting on the mountain?
    Who announces the ages of the moons?
    Who teaches the place where couches the sun?
    (If not I)

    O Mistério (tradução para o português por Assunção Medeiros)

    Eu sou o vento que sopra aragem sobre o mar,
    Eu sou a onda do oceano,
    Eu sou o murmúrio das vagas,
    Eu sou o touro dos sete combates,
    Eu sou o corvo sobre as pedras,
    Eu sou um raio de sol,
    Eu sou a mais bela das plantas,
    Eu sou um javali selvagem em valor,
    Eu sou o salmão na água,
    Eu sou um lago na planície,
    Eu sou uma palavra de ciência,
    Eu sou a ponta da lança em batalha,
    Eu sou o deus que criou na cabeça de fogo.
    Quem é aquele que joga luz no encontro nas montanhas?
    Quem anuncia as eras das luas?
    Quem ensina o lugar de descanso do sol?
    (A não ser eu)