• Date: 2002.11.03 | Category: Uncategorized | Tags:

    Honrando os Mortos

    Este final de semana foi especial… foi o “feriado” (!!!) de Finados, e um bando de gente passou nos cemitérios para levar flores frescas para as covas de seus entes queridos que já partiram daqui. Visita concluída, mais um ano passará — na maioria das vezes — antes que estes mortos sejam lembrados novamente.

    Eu nunca vou a cemitérios, a não ser na ocasião dolorosa da partida de alguém que estimo. Tenho uma maneira diferente, e mais constante, de honrar meus mortos. Eu converso com eles. Lembro de tudo que me porporcionaram. Eu os reverencio e os amo. Meus mortos não estão em uma cova, virando pó. Estão no meu coração e na minha lembrança, sempre.

    Minha mãe, eu lembro, sinto ainda como você cheirava bem, escuto a sua voz macia; Vó Calita, eu era pequenina, mas lembro da sensação gostosa de deitar a cabeça no seu colo, ouvir uma história da carochinha e receber minha bênção antes de dormir; Madrinha, eu não esqueci da sua devoção ao rosário, de como eu acordava — quando dormia com você em sua cama — com a luz de seu abajur e o sussurrar das suas orações; Vó Assunta, recém-partida, não esqueço o frescor de pêssego de sua pele, e de sua inerente elegância; mulheres da minha família, eu sinto a falta de cada uma, mas também sinto cada uma dentro de mim, percebo em mim a influência de cada uma de vocês. Paz na sua jornada, preparem a minha chegada.

    Vô Pedro, com tenho saudades dos passeios que dávamos, da sua paciência em identificar pacientemente todas as espécies de árvores pelas quais passávamos; Tio Paulo, como meu peito aperta de saudade quando lembro do seu sorriso generoso, do seu olhar brilhante, do abraço apertado; Irmãozinho Pedro Paulo, levado tão pequenino, antes que eu pudesse conhecê-lo, tenho por você um amor forte, sempre conversamos quando eu era criança, lembra?, você era meu confidente em tudo, eu sabia que você estava sempre junto de mim, espero que esteja hoje bem próximo à nossa mãe, atenuando a saudade que sei que ela sente dos filhos; Vô Emílio, que eu também não conheci, mas que mamãe dizia que seria meu favorito, abençôa sua neta. Homens de minha família, guardem a casa de nossos ancentrais, protejam a filha da vossa semente, dêem a ela força e sabedoria para viver com retidão e honradez.

    Meus amados, todo dia para mim é Finados, porque vocês não estão aqui. Olhem por mim.