• Date: 2002.12.09 | Category: Uncategorized | Tags:

    Escritores

    Quem gosta de escrever como eu gosto tem verdadeira admiração por escritores bons. Não necessariamente famosos, veja bem! Bons. Pessoas que, com seus textos, conseguem nos arrepiar, nos irritar, nos alegrar. O texto parece uma coisa viva, que desenrola bem diante de nossos olhos um movimento, uma cor, uma intensidade. Conheço algumas pessoas que escrevem assim. Uma delas já foi homenageada neste blog há algum tempo, meu queridíssimo Dennis. Dennis criou em seu Caderno Mágico um mundo deveras particular, e aqueles que têm o passaporte viajam para lá sempre que podem. Mas existe um outro, que é preciso homenagear, um amigo que tem o dom de futucar lá dentro de mim e trazer à tona sentimentos que eu nem suspeitava que existiam: Alexandre Soares Silva.

    Alexandre é um caso perdido nestes tempos modernos: na realidade ele é um cavalheiro inglês do século XIX (sim, XIX, algarismos para o Alexandre, só os romanos!). Sempre acompanhado de sua bengala — que esconde uma espada afiada que ele maneja muitíssimo bem –, das suas polainas e de seu monóculo, Alexandre observa este mundo moderno com o riso mal-contido de quem SABE que é tudo muito ridículo.

    Sempre lânguido, em uma pose indolente, reclinado em sua poltrona e rodando a bengala com os dedos, evitando o mais possível enredilhar-se na velocidade do homem de hoje, Alexandre parece dormitar, quando nos fita com seus olhos entrefechados. Mas não caiam no erro de pensar que ele tem reações lerdas. Em um piscar de olhos, a capa de madeira da bengala cai ao chão, a espada afiada está encostada no seu peito bem na altura do coração, e Alexandre boceja e pergunta: “Surrender?” Os que são tolos o suficiente para não fazê-lo são sumariamente cortados em fatias e alimentados às suas carpas (sim, ele tem uma criação de carpas em seu castelo escocês).

    Alexandre trouxe para este nosso tempo sem elegância um toque de cavalheirismo e coragem que não existem mais. Nas suas campanhas no exército de Sua Majestade contra os Zulus, ele se destacou a ponto de ser promovido a general por bravura no campo de batalha. Sim, ninguém diria isto olhando para o ainda jovem senhor a ler Oscar Wilde em sua poltrona, com seu Cocker Spaniel a seus pés e uma bandeja com chá e bolinhos a seu lado. Ele é um general com larga experiência de guerra, grande espadachim (já falei isso, mas é sempre bom repetir; tem gente que não acredita), com o olhar e a língua tão afiados quanto sua espada.

    Finalmente meu General teve a bondade de nos brindar com um pouco mais de seu tempo e de sua verve, montando o blog http://alexandresoaressilva.blogspot.com, que é como uma bebida bem refrescante e gelada depois de uma partida de tênis. É realmente um prazer e um encantamento ficar esperando as surpresas que este Sir tem reservadas para nós. Dá vontade de me abanar com um leque de plumas, comprar anquinhas e jogar pequeninos lenços de renda ao chão. I’ll say! My Goodness! Bravo, General!