• Date: 2002.10.22 | Category: Uncategorized | Tags:

    Morri e voltei

    As dores do amor são das mais difíceis de suportar. Quem tem acompanhado meu blog sabe que ultimamente a borboleta tem andado de asa caída… Sem nenhum exagero retórico, quase morri de dor. Não é facil se abrir o peito, rasgar as carnes, tirar o coração e oferecê-lo em uma bandeja de prata para o amado… e ouvir um Não, obrigada. Saber as razões deste não, entendê-las, respeitá-las, amar aquele homem ainda mais por elas, nada disso me ajudou na hora de enfrentar a dor.

    Então, fiz o que toda fêmea faz desde que Lilith foi preterida em favor de Eva: gemi, chorei, ouvi música romântica, chorei mais um pouco, enchi o saco dos meus amigos, chorei, chorei mais ainda, perturbei meus amigos DE VERDADE, chorei, escutei mais música, me debulhei em lágrimas, me enchi de sorvete e chocolate, chorei e chorei. Esgotei a dor, bebi desta bebida amarga até a última gota. Enfim, acabou.

    Agora, o que sinto por ELE está transformado em parte da tessitura da minha alma, e nunca vai ser tirado de mim. Ele é meu, esta história é minha, me fez um pouco mais pronta para receber aquele outro que virá. Como uma colcha rebordada de pedrarias, cada lágrima cintila como um diamante em meu olhar; o carinho da mão de cada amigo deu mais brilho aos meus cabelos; a frustrada espera por ele deu-me tempo para amaciar meu temperamento, aceitar um pouco mais minhas imperfeições. Cada esperança perdida virou uma flor que tranço em meus cachos, cada noite insone virou um manto feito de luz de luar, com que cubro minha nudez de corpo e de alma. Tudo, tudo o que passei me tornou mais forte e mais suave, e já passou.

    Agora, sento na pedra mais elevada do cume da mais alta montanha deste coração vazio e cansado, e espero que aquele que virá tenha forças, mais forças que aquele que se foi, de subir até aqui. Ainda tenho muito medo de descer, e enfrentar a dor de novo. Não sei se aguentaria. Talvez, se escutar a voz daquele que virá a me chamar, ainda me reste coragem de encontrá-lo no meio do caminho.

    Não sei o que virá, não sei quem virá, que voz terá, que mudanças causará na minha vida. Só uma coisa eu sei hoje: meu coração está pronto para amar de novo.