• Um Certo Cansaço

    Date: 2004.10.18 | Category: alegria, amor, Asas de Borboleta | Tags:

    A vida tem coisas espetaculares. As ditas coincidências que nos levam a dobrar uma esquina e dar de cara com uma alma gêmea, O gesto inesperado de apoio e carinho vindo de uma pessoa com quem não se contava. Um dia que nasce esplendoroso de dentro de uma noite chuvosa. A precisão quase geométrica das pétalas de uma rosa. Tem muita coisa que faz com que se olhe em volta e diga: Deus fez tudo muito bem feitinho…

    Mas tem gente que parece ter como ocupação profissional transformar o bonito em feio, o milagre em corriqueiro, a vida em tédio. Alguns por falta de um olhar mais caridoso para si e para o mundo, alguns atormentados por tarefas prementes desta nossa época agitada, outros simplesmente porque sofrem de azedume crônico da alma. Entretanto, há pessoas demais assim, e as almas mais líricas sofrem com os constantes baldes de água fria a lhe jogarem no rosto.

    Hoje, se fosse possível, gostaria que todos que lessem isto tentassem olhar longamente e em silêncio para algo bem bonito – pode ser esta rosa aí em cima – e deixassem que a mensagem que está oculta nesta beleza se revelasse diantede seus olhos.

    “The most incredible things about miracles is that they happen. A few clouds in heaven do come together into the staring shape of one human eye. A tree does stand up in the landscape of a doubtful journey in the exact shape of a note of interrogation. I have seen both these things myself within the las few days. Nelson does die in the instant of victory; and a man named Williams does quite accidentally murder a man named Williamson; it sounds like a sort of infanticide. In short, there is in life a sort of elfin coincidence which people reckoning on the prosaic may perpetually miss. As it has been well expressed in the paradox of Poe, wisdom should reckon on the unforeseen.” (G.K. Chesterton – Father Brown Stories – Penguin Popular Classics – p. 07)

    “A coisa mais incrível a respeito dos milagres é que eles acontecem. Algumas nuvens no céu se juntam, sim, na forma de um olho humano a encarar. Uma árvore se destaca, sim, da paisagem de uma jornada dúbia, na forma exata de um ponto de interrogação. Eu mesmo vi estas duas coisas nos últimos dias. Nelson realmente morre no instante da vitória; e um homem chamado Williams, por puro acidente, pode, sim, assassinar um homem chamado Williamson (“Filho de William”); soa como uma espécie de infanticídio. Em suma, existe na vida uma espécie de coincidência mágica que as pessoas que raciocinam com o prosaico perpetuamente ignoram. Como já foi bem expresso no paradoxo de Poe, a sabedoria tem de levar em conta o imprevisto.” (tradução minha)