• Manifesto Anti-Feminista

    Date: 2016.12.03 | Category: alegria, amor, encantamento | Tags:

    clarisse_e_os_homens

     

    “O homem. Como o homem é simpático. Ainda bem. O homem é nossa fonte de inspiração? É. O homem é nosso desafio? É. O homem é nosso inimigo? É. O homem é nosso rival estimulante? É. O homem é o nosso igual ao mesmo tempo inteiramente diferente? É. O homem é bonito? É. O homem é engraçado? É. O homem é um menino? É. O homem é também um pai? É. Nós brigamos com o homem? Brigamos. Nós não podemos passar sem o homem com quem brigamos? Não. Nós somos interessantes porque o homem gosta de mulher interessante? Somos. O homem é a pessoa com quem temos o diálogo mais importante? É. O homem é um chato? Também. Nós gostamos de ser chateadas pelo homem? Gostamos.

    Poderia continuar com esta lista interminável até meu diretor mandar parar. Mas acho que ninguém mais me mandaria parar. Pois penso que toquei num ponto nevrálgico, como o homem nos dói. E como a mulher dói no homem.” (LISPECTOR, Clarisse, A Descoberta do Mundo, p.30; Editora Rocco, RJ, 1999)

     

    Clarisse é Clarisse. Ela tem o olho clínico para tocar nestes pontos nevrálgicos. O homem. Esta criatura tão parecida comigo e tão diferente. Esse decifra-me ou te devoro ao qual a gente se entrega sem medo. Ou com muito, muito medo. Com alegria e com raiva e com tanta ternura. Aquele abraço, aquele aconchego, aquele olhar crítico e aquela fala sem dó. O martelo do meu cinzel, aquele que me impele. E que me trava também. O piso e o teto das minhas paredes.

    Como viver com ele é quase tão difícil de descobrir quanto como viver sem ele. Como se cuida de um homem sem se tornar sua mãe, e como deixar que ela a proteja sem se tornar sua filha? Como administrar esta diferença entre pares? Como caminhar junto sem fazer o outro tropeçar?

    O que sei é que é o homem que me define, da mesma forma que é a mulher que define o homem. É uma magia, é um milagre, é uma luta diária. É este chiaroscuro que coloca a vida em foco. Não consigo e não quero imaginar uma vida sem homens, ou com homens emasculados, que deixaram de ser aquilo que são.
    Definitivamente, não sou uma feminista.